Sudetos

Sudetos ou Sudetas é uma cadeia de montanhas na fronteira entre a Chéquia, a Polônia e a Alemanha. Por metonímia, o termo designa também as populações de etnia germânica dessas regiões, conhecidos como alemães dos Sudetos.
Geografia
[editar | editar código]A cadeia montanhosa dos Sudetos (cuja denominação remonta a Ptolomeu, por volta do ano 150) ocupa uma extensão de 320 quilômetros num eixo noroeste-sudeste, servindo de fronteira natural entre a região polonesa da Silésia e as regiões tchecas da Boêmia e da Morávia. Sua largura varia entre 30 e 45 km e seu ponto culminante atinge 1 602 metros de altitude (monte Sněžka, em tcheco; Schneekoppe em alemão; Śnieżka em polonês, na serra de nome Krkonoše, em tcheco; Riesengebirge em alemão; Karkonosze em polonês).
População
[editar | editar código]Designa-se pela expressão sudetos alemães ou simplesmente sudetos as populações germanófonas que habitavam a Boêmia e a Morávia (respectivamente, Čechy e Morava, em checo), perfazendo algo em torno de 3,2 milhões de indivíduos, os quais representavam, no início do século XX, aproximadamente 36% da população total da Boêmia.
História
[editar | editar código]O nome "Sudetos" (Sudetenland em alemão; Sudety em tcheco e em polonês) não designa uma região histórica da Europa (tal como Boêmia, Morávia e Silésia), de modo que é difícil contar uma única história do local. Apenas a partir do século XX é que se tornou comum usar o termo "Sudetos" para designar as três regiões limítrofes como uma só região, por força da questão dos alemães sudetos.
Antes e durante a Idade Média
[editar | editar código]A região era habitada por tribos celtas até que, a partir do século VI, a região passou a ser ocupada por tribos eslavas que, posteriormente, originariam os tchecos.
Na Idade Média (séculos XII e XIII), os duques da Boêmia convidaram populações de origem germânica para a colonização dessas terras. A convivência pacífica entre os dois povos apenas era entrecortada por conflitos religiosos - não tanto étnicos.
Geopolítica
[editar | editar código]Os sudetos fizeram parte do Sacro Império Romano-Germânico que, assim como todo o Reino da Boêmia, em 1526 caíram sob a tutela da Casa de Habsburgo. De 1815 a 1866, integraram a Liga Alemã, período durante o qual elegeram membros do parlamento que se reuniu na igreja de São Paulo (Paulskirche), em Frankfurt, em 1848.
Da Guerra Austro-prussiana até o fim da Primeira Guerra Mundial, a região fez parte do Império Austro-Húngaro.
Alemães dos Sudetos e o Brasil Império
[editar | editar código]No século XIX, iniciou-se a emigração tcheca ao Brasil, campanha articulada pela Imperatriz do Brasil, a Arquiduquesa do Império Austríaco Dona Leopoldina. Ao longo daquele século, milhares de famílias de alemães dos Sudetos passaram a colonizar o sul brasileiro, a exemplo a bem documentada chegada dos primeiros Lammel, família boêmia originária dos Sudetos, ao sul do Brasil.[1]
Entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial
[editar | editar código]A partir de 1919, os Sudetos passaram a fazer parte da recém-criada Checoslováquia, muito embora antes da formação do novo país os sudetos invocavam o direito à autodeterminação, pleiteando a sua reunião aos demais povos germânicos da Áustria e da Alemanha sob um só Estado. Essa aspiração levou à formação do "Partido Alemão dos Sudetos", em 1933.
Esse partido, que contava com o apoio de Hitler, tinha inicialmente um programa autonomista. Com o passar do tempo, porém, passou a defender a anexação ao Reich, no que contou com o apoio dos nazistas. De outro lado, os partidários da anexação atuaram como quinta coluna alemã, quando da invasão das tropas de Hitler. Porém, é importante ressaltar que nem todos os sudetos apoiavam o governo nazista, havendo inclusive social-democratas que foram obrigados a emigrar para Londres.
Apesar das concessões feitas pelo governo de Praga, Hitler deu um ultimato à Checoslováquia no dia 26 de setembro de 1938, tendo imposto suas pretensões na conferência europeia, que resultou no Acordo de Munique, em 29 e 30 de setembro. O plebiscito previsto no acordo foi atropelado pela ocupação alemã, que ocorreu já no dia seguinte, 1 de outubro, retirando uma área de cerca de Predefinição:Fmttn km2 da Checoslováquia, sem que o Reino Unido e a França reagissem de modo efetivo.
Pós-Segunda Guerra Mundial
[editar | editar código]Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Checoslováquia recuperou o território dos Sudetos, de onde as populações germânicas foram expulsas ou exterminadas em massa, em cumprimento aos "decretos Beneš" (do nome do presidente que os assinou, Edvard Beneš). O êxodo dos Sudetos provoca, até hoje, tensões diplomáticas entre a Alemanha e a Chéquia.
A região é atualmente um destino turístico bastante procurado pelos que desejam fazer caminhadas e praticar esportes de inverno.
Ligações externas
[editar | editar código]- Fotos da região dos Sudetos (em polaco/em polonês)
- Alemães dos Sudetos: cicatrizes abertas da Segunda Guerra Mundial Artigo da emissora de rádio e televisão Voz da Alemanha (Deutsche Welle)
- Checos dispostos a ceder na questão dos alemães dos sudetos Artigo da emissora de rádio e televisão Voz da Alemanha (Deutsche Welle)
- Uma breve história dos Sudetos germânicos Página que conta a história dos Sudetos desde tempos remotos
- ↑ Referido pelos historiadores tchecos Ivo Barteček e Jan Klíma durante o programa Historie.cs entitulado Směr: pampa, exibido na TV aberta da República Tcheca em 18 de novembro de 2017 no canal Česká televize
