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Comissionamento

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Comissionamento é o processo de assegurar que os sistemas e componentes de uma edificação ou unidade industrial estejam projetados, instalados, testados, operados e mantidos de acordo com as necessidades e requisitos operacionais do proprietário. O comissionamento pode ser aplicado tanto a novos empreendimentos quanto a unidades e sistemas existentes em processo de expansão, modernização ou adequação.[1][2][3][4]

Na prática, o processo de comissionamento consiste na aplicação integrada de um conjunto de técnicas e procedimentos de engenharia para verificar, inspecionar e testar cada componente físico do empreendimento, desde os individuais, como peças, instrumentos e equipamentos, até os mais complexos, como módulos, subsistemas e sistemas. [5]

As atividades de comissionamento, no seu sentido mais amplo, são aplicáveis a todas as fases do empreendimento, desde o projeto básico e detalhado, o suprimento e o diligenciamento, a construção e a montagem, até a entrega da unidade ao cliente final, passando, muitas vezes, por uma fase de operação assistida.[6][7]

Objetivo e impacto

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O objetivo central do comissionamento é assegurar a transferência da unidade civil ou industrial do construtor para o proprietário de forma ordenada e segura, garantindo sua operabilidade em termos de desempenho, confiabilidade e rastreabilidade de informações. Adicionalmente, quando executado de forma planejada, estruturada e eficaz, o comissionamento tende a se configurar como um elemento essencial para o atendimento aos requisitos de prazos, custos, segurança e qualidade do empreendimento.

Evolução

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As metodologias estruturadas de comissionamento surgiram na indústria aeroespacial nas décadas de 1960 e 1970, impulsionadas pela necessidade de garantir zero falhas em sistemas críticos como aviões, foguetes, satélites e ônibus espaciais.

A disseminação para outros segmentos ocorreu principalmente nos anos 1980 e 1990, quando indústrias como a nuclear, petroquímica, farmacêutica e de geração de energia adotaram esses princípios. Setores como óleo e gás e infraestrutura de transporte, passaram a exigir planos de comissionamento detalhados, herdando a lógica aeroespacial de validação faseada e documentação exaustiva.[8][9]

Normalização

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Diversas entidades normativas internacionais estabeleceram metodologias de comissionamento adaptadas a seus setores de atuação, destacando-se:

  • ISO (International Organization for Standardization): A ISO 9001 (gestão da qualidade) incorporou princípios de comissionamento em seu ciclo PDCA, detalhados nas normas ISO 20815 (Gestão da integridade e comissionamento para indústria de petróleo e gás) e ISO 14001 (Aspectos ambientais do comissionamento).
  • NORSOK (Norsk Sokkels Konkurranseposisjon): Publicou a norma NORSOK Z-007: Mechanical Completion and Commissioning, que se tornou uma importante referência para o segmento de óleo e gás.
  • IEC (International Electrotechnical Commission): Desenvolveu a norma IEC 62381, definindo diretrizes para comissionamento de sistemas de automação em processos industriais.
  • ANSI/ASHRAE (American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers): Publicou as normas Guideline 0 (The Commissioning Process) e Standard 202, que se tornaram referência global para comissionamento em edificações comerciais e industriais.
  • ICCA (International Commissioning Certification Association): Desenvolveu métodos específicos para construção e comissionamento de instalações prediais.

Disciplina independente

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O comissionamento de grandes empreendimentos civis e industriais  é uma especialidade técnica complexa e sofisticada, que tende modernamente a ser encarada como uma disciplina específica e independente de engenharia, ao lado das especialidades tradicionais, como a civil, mecânica, naval, elétrica, eletrônica, automação e instrumentação.[10][11]

Sistemas de Gestão do Comissionamento

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Em projetos de grande porte, o elevado volume e complexidade dos dados de comissionamento, aliados à necessidade de garantir a eficiente rastreabilidade e disponibilidade de todas as informações envolvidas, demandam a utilização de sistemas de gestão do comissionamento, softwares cada vez mais poderosos e sofisticados, capazes de otimizar o planejamento e acompanhamento de todas as atividades dessa importante fase do ciclo de vida do ativo industrial.[12][13]

Acompanhando o movimento mais amplo de digitalização dos diversos segmentos da indústria, estes sistemas de gestão evoluíram de ferramentas isoladas de controle de pendências para plataformas integradas que conectam as informações de completação mecânica e comissionamento às demais disciplinas de engenharia e à gestão do empreendimento ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde as fases de projeto e construção até sua operação e manutenção.

Referências

  1. BENDIKSEN, T., YOUNG, G. Commissioning of Offshore Oil and Gas Projects: The Manager's Handbook, AuthorHouse Publishers, 2005.
  2. HORSLEY, David (1998). Process Plant Commissioning: A User Guide (em inglês) 2 ed. Reading: Institution of Chemical Engineers. Consultado em 9 de junho de 2026
  3. MENDONÇA, Paulo Elias (2025). «Commissioning Management for Oil & Gas Production Units [eBook]» (em inglês)
  4. KILLCROSS, Martin (2021). Chemical and Process Plant Commissioning Handbook: A Practical Guide to Plant System and Equipment Installation and Commissioning (em inglês) 2 ed. Oxford: Elsevier (Butterworth-Heinemann). ISBN 978-0-12-824049-6. Consultado em 9 de junho de 2026
  5. FARES, F., MONTENEGRO, B., PRATES, A., Commissioning of Oil & Gas Projects – Current Status, Evolution and Trends. em: Rio Oil & Gas 2010, Rio de Janeiro, Brazil, set 2010.
  6. MONTENEGRO, B., O Comissionamento Durante as Fases de Construção de um Empreendimento Complexo, em: EPC News, abril 2009.
  7. CARVALHO, Alexandre C. (abril de 2008). «Plano de Comissionamento em Instalações industriais»
  8. SOOSAIYA, Anthreas (2021). Project Execution of Mega-Projects for the Oil and Gas Industries (em inglês). Boca Raton: CRC Press. ISBN 978-1-003-13165-6
  9. LAGER, Thomas (2012). «Startup of New Plants and Process Technology in the Process Industries: Organizing for an Extreme Event». Journal of Business Chemistry (em inglês). 9 (1): 3–18
  10. JARLOEV, Thomas T. (2018). A Practical Guide to the Commissioning Process (The Book About Commissioning) (em inglês). [S.l.]: CxGuideline. Consultado em 9 de junho de 2026
  11. SRINIVASAN, K.; VASUDEVAN, T. V.; KANNAN, S.; e KUMAR, Ramesh D. (2023). Handbook of Construction Management for Instrumentation and Controls (em inglês). Hoboken: Wiley. Consultado em 9 de junho de 2026
  12. PRATES, A. (2006). «Inovações Tecnológicas no Comissionamento de Projetos de Óleo & Gás». Revista TN Petróleo. IX (50)
  13. GAETE, L.; PRATES, A. (outubro de 2007). Ferramentas de TI para o Comissionamento de Empreendimentos Industriais. Congresso Pan-Americano de Engenharia Naval, Transporte Marítimo e Engenharia Portuária. Rio de Janeiro, Brasil