Ponte de Mosqueiro, [s.d.] / Acervo
“Foi o coroamento de um projeto iniciado em 1967, quando o Diário Oficial do Estado publicou uma proposta dos estatutos da Meta-Mosqueiro Empreendimentos de Turismo S/A, oficializados no ano seguinte.
A ligação entre o continente e a ilha era aspiração da sociedade belenense desde o fim das viagens em navios que saiam saiam do Terminal Mosqueiro-Soure, anexo ao Armazém 1 do cais do porto da capital (hoje integrando o complexo da Estação das Docas). E a ponte foi a solução - projeto audacioso defendido com ardor pelo vereador Augusto Meira Filho. Engenheiro e historiador dedicado às causas da urbanização e preservação da história de Belém, foi um dos seis cidadãos que lideraram o empreendimento da ponte de Mosqueiro. Além do vereador, assinaram a ata de criação da Meta, em 24/10/1967, Rodolpho Chermont, Edmundo Moura, Radir Amaral, Otávio Pires, Luiz Vitório Bisi.
A ata da criação da Meta foi publicada no Diário Oficial de 23 de maio de 1968. Augusto Meira foi o secretário da Assembleia. Mais de dois terços dos sócios que subscreveram ações da sociedade compareceram ao acontecimento histórico. A diretoria eleita foi integrada por Rodolpho Chermont – presidente; Augusto Meira – superintendente; Expedito Fernandez – diretor administrativo; Edmundo Moura – Tesoureiro, e Luiz Leite – diretor técnico. Um elenco de notáveis da sociedade belenense ocupou o Conselho de Administração e Conselho Fiscal. Destacavam-se: Milton Monte (arquiteto), Roberto Jares Martins (jornalista), Alcir Meira (arquiteto) Otávio Mendonça (advogado), Sílvio Meira Meira (advogado), Manoel Dias Ferreira (médico), Otávio Melo (advogado).
Cada membro da diretoria recebeu honorário simbólico, no valor de um cruzeiro novo, ‘visto tratar-se de um serviço da comunidade’, registrou a ata. O capital autorizado da S/A foi de seis milhões de cruzeiros novos. No ato de constituição da empresa foi subscrito o valor de cem mil cruzeiros novos, realizados da seguinte forma: 10% imediatamente e 90% em 36 parcelas.
O objeto principal da Meta foi ‘construir e explorar a Ponte Belém-Mosqueiro na união das estradas PA-17 (no continente) e BL-19 (na ilha) e, subsidiariamente, executar outros empreendimentos atinentes a sua denominação’ – em outras palavras, empreendimentos turísticos na ilha, o que não aconteceu.
Aos acionistas ‘em pleno gozo de seus direitos’, foi garantido o direito de passar pela ponte, com seus veículos de passeio, gratuitamente. A ponte substituiu as balsas na travessia do Furo das Marinhas. Porém, nunca se cobrou pedágio na ponte (…)”
- Nélio Palheta - Criação da empresa que construiu a ponte de Mosqueiro. IN: Diário Oficial do Estado do Pará, de 5 de Outubro de 2015
** Curiosamente o ex-governador Jader Barbalho afirma em seu site que: “acabei com o pedágio que era cobrado na ponte de Mosqueiro (fui eu, como governador, quem pagou o empréstimo que o estado fez para a construção da ponte), porque o pedágio era um empecilho, um obstáculo aos mais pobres”