Engenharia naval

A engenharia naval é o ramo da engenharia que tem como foco principal as instalações que se destinam à exploração das potencialidades marítimas, fluviais e lacustres. Com o desenvolvimento da exploração e produção de petróleo e gás no oceano, o trabalho do engenheiro naval estendeu-se à engenharia oceânica.
O engenheiro naval dedica-se a todas as fases de vida das embarcações e plataformas destinadas ao transporte aquaviário e à exploração dos recursos e atividades de recreio em oceanos, mares, lagos, rios ou canais, cobrindo as etapas de projeto, construção, fiscalização, inspeção e manutenção. Estão ainda incluídas as tarefas de planejamento e gestão das operações marítimas, fluviais, lacustres e portuárias.
Embora especializada, a engenharia naval é bastante eclética. abordando, direta ou indiretamente, os principais aspectos de outras modalidades de engenharia. O profissional de engenharia naval deve ter uma visão sistêmica e abrangente, necessária ao projeto, operação e manutenção de grandes instalações de engenharia.[1]
Ramos
[editar | editar código]A engenharia naval pode dividir-se em vários ramos, incluindo:
- Arquitetura naval - lida com o projeto e construção dos cascos e estruturas de uma embarcação, a organização do seu espaço interior, bem como com o seu comportamento hidrodinâmico e hidroestático;
- Engenharia de máquinas marítimas - especialidade que envolve o projeto, a construção, a instalação, a operação e a manutenção dos sistemas de propulsão, controle e produção de energia das embarcações, bem como dos seus sistemas eletromecânicos de apoio à tripulação, passageiros e carga;[2]
- Engenharia estrutural - projeto e calcula a estrutura do navio ou embarcação de uma forma geral para resistir a todas as cargas ambientais e operacionais;
- Engenharia elétrica - cuida de todo o projeto elétrico e eletrônico do navio ou plataforma;
- Engenharia oceânica - lida com a concepção, operação e manutenção de estruturas de exploração de recursos marítimos, especialmente petróleo e gás;
- Transportes marítimos - lida com toda a logística de distribuição utilizando vias marítimas ou fluviais.
Setores de atuação
[editar | editar código]As áreas tradicionais de emprego são os estaleiros navais, empresas de certificação, empresas de gestão de projeto, qualidade e segurança, empresas armadoras, empresas de serviços e consultoria em engenharia, organismos do estado, empresas técnico-comerciais, investigação e docência. As indústrias mais relacionadas são as de construção e reparação naval, pesca, logística e transportes (marítimos ou não).
Na parte da engenharia oceânica, praticamente todas as principais empresas do ramo petrolífero empregam engenheiros navais para a realização de projetos de exploração e produção de petróleo offshore.
O fato de a engenharia naval abranger conceitos das outras áreas de engenharia e de o profissional dessa modalidade ser capaz de analisar e simplificar problemas complexos, possobilita que esse engenheiro trabalhe também fora do setor naval. Um exemplo, é a presença frequente de engenheiros navais nos setores automobilístico, aeronáutico e da construção civil.
Ensino
[editar | editar código]No Brasil, existem sete universidades que oferecem cursos de Engenharia Naval, Engenharia Mecânica Naval e Oceânica:
- Universidade de São Paulo (Engenharia Naval e Oceânica)
- Universidade Federal do Rio de Janeiro (Engenharia Naval e Oceânica)
- Universidade Federal de Santa Catarina (Engenharia Naval)
- Universidade Federal do Pará (Engenharia Naval)
- Universidade Federal do Rio Grande (Engenharia Mecânica Naval)
- Universidade Federal de Pernambuco (Engenharia Naval)
- Universidade do Estado do Amazonas (Engenharia Naval)
- Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Tecnologia em Construção Naval)
Em Portugal, o Instituto Superior Técnico oferece o curso de Engenharia e Arquitetura Naval, dividido em dois ciclos: licenciatura e mestrado. A Escola Naval oferece os cursos de mestrado em Engenharia Naval, ramos de Mecânica e de Armas e Eletrônica. A Escola Superior Náutica Infante D. Henrique oferece o curso de licenciatura em Engenharia de Máquinas Marítimas.
Disciplinas
[editar | editar código]O curso, assim como grande parte das engenharias, é estruturado em duas fases:
Ciclo Básico: Cálculo, Álgebra, Física, Química, Ciência dos Materiais, Programação, Mecânica Vetorial, Eletricidade Geral, Economia e Estatística.
Ciclo Profissional: Hidrodinâmica, Mecânica dos Fluidos, Estruturas, Vibrações, Mecânica dos Meios Contínuos, Hidrostática, Termodinâmica, Arquitetura Naval, Máquinas Marítimas, Técnicas de Construção, Controle, Modelagem Computacional, Gestão de Projetos, Logística e Pesquisa Operacional.
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ TUPPER, Eric C. Introduction to Naval Architecture, 2013 - 5 ed. Langford, 2013.
- ↑ «Site da Escola Naval de Portugal (cursos de mestrado)»
Fontes
[editar | editar código]- SCOTT, G.L.N. Engenharia Naval. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - IFCE, 2015.
Ligações externas
[editar | editar código]- Núcleo de Alunos de Engenharia Naval (NAEN) - Portugal
- Site Oficial do PNV - EPUSP
- COPPE/UFRJ
- Site da UFPA
- Instituto Superior Técnico - Universidade Técnica de Lisboa
- Escola Naval de Portugal
- Escola Superior Náutica Infante D. Henrique
- Centro de Estudos em Gestão Naval
- Sociedade Brasileira de Engenharia Naval
- Instituto Pan-americano de Engenharia Naval
- Instituto de Pesquisas Tecnológicas
- Tanque de Provas Numéricas da USP
- Unidade Universitária de Tecnologia em Construção Naval (UEZO)