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EDI

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Intercâmbio eletrônico de dados — em inglês, electronic data interchange (EDI) — é a troca automatizada de documentos comerciais estruturados entre sistemas computacionais de organizações distintas ou entre sistemas de uma mesma organização, por meio de formatos eletrônicos padronizados.[1] Em vez de depender de documentos em papel, fax, correio eletrônico ou redigitação manual, o EDI permite que informações como pedidos de compra, faturas, avisos de embarque, cotações e outros documentos de negócio sejam transmitidas diretamente de uma aplicação para outra.[1]

O EDI é usado principalmente em relações empresa para empresa (B2B), nas quais parceiros comerciais precisam trocar documentos de maneira recorrente, previsