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Literatura

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A Leitora, óleo de Jean-Honoré Fragonard, 1770–1772

Literatura é a arte que usa a linguagem escrita como meio de expressão, seja em prosa ou em verso, de acordo com princípios teóricos e práticos;[1][2] sendo o conjunto de textos escritos ou orais nos quais se reconhece um valor estético.[1][2] O conjunto de características que definem um texto como literário recebe o nome de literariedade e é tema de ávida discussão entre estudiosos. Também são discutidas as categorias que distinguem esses textos entre si, chamadas de gêneros literários.

De maneira geral, em relação aos gêneros, os textos literários podem assumir a forma de poesia, quando valorizam o ritmo, a conotação e as figuras de linguagem, ou a forma de prosa, quando assumem uma linguagem mais simples; além de poderem expressar um conteúdo lírico, quando vazam sentimentos, épico, quando narram histórias lendárias, fictício, quando narram histórias de ficção, dramático, quando são destinados à encenação teatral, ou ensaístico, quando discutem ideias.

Inicialmente apreciado pela filosofia e pela linguística, o fenômeno literário é modernamente estudado pela teoria da literatura. A análise dos textos literários, ainda, fornece material para a crítica literária, que os interpreta e avalia, e a história da literatura, que traça uma linha de evolução histórica entre eles.

A palavra literatura vem do latim litteratura, fazendo referência às letras e se tratando provavelmente de uma tradução do grego grammatikee.[3][4] Denota uma instrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, e se relaciona com as técnicas da gramática, da retórica, da estilística e da poética.[5][6][7] Um dominador dessa arte era chamador litterator.[8]

A partir da segunda metade do século XVIII, com autores como Diderot, a literatura passou a ser concebida como uma arte que se realiza por meio de textos e como o conjunto desses textos,[9] um conceito que antes era referido por palavras como poesia, eloquência, verso e prosa, entre outras.[10]

A maioria dos autores, ainda, considera como literatura apenas as manifestações em linguagem escrita, excluindo da abrangência do termo expressões como a literatura oral.[11][12] Considera, também, que a literatura, enquanto arte, veicula apenas e necessariamente conteúdos subjetivos, mesmo quando inspirada por fatos objetivos.[13][14]

O termo literatura também costuma ser usado para se referir a um conjunto de obras escritas, sejam elas impressas ou digitais (ou seja, como sinônimo de bibliografia).[15][16][17][18] Também é usado como referência a um conjunto escolhido de textos, por exemplo a literatura portuguesa, a literatura inglesa, a literatura brasileira, a literatura japonesa, etc.[5][19][20]

Literariedade

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O produto da literatura é um texto, chamado genericamente de texto literário.[21] O conjunto das características que distinguem os textos literários de outros tipos de textos recebe o nome de literariedade, termo cunhado pelo linguista Roman Jakobson.[22] Entender o funcionamento da literariedade é um dos principais trabalhos da teoria literária moderna,[23] ainda que a distinção entre textos literários e não-literários venha sendo trabalhada mais ou menos desde a escola pitagórica (linguagem "nua" e linguagem "ornamentada").[24]

Os autores do formalismo russo entenderam a literariedade como uma função da linguagem verbal[25]. Para Viktor Chklovsky, os textos literários produzem um efeito de estranhamento no leitor por conta da maneira excepcional com que trabalham a linguagem.[26] Para Roman Jakobson, os textos literários garantem plurissignificação e uma finalidade em si mesmos ao empregarem a função poética da linguagem (reiteração de sons e sílabas, paralelismos etc.), embora reconheça que tal função também seja empregada em outros tipos de textos.[27][28]

Os autores do estruturalismo procuraram entender a literariedade de acordo com princípios semióticos. Para escritores como Svend Johansen e Roland Barthes, a marca central da literariedade é a conotação, porque a literatura é como um signo cujo significante é uma língua natural.[29] Para Yuri Lotman e outros teóricos da Escola Semiótica de Tartu-Moscou, a literatura é um sistema modelizante secundário, isto é, um sistema semiótico com regras próprias (esquemas métricos, estilísticos, retóricos etc.) subordinado à uma língua natural.[30]

Alguns autores modernos, geralmente ligados ao pensamento pós-estruturalista, defendem que as características da literariedade variam de acordo com as ideologias, com a história e com a sociedade;[31] sendo que um determinado texto pode ser considerado como literário para uma determinada cultura e para outra não.[32] Alguns ainda questionam o conceito de literariedade, afirmando que não há características presentes em todas as obras literárias e apenas nelas[33] e que a determinação de um texto como literário é resultado do processo de leitura, e não das características formais desse texto.[34] Esses apontamentos, no entanto, são considerados como inconsistentes por alguns autores.[35]

Gêneros literários

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Um gênero literário é uma categoria que distingue um texto literário de outros, a partir de suas características em comum.[36][37] O estabelecimento de tais divisões remonta à Platão e Aristóteles, assumiu grande importância a partir do Neoclassicismo e, embora questionado a partir do Romantismo, sua existência é considerada hoje como um fenômeno natural dentro de qualquer literatura.[38][39]

Alguns autores consideram um esquema de dois gêneros literários: a poesia e a prosa.[40] Outros, um esquema de três, derivado de Platão: o lírico, o narrativo e o dramático;[41] sendo que alguns o estendem para uma versão de cinco: o lírico, o épico, o de ficção, o dramático e o ensaístico.[42] Frequentemente, ambos os esquemas se cruzam, formando expressões como poesia lírica,[43] poesia épica,[44] entre outras.

O estabelecimento de gêneros literários vem sendo feito desde a Antiguidade[45] e assumiu grande importância durante o Neoclassicismo, que encarou-os como entidades rigidamente definidas que orientavam a produção literária;[46] mas foi questionado a partir do Romantismo, que postulava a obra artística como uma entidade autônoma, fruto de uma individualidade criadora que formulava suas próprias leis estéticas.[47] Ferdinand Brunetière concebeu os gêneros literários como organismos que se desenvolvem e se transformam dentro de uma cultura, enquanto Benedetto Croce rejeitou assiduamente o conceito de gênero, encarando-o como uma simples designação externa.[48] A maioria dos autores modernos, de maneira geral, concorrem para a aceitação de que os gêneros literários são fenômenos naturais dentro de uma cultura, dado que os escritores, por viverem uma mesma realidade, produzem obras com características semelhantes entre si.[49] A questão dos gêneros ainda vem sendo analisada sob diferentes prismas por vários autores, como Roman Jakobson, Northrop Frye e György Lukács.[50]

Poesia e prosa

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A poesia é a expressão literária que valoriza a musicalidade, a conotação e as figuras de linguagem.[51][52] Os textos escritos sob esse gênero recebem genericamente o nome de poema e são geralmente escritos em versos.[53][54]

A prosa, por sua vez, é a expressão literária marcada pela linguagem simples, pouco figurada e sem musicalidade; sendo que o mesmo nome é dado à forma de se escrever em linhas corridas e organizadas em parágrafos[55].

Geralmente, a oposição entre poesia e prosa é identificada com a oposição entre texto versificado e texto não versificado,[56] mas muitos autores rejeitam essa definição, alegando que a diferença entre ambos os gêneros diz respeito ao conteúdo e não ao jeito de se escrever o texto.[57] Além disso, um poema pode muito bem ser escrito em prosa, formando o chamado poema em prosa,[58] bem como um texto prosaico pode assumir características poéticas, formando a chamada prosa poética.[59]

Gênero lírico

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O gênero lírico ou poesia lírica diz respeito aos textos literários que procuram vazar sentimentos, percepções e vivências individuais.[43][60][61] Necessariamente, se exprime por meio de linguagem poética.[62] Seu texto é geralmente curto[63][64] e focado no tempo presente.[65][66] Pode se concretizar sob diversas formas, como o soneto, a ode, a balada, o haiku, a trova, a elegia etc.[67]

Gênero narrativo

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O gênero narrativo diz respeito aos textos onde um narrador conta uma história.[68] Possui duas variações: o épico e a ficção.

O gênero épico ou poesia épica diz respeito aos textos literários que narram histórias lendárias, como mitos e feitos de grandes heróis.[44][69] Normalmente, é identificada com a epopeia, um longo poema que narra uma história lendária, a exemplo da Ilíada e da Odisseia de Homero ou d'Os Lusíadas de Camões.[69] No entanto, autores modernos defendem que o gênero não precisa, necessariamente, se apresentar sob forma poética,[70] e poetas modernos, como Fernando Pessoa no seu livro Mensagem, vêm há tempos trabalhando o gênero épico sob formas tradicionalmente líricas.[71]

O gênero de ficção ou prosa literária diz respeito aos textos literários que narram histórias fictícias.[72][55] Manifesta-se, principalmente, sob forma prosaica[73] por meio do conto, da novela e do romance.[74] Muitos autores enxergam esse gênero como uma evolução ou substituição do gênero épico, dado que ele se desenvolveu durante o Romantismo e se tornou o principal gênero narrativo moderno.[75]

Gênero dramático

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O gênero dramático ou drama diz respeito aos textos literários voltados para a encenação teatral[76], compostos por diálogos e didascálias (indicações cênicas).[77] Manifesta-se em uma variedade de formas, sendo as principais a comédia e a tragédia, e todas as outras, variações dessas duas (tragicomédia, farsa, auto etc.).[78] Alguns autores consideram esse gênero como parcialmente literário, por ser feito para ser representado e não lido.[79]

Gênero ensaístico

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O gênero ensaístico ou prosa ensaística diz respeito aos textos literários que discutem ideias e fatos diretamente, como ensaios, cartas, crônicas, diário, aforismos etc.[80] Muitos autores não consideram esse gênero como literário.[81]

Os primeiros autores a se debruçarem sobre o tema da literatura foram Aristófanes e Platão (em trabalhos como Íon e Fedro), e o primeiro livro a discuti-lo sistemática e especificamente foi a Poética de Aristóteles.[82] Desde então, a literatura foi tema de variadas doutrinas teóricas e filosóficas até que, com o tempo, passou a ser trabalhada por campos de estudo específicos, como a teoria da literatura, a análise literária, a crítica literária e a história da literatura.

Teoria da literatura

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A teoria da literatura ou teoria literária é a disciplina que estuda o fenômeno literário, se debruçando sobre os problemas gerais do conceito, os gêneros literários, os métodos de estudo literário etc.[83] As primeiras correntes foram o formalismo russo, a neocrítica e a estilística, que surgiram no início do século XX procurando estudar a literatura enquanto literatura.[23]

Análise literária

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A análise literária é o desmembramento e a sintetização de um texto literário, com o objetivo de compreender a sua forma e o seu conteúdo.[84] Oferece material para criticar esse texto[85] e situá-lo historicamente dentro de uma literatura.[86]

Crítica literária

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A crítica literária é a disciplina que interpreta e julga um texto literário ou uma literatura a partir da sua análise e avaliação.[87] Os primeiros trabalhos do gênero remontam a Platão e Aristóteles e desenvolvem-se com os neoclássicos e românticos, até que a disciplina moderna surge na segunda metade do século XIX, a partir do trabalho de Sainte-Beuve.[88]

História da literatura

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A história da literatura ou historiografia literária é a disciplina que estuda a evolução de uma literatura. Surge, modernamente, com o trabalho de Johann Gottfried von Herder, que entendeu-a como o estudo da evolução das ideias e dos fenômenos literários dentro de uma cultura, e não apenas como o registro de seus grandes autores.[89]

