Hemocele
Hemocele (do grego: haima, sangue, e koilia, cavidade), também chamada de hemocéloma, é a principal cavidade corporal encontrada na maioria dos invertebrados que possuem um sistema circulatório aberto, destacando-se os artrópodes (como insetos, crustáceos e aracnídeos) e a maioria dos moluscos. Ao contrário do celoma verdadeiro, a hemocele não é inteiramente revestida por tecido de origem mesodérmica e atua diretamente como um reservatório para a hemolinfa — fluido que atua como uma combinação de sangue e linfa.[1]
Anatomia e função
[editar | editar código]Na anatomia dos animais celomados com sistema circulatório aberto, a rede de vasos sanguíneos é reduzida. O fluido circulatório é bombeado por um coração dorsal em direção a espaços abertos (seios) que, em conjunto, formam a hemocele.[2]
Nesta cavidade, a hemolinfa banha diretamente os órgãos internos e tecidos do animal. As principais funções da hemocele incluem:
- Transporte de nutrientes e resíduos: Permite a difusão direta de nutrientes absorvidos pelo trato digestivo para as células, além de recolher produtos da excreção.
- Regulação hormonal: Facilita a distribuição de hormônios por todo o corpo do invertebrado.
- Esqueleto hidrostático: Em muitos organismos, a pressão do fluido dentro da hemocele fornece suporte estrutural e auxilia na locomoção, funcionando como um sistema hidráulico. Vale notar que, nos insetos, o transporte de oxigênio é feito primariamente pelas traqueias, e não pela hemolinfa da hemocele.
Desenvolvimento embrionário
[editar | editar código]Do ponto de vista embriológico, a hemocele tem uma origem mista. Durante o desenvolvimento do embrião, ela se forma a partir da fusão da blastocele (a cavidade primária do embrião) com porções do celoma em formação. Por essa razão, a hemocele também é frequentemente classificada na literatura biológica como um "mixocéloma", sendo considerada por alguns autores como uma forma modificada de celoma.[1] O verdadeiro celoma nestes animais acaba ficando restrito a pequenas cavidades ao redor das gônadas e dos órgãos excretores.
Divisões nos insetos
[editar | editar código]Nos insetos, a hemocele não é apenas um espaço vazio único, mas é frequentemente compartimentada por membranas finas chamadas de diafragmas. Estes diafragmas dividem a cavidade em seios (ou sinus):
- Seio Pericárdico: A porção dorsal que envolve o coração.
- Seio Perivisceral: A porção central e mais ampla, que envolve o tubo digestivo e outros órgãos principais.
- Seio Perineural: A porção ventral, que envolve o cordão nervoso ventral.
Referências
[editar | editar código]Referências
- 1 2 Ruppert, Edward E.; Fox, Richard S.; Barnes, Robert D. (2005). Zoologia dos Invertebrados: Uma Abordagem Funcional-Evolutiva 7ª ed. São Paulo: Roca. ISBN 978-8572415712
- ↑ Hickman, Cleveland P.; Roberts, Larry S.; Larson, Allan (2004). Princípios Integrados de Zoologia 11ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. ISBN 978-85-277-0868-5