Referências

  1. 1 2 Aulete, Caldas; Geiger, Paulo (2011). «Literatura». Novíssimo Aulete: dicionário contemporâneo da língua portuguesa. Col: Obras de referência. Rio de Janeiro: Lexikon. p. 862. ISBN 978-85-86368-75-2. OCLC 843013718. Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2024. 1. Liter. Arte que usa a linguagem escrita como meio de expressão. 2. Teoria ou estudo da composição literária. 3. Conjunto da produção literária de um país, de uma época etc. (literatura francesa).
  2. 1 2 Borba, Francisco S. (2011). «Literatura». Dicionário UNESP do português contemporâneo 1ª ed. Curitiba: Piá Ltda. p. 849. ISBN 978-85-64474-00-0. [Ab] 1. arte de compor ou escrever trabalhos em prosa ou verso com o objetivo de atingir a sensibilidade ou a emoção do leitor ou do ouvinte: As cartas perdidas podiam ser obras-primas de Literatura. 2. disciplina que tem por tema as obras ou os autores literários: Fernando foi professor de Literatura. 3. atividade literária: Teve de abandonar a literatura para ganhar algum dinheiro. [Co] 4. conjunto de obras literárias: Passou em revista a literatura brasileira. 5. conjunto de obras escritas sobre determinado assunto; bibliografia: 'A pesquisa está na fase de revisão da literatura. Nas acepções 1 e 2 grafa-se com inicial maiúscula.
  3. Torrinha, Francisco (1983) [1937]. «Litteratura». Dicionário Latino Português. Porto, Portugal: Gráficos Reunidos Ltda. p. 483. Litteratura, ae [litterae], f. 1. Ciência relativa às letras, arte de escrever e ler. 2. Instrução ; ciência ; saber.
  4. Harper, Douglas. «Grammar (n.)». Online Etymological Dictionary (em inglês). Consultado em 12 de junho de 2024. Cópia arquivada em 9 de março de 2013
  5. 1 2 Ribeiro, Débora. «Literatura». Dicio, Dicionário Online de Português. Consultado em 12 de junho de 2024. Cópia arquivada em 15 de novembro de 2025
  6. Denyer, Monique (25 de janeiro de 2024). «La grammaire, lit de la stylistique». Éditions Maison des Langues (EMDL) (em francês). Consultado em 12 de junho de 2024. Cópia arquivada em 11 de abril de 2025
  7. Chalard, Reynald André (17 de fevereiro de 2022). «Grammaire et Littérature : du «problématique» et du «mystérieux » dans la langue littéraire...». Les Lettres en Hypokhâgne – Lycée Pierre d’Ailly (em francês). Compiègne. Consultado em 12 de junho de 2024. Cópia arquivada em 11 de abril de 2025
  8. Torrinha, Francisco (1983) [1937]. «Litterator». Dicionário Latino Português. Porto, Portugal: Gráficos Reunidos Ltda. p. 483. Litterator, oris [id.], m. 1. Um sábio. 2. Homem com alguma instrução. 3. Mestre de gramática ; mestre escola.
  9. Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. pp. 4–6. ISBN 978-9724004228. Na segunda metade do século XVIII, o lexema literatura apresenta uma profunda evolução semântica, em estreita conexão com as transformações da cultura europeia nesse período histórico. [...] Num texto de Diderot escrito em 1751[...] literatura é uma arte e é também o conjunto das manifestações dessa arte, isto é, um conjunto de textos que se singulariza pela presença de determinados valores estéticos (le beau littéraire).
  10. Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. p. 3. ISBN 978-9724004228. Anteriormente à segunda metade do século XVIII, quando se pretende denominar a arte e o corpus textual que actualmente designamos por literatura, são utilizados lexemas e sintagmas como poesia, eloquência, verso e prosa, etc.
  11. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 6. ISBN 9788531611810. Desde as origens, a Literatura subordinou-se à letra escrita e depois impressa.Tal aspecto nos conduz ao problema da chamada literatura oral: na verdade, somente procede falar em obra literária quando possuímos documentos escritos ou impressos. [...] Antes da existência do documento escrito ou impresso, toda obra no gênero ainda não constitui arte literária, a não ser embrionária ou virtualmente, e pertence mais ao folclore, à antropologia, etc., que aos estudos literários.
  12. Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. pp. 137–138. ISBN 978-9724004228. Em estrito rigor, tendo em consideração o significado originário dos seus constituintes sémicos, o sintagma "literatura escrita" é formado por sememas redundantes e o sintagma "literatura oral" é formado por sememas conflituantes entre si, constituindo uma contradictio in terminis. [...] Com efeito, o sistema semiótica da literatura oral diferencia-se do sistema semiótico da literatura escrita, não apenas pelo facto de ser defectivo em relação a um código grafemático, mas sobretudo porque comporta sinais e códigos diferentes e porque o seu funcionamento, no que diz respeito à produção, à estruturação e à recepção do texto, é diverso em comparação com o funcionamento do sistema semiótico da literatura escrita.
  13. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. pp. 20–21. ISBN 9788531611810. a linguagem literária desenvolve-se como uma constelação de signos carregada de enorme taxa de subjetividade. [...] Não significa que a realidade concreta esteja impedida de ser matéria de poesia, mas que se coaduna com o universo poético apenas quando obedece às leis da poesia, ou seja, quando a óptica permanece a do sujeito.
  14. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 24. ISBN 9788532637475. A literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista [...] Os fatos que lhes deram às vezes origem perderam a realidade primitiva e adquiriram outra, graças à imaginação do artista. São agora fatos de outra natureza, diferentes dos fatos naturais objetivados pela ciência ou pela história ou pelo social.
  15. Vuillemin, Alain (janeiro de 1996). «L'informatique dans les études littéraires». Academia.edu. Révue de l'EPI (em francês): 179-187. Consultado em 12 de junho de 2024. Cópia arquivada em 11 de abril de 2025
  16. Bootz, Philippe (março de 1996). «La littérature informatique : une metamorphose de la littérature» (PDF). Université de Lille III. Révue de l'EPI (em francês) (81): 171-180. Consultado em 12 de junho de 2024. Cópia arquivada (PDF) em 31 de maio de 2025
  17. Caldas, Aulete. «Significado de literatura». Dicionário Caldas Aulete, Dicionário Online. Consultado em 12 de junho de 2024. Cópia arquivada em 21 de dezembro de 2025
  18. Borba, Francisco S. (2011). «Literatura». Dicionário UNESP do português contemporâneo 1ª ed. Curitiba: Piá Ltda. p. 849. ISBN 978-85-64474-00-0. 5. conjunto de obras escritas sobre determinado assunto; bibliografia: 'A pesquisa está na fase de revisão da literatura.
  19. Borba, Francisco S. (2011). «Literatura». Dicionário UNESP do português contemporâneo 1ª ed. Curitiba: Piá Ltda. p. 849. ISBN 978-85-64474-00-0. 4. conjunto de obras literárias: Passou em revista a literatura brasileira.
  20. Aulete, Caldas; Geiger, Paulo (2011). «Literatura». Novíssimo Aulete: dicionário contemporâneo da língua portuguesa. Col: Obras de referência. Rio de Janeiro: Lexikon. p. 862. ISBN 978-85-86368-75-2. OCLC 843013718. Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2024. 3. Conjunto da produção literária de um país, de uma época etc. (literatura francesa).
  21. Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. pp. 574–575. ISBN 978-9724004228. O texto literário constitui uma unidade semântica, dotada de uma certa intencionalidade pragmática, que um emissor/autor realiza através de um acto de enunciação regulado pelas normas e convenções do sistema semiótico literário e que os seus receptores/leitores decodificam, utilizadno códigos apropriados.
  22. Jakobson, Roman (1977). Huit questions de poétique. Paris: Éditions du Seuil. p. 16. ISBN 2-02-004680-6. Ainsi, l’objet de la science de la littérature n ’est pas la littérature mais la littérarité, c’est-à-dire ce qui fait d ’une œuvre donnée une œuvre littéraire.
  23. 1 2 Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. p. 15. ISBN 978-9724004228. os três mais influentes e mais fecundos movimentos de teoria e crítica literárias da primeira metade do século actual — o formalismo russo, o new criticism anglo-norte-americano e a estilística — coincidem no reconhecimento da necessidade urgente, metodologicamente prioritária, de estabelecer com rigor um conceito de literatura qua literatura, isto é, enquanto fenómeno estético específico. Tácita ou explicitamente, proponham, ou não, taxativas definições de literatura, o formalismo russo, o new criticism e a estilística advogam o princípio de que os textos literários possuem caracteres estruturais peculiares que os diferenciam inequivocamente dos textos não-literários, daí procedendo a viabilidade e a legitimidade de uma definição referencial de literatura.
  24. Florescu, Vasile (1971). La retorica nel suo sviluppo storico. Bologna: Il Mulino. pp. 39–40
  25. Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. pp. 47–48. ISBN 978-9724004228. No seio do formalismo russo, constituiu-se uma teoria explicativa da literariedade que estava destinada a conhecer uma fortuna excepcional nos estudos literários contemporâneos: a linguagem literária seria o resultado, o produto de uma função específica da linguagem verbal.
  26. Chklóvski, Victor; Todorov, Tzvetan (2014). «A arte como procedimento». Teoria da literatura: textos dos formalistas russos. São Paulo: Editora Unesp. pp. 83–109. ISBN 978-8539304967
  27. Fiorin, José Luiz (2022). Introdução à linguística. I. Objetos teóricos. São Paulo: Contexto. pp. 39–40. ISBN 9788572441926. os textos com função poética empregam procedimentos no plano da expressão, sobretudo as diferentes formas de reiteração de sons (traços dos fonemas, sílabas, ritmos, entoações etc). Jakobson diz que a função poética projeta o princípio da equivalência do eixo de seleção sobre o eixo de combinação. [...] Jakobson insiste, com razão, que a função poética não ocorre apenas na poesia, em que, sem dúvida, é a função dominante, ou na literatura. Na fala do dia a dia, na publicidade, em textos de jornal ou religiosos, entre outros, ela também é, com frequência, usada, embora, esteja muitas vezes subordinada a outras funções da linguagem.
  28. Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. pp. 62–63. ISBN 978-9724004228. a mensagem poética, enquanto organização formal, enquanto textura de significantes («o lado palpável dos sinais») — jogo de ritmos, aliterações, eufonias, rede de paralelismos, anáforas etc. —, constitui-se em finalidade de si mesma. [...] Esta projeção de similaridade na contiguidade gera uma «propriedade intrínseca, inalienável» de toda poesia — a ambiguidade, a plurissignificação
  29. Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Cultrix: Almedina. p. 85. ISBN 978-9724004228. Svend Johansen foi o pioneiro na tentativa de aplicar o conceito glossemático de signo ao domínio da estético e o fulcro da sua teoria consiste no estabelecimento da equivalência do signo conotativo com o signo estético. Posteriormente, sobretudo após a publicação dos Éléments de sémiologie (1964) de Roland Barthes, diversos autores, invocando Hjelmslev, começaram a definir e a caracterizar a "linguagem literária" como uma semiótica conotativa, visto que o seu plano de expressão é constituído por uma semiótica denotativa (uma língua natural).
  30. Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. pp. 94–96. ISBN 978-9724004228. os semioticistas soviéticos [...] concebem as línguas naturais commo sistemas modelizantes primários e os sistemas semióticos culturais (arte, religião, mito, folclore, etc.), que se instituem, se organizam e desenvolvem sobre os sistemas modelizantes primários, como sistemas modelizantes secundários. [...] Construindo-se sobre a língua natural, só podendo existir e desenvolver-se em indissolúvel interacção com a expressão e o conteúdo da língua natural, «a literatura tem um sistema seu de signos e de regras para a sintaxe de tais signos, sistema que lhe é próprio e que lhe serve para transmitir comunicações peculiares, não transmissíveis com outros meios.»
  31. Saraiva, António José; Lopes, Óscar (1996). História da Literatura Portuguesa. 17.ª ed. Porto: Porto Editora. pp. 13–18
  32. Aguiar e Silva, Vìtor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. pp. 30–32. ISBN 978-9724004228. A heterogeneidade da literatura não se observa, todavia, apenas no plano diacrónico: manifesta-se igualmente no plano sincrónico, em conexão com factores variáveis de natureza sociocultural, ideológica e pragmática
  33. Todorov, Tzvetan (1973). «The notion of literature». The Johns Hopkins University Press. New Literary History. V (1): 15-16. Não existe nenhum denominador comum para todas as produções "literárias", a não ser o uso da linguagem.
  34. Searle, John R. (1975). «The logical status of fictional discourses». The Johns Hopkins University Press. New Literary History. VI (2): 320. Literatura é o nome de um conjunto de atitudes que adotamos em relação a um trecho de discurso, não o nome de uma propriedade interna de um trecho de discurso.
  35. Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. p. 39. ISBN 978-9724004228. Em suma, as objecções e as dúvidas sobre a possibilidade de uma definição referencial de literatura são pertinentes sob vários aspectos, obrigam a reexaminar com novo rigor soluções teóricas rotineiras, mas revelam-se também, nalguns pontos muito importantes, mal fundamentadas, teoricamente inconsistentes e empiricamente refutáveis.
  36. Aulete, Caldas; Geiger, Paulo (2011). «gênero». Novíssimo Aulete: dicionário contemporâneo da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon. p. 705. ISBN 9788586368752. 6. Liter. Categoria distintiva do tipo de composição literária: O romance é um gênero literário; a poesia, outro.
  37. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 41. ISBN 9788531611810. Na esfera literária, designa famílias de obras dotadas de atributos semelhantes.
  38. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. pp. 34–41. ISBN 9788532637475
  39. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 43. ISBN 9788531611810. Imaginemos vários escritores, em tempos remotos, a exprimir, por meio de palavras, os conteúdos da sua imaginação, com o fito de criar beleza e de ensinar. Supondo que ascendessem a centenas os volumes publicados, não haveria entre eles sinais de igualdade ou semelhança? Parece óbvio admitir que sim. Ora, tal igualdade ou semelhança corresponderia ao despontar do gênero, ou, pelo menos, ao início da sua formação. Por outros termos: descobertos, nas obras, os traços de similitude, o passo seguinte seria classificá-las em famílias, o que já constituiria a tomada de consciência dos gêneros.
  40. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 56. ISBN 9788531611810
  41. Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. pp. 340–351. ISBN 978-9724004228. Platão lança os fundamentos de uma divisão tripartida dos géneros literários, distinguindo e identificando o género imitativo ou mimético, em que se incluem a tragédia e a comédia, o género narrativo puro, prevalentemente representado pelo ditirambo, e o género misto, no qual avulta a epopeia. [...] A classificação tripartida dos géneros literários adquiriu o estatuto de uma verdade inquestionável, mas apresentando progressivamente uma modificação, relativamente ao esquema taxinómico de Diomedes, de capital importância e destinada a duradoura fortuna: a inclusão da lírica no sistema dos géneros literários, ao lado do drama e da narrativa.
  42. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 42. ISBN 9788532637475
  43. 1 2 Aulete, Caldas; Geiger, Paulo (2011). «poesia». Novíssimo Aulete: dicionário contemporâneo da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon. p. 1079. ISBN 9788586368752. ~ lírica Liter. Gênero poético de expressão subjetiva dos sentimentos do poeta em relação a emoções, vivências, o mundo etc.
  44. 1 2 Aulete, Caldas; Geiger, Paulo (2011). «poesia». Novíssimo Aulete: dicionário contemporâneo da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon. p. 1079. ISBN 9788586368752. ~ épica Liter. Narração em verso das proezas (esp. as guerreiras) de grandes heróis
  45. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 34. ISBN 9788532637475
  46. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 36. ISBN 9788532637475. Para as teorias neoclássicas dos séculos XVII e XVIII, os gêneros oferecem as seguintes características: são entidades abstratas, organismos limitados e fechados uns aos outros; permanecem fixos; são puros, concentram-se numa só emoção e não se misturam quanto às qualidades; cada obra pertence a um gênero diferente; obedecem a uma hierarquia, havendo gêneros nobres e gêneros inferiores, não somente de acordo com o valor estético, senão também relativamente à categoria social (tragédia para os reis, comédia para a classe média etc.).
  47. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 37. ISBN 9788532637475. A doutrina romântica a respeito dos gêneros estabeleceu, à base do conceito de literatura como produto exclusivo da individualidade criadora e da inspiração subjetiva, a tese da individualidade da obra literária como organismo autônomo, criadora de suas próprias leis e razão de ser, de sua forma específica, uma para cada obra.
  48. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. pp. 37–38. ISBN 9788532637475
  49. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 43. ISBN 9788531611810. Imaginemos vários escritores, em tempos remotos, a exprimir, por meio de palavras, os conteúdos da sua imaginação, com o fito de criar beleza e de ensinar. Supondo que ascendessem a centenas os volumes publicados, não haveria entre eles sinais de igualdade ou semelhança? Parece óbvio admitir que sim. Ora, tal igualdade ou semelhança corresponderia ao despontar do gênero, ou, pelo menos, ao início da sua formação. Por outros termos: descobertos, nas obras, os traços de similitude, o passo seguinte seria classificá-las em famílias, o que já constituiria a tomada de consciência dos gêneros.
  50. Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. pp. 369–385. ISBN 978-9724004228
  51. Aulete, Caldas; Geiger, Paulo (2011). «poesia». Novíssimo Aulete: dicionário contemporâneo da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon. p. 1079. ISBN 9788586368752. 1. Liter. Forma de expressão artística por meio de uma linguagem em que se empregam, segundo certas regras, sons, palavras, estruturas sintáticas etc.
  52. Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda (1975). «poesia». Novo dicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Arte de criar imagens, de sugerir emoções por meio de uma linguagem em que se combinam sons, ritmos e significados
  53. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 82. ISBN 9788532637475. A palavra poema é, desde que adotada por Alfred de Vigny, no século XIX, a forma que encorpa a poesia lírica (não obstante se denominar a epopeia um "poema épico", e se poder encontrar lirismo em outros gêneros, como a ficção e o drama)
  54. Aulete, Caldas; Geiger, Paulo (2011). «poema». Novíssimo Aulete dicionário contemporâneo da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon. p. 1079. ISBN 9788586368752. 1. Texto literário escrito em verso
  55. 1 2 Aulete, Caldas; Geiger, Paulo (2011). «prosa». Novíssimo Aulete: dicionário contemporâneo da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon. p. 1120. ISBN 9788586368752. 1. Liter. Narrativa ficcional, em oposição a verso, composta sem forma métrica, sem verso(s): Assinou o artigo em prosa para o jornal 2. Modo de falar ou de escrever segundo o hábito e uso natural da vida; facilidade em falar
  56. Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. p. 590-591. ISBN 978-9724004228. Esta oposição entre poesia e prosa, colocada num plano técnico, formal e semântico, e liberta dos liames idealistas que tão frequentemente a têm obscurecido, identifica-se com a oposição versificado / não versificado
  57. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 61. ISBN 9788531611810. A um tipo de expressão literária, damos o nome de verso, e o seu oposto, chamamos prosa. A um tipo de conteúdo literário damos o nome de poesia, e o seu pendant (não necessariamente oposto), à falta de um apelativo apropriado, denominamos prosa.
  58. Aulete, Caldas; Geiger, Paulo (2011). «poema». Novíssimo Aulete: dicionário contemporâneo da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon. p. 1079. ISBN 9788586368752. ~ em prosa Liter. Obra literária de temática e tratamento típico da poesia, mas escrita em prosa
  59. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 554. ISBN 9788531611810. Divisando a prosa poética de forma genérica, pode-se dizer que qualquer texto em prosa, ao sofrer o impacto da poesia, se enquadra nessa categoria.
  60. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 81. ISBN 9788532637475. Entre os gêneros literários, o lírico, lirismo, também chamado poesia lírica, ou simplesmente poesia (na linguagem corrente moderna), é a forma literária em que o artista utiliza uma série de meios intermediários — os artifícios líricos — para traduzir a sua visão da realidade e veiculá-la ao leitor.
  61. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 194. ISBN 9788531611810. compreende-se que a poesia lírica possa conceituar-se como a poesia do "eu", poesia da confissão ou poesia da emoção.
  62. Aguiar e Silva, Vítor Manuel (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. p. 591. ISBN 978-9724004228. O verso constitui o elemento distintivo do texto poético e, com exclusão dos textos líricos em prosa integráveis em subgéneros como os mencionados atrás, constitui elemento necessário da forma da expressão do texto lírico.
  63. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 196. ISBN 9788531611810. Compreende-se que o poema lírico ostente no geral curta dimensão, a ponto de o mesmo autor asseverar que "a brevidade é a característica essencial do lírico".
  64. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 83. ISBN 9788532637475. O poema resulta primeiramente de um trabalho artístico procedido sobre uma confidência ou sentimento, selecionando os elementos mais significativos e eliminando os indiferentes, de modo a obter uma condensação máxima, pois a primeira característica do poema lírico é a brevidade. A emoção deve ser reduzida à sua essência e unidade, sem parasitismos estranhos.
  65. Silva, Vítor Manuel Aguiar e (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. p. 586. ISBN 978-9724004228. Estes caracteres fundamentais do texto lírico estão directamente relacionados com o caráter estático do modo lírico, em contraste com o caráter dinâmico do modo narrativo e do modo dramático. Com efeito, o fluir da temporalidade, em que se inserem as personagens e os acontecimentos dos textos narrativos e dramáticos, é alheio ao universo lírico: o poeta como que se imobiliza, enquanto instância do discurso, sobre uma ideia, uma emoção, uma sensação, etc., não se ocupando do circunstancialismo genérico, do encadeamento causal do cronológico desses estados de subjectividade.
  66. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 195. ISBN 9788531611810. Restaria acrescentar uma reflexão em torno do tempo verbal empregado pela poesia lírica; como a mais simples experiência pode evidenciar, predomina o presente, ainda quando o tempo referido seja o passado ou mesmo o futuro.
  67. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 56. ISBN 9788531611810. As principais formas da poesia lírica são as seguintes: o soneto, a ode, a canção, o rondel, o triolé, o rondó, a balada, a elegia, o vilancete, etc.
  68. Silva, Vítor Manuel Aguiar (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. p. 599. ISBN 9789724004228. O texto narrativo literário caracteriza-se fundamentalmente pelo seu "radical de apresentação" — um narrador, explicitamente individuado ou reduzido ao "grau zero" de individuação, funciona em todos os textos narrativos como a instância enunciadora que conta uma "história" — e por relatar uma sequência de eventos ficcionais, originados ou sofridos por agentes ficcionais, antropomórficos ou não, individuais ou coletivos, situando-se tais eventos e tais agentes no espaço de um mundo possível.
  69. 1 2 Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 73. ISBN 9788532637475. define-se a epopeia como uma composição literária de natureza narrativa, com acontecimentos em que se misturam fatos comuns, lendas e mitos, heróis e deuses, numa atmosfera de maravilhoso.
  70. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Vozes: Vozes. p. 73. ISBN 9788532637475. É que a essência da epopeia não é aparecer em verso ou prosa, mas ser uma narrativa, de caráter heroico, diversamente da ficção, que é narrativa de cunho não heroico envolvendo fatos e pessoas da vida comum e média.
  71. Tutikian, Jane (2019). «Sobre Mensagem». Mensagem. Porto Alegre: L&PM. pp. 22–29. ISBN 9788525415158
  72. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 49. ISBN 9788532637475. Literatura de ficção é aquela que contém uma estória inventada ou fingida, fictícia, imaginada, resultado de uma invenção imaginativa, com ou sem intenção de enganar.
  73. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 82. ISBN 9788531611810. Da mesma forma que a linha descontínua tem sido considerada própria da linguagem poética, assim também a linha contínua adapta-se mais à prosa.
  74. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 50. ISBN 9788532637475. Em literatura, portanto, a ficção é um tipo de gênero narrativo e é empregado o termo para designar o romance, a novela, o conto, embora outras formas possuam qualidades da ficção: a fábula, a parábola, os contos e lendas folclóricos, e mesmo o drama.
  75. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 251. ISBN 9788531611810
  76. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 95. ISBN 9788532637475. O gênero dramático é aquele em que o artista usa como intermediário entre si e o público a representação. [...] O teatro é o local onde se desempenha o gênero dramático, daí também se chamar a arte de representar e a coleção de obras dramáticas de uma literatura ou autor.
  77. Silva, Vítor Manuel Aguiar e (2004). Teoria da literatura. Coimbra: Almedina. p. 605. ISBN 978-9724004228. O texto dramático caracteriza-se estruturalmente por ser constituído por um texto principal, isto é, pelas réplicas, pelos actos linguísticos realizados pelas personagens que comunicam entre si [...], e por um texto secundário, formado pelas didascálias ou indicações cénicas.
  78. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 97. ISBN 9788532637475. O gênero dramático é dividido em duas grandes variedades — a tragédia e a comédia — com numerosos subtipos; a tragicomédia, o drama, o melodrama, a farsa, o auto e os mistérios, sem falar nas composições poético-musicais (ópera, opereta, revista, vaudeville).
  79. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 24. ISBN 9788531611810. quanto ao teatro, a questão é menos clara: mas nem por isso abala o conceito de Literatura que vimos discutindo: o teatro só interessa à Literatura, só é Literatura, como texto escrito, não como obra representada. Mas todos sabem que o teatro só o é quando no palco, pois no papel, uma peça ainda não é teatro, embora manifeste atributos específicos como a representabilidade.
  80. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 99. ISBN 9788532637475. há um grupo de formas literárias que resultam de uma explanação direta dos pontos de vista do autor, dirigindo-se em seu próprio nome ao leitor ou ouvinte, sem qualquer artifício intermediário. O autor dirige-se ao leitor ou ouvinte valendo-se do método direto, ao invés do indireto, que usou nos demais gêneros (ficção, drama, lirismo).Estes tipos que resultam dessa operação podem ser: o ensaio, a crônica, o discurso e o sermão, a carta, as memórias, o diário, as máximas. São gêneros ensaísticos ou discursivos, como aqui são concebidos e englobados.
  81. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. p. 595. ISBN 9788531611810
  82. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. p. 34. ISBN 9788532637475
  83. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. pp. 16–17. ISBN 9788532637475. a) Como disciplina autônoma, independente da história e da ciência da linguagem, a Teoria Literária tem por finalidade o estudo do fenômeno literário em si e de seus problemas fundamentais, e a metodologia da pesquisa literária; b) Visa ao estudo dos problemas gerais e propedêuticos da Literatura; métodos da crítica e da história literária; gêneros literários; história das ideias literárias; análise dos estilos em literatura; as técnicas dos diversos gêneros; em suma, todos os problemas técnicos ligados à criação literária;
  84. Moisés, Massaud (2014). A análise literária. São Paulo: Cultrix. pp. 14–15. ISBN 9788531600111. a análise é o desmembramento de um texto coeso, completo, portanto, uma síntese [...], enfim, pesquisa a teia dos significantes e a dos significados, visando oferecer dados seguros para a melhor avaliação e julgamento do texto.
  85. Moisés, Massaud (2014). A análise literária. São Paulo: Cultrix. pp. 18–19. ISBN 9788531600111. pode-se dizer que toda crítica literária, seja de que tipo e método for, pressupõe a análise, 1) ainda quando o crítico não exponha ao leitor a desmontagem que procedeu dos textos literários que interpreta e julga, ela está presente nas suas observações e juízos, como a sua base e ilustração; 2) não a efetue com o lápis na mão, o crítico empreende-a mentalmente; 3) ou ainda quando não se dê conta de que sua postura diante do texto é primeiro analítica e depois crítica, lá está ela no ato de ler e desmembrar, quase que por instinto, o texto em seus principais núcleos. Em suma: criticar sempre implica analisar.
  86. Moisés, Massaud (2014). A análise literária. São Paulo: Cultrix. p. 20. ISBN 9788531600111. impõe-se um paralelo com o crítico literário: ao passo que este se vale da análise textual para alicerçar seus juízos, o historiador literário a utiliza para fazer História, ou seja, descrever as obras, os fatos, os autores, e procurar estabelecer-lhes conexões, profundas ou superficiais, tão-somente elaborando valorações quando interpreta, não os textos em si, bem como os vínculos que os estreitam ao curso do tempo.
  87. Coutinho, Afrânio (2015). Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes. pp. 116, 120. ISBN 9788532637475. A crítica literária tem por meta o estudo da literatura, dos gêneros, mas não é um deles [...] deve caminhar para o estabelecimento de técnicas de pesquisa e análise, e para métodos de interpretação e julgamento, que lhe são específicos e também intransferíveis. [...] O ato crítico completo compreende três etapas: a resposta intuitiva, imediata, ou impressão, gerada no espírito do crítico pelo contato com a obra; a análise e compreensão, em plano racional e intelectivo; a avaliação ou juízo de valor final.
  88. Moisés, Massaud (2012). A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix. pp. 682–688. ISBN 9788531611810
  89. Carpeaux, Otto Maria (2008). História da literatura ocidental. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial. p. 13. O fundador da história literária autônoma é Herder. [...] O registro dos livros é substituído pela história das obras e das ideias.

Bibliografia

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  • COUTINHO, Afrânio dos Santos. Notas de teoria literária. Rio de Janeiro: Vozes, 2015.
  • MOISÉS, Massaud. A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix, 2012.
  • SILVA, Vítor Manuel de Aguiar e. Teoria da literatura. Coimbra: Almedina, 2004.

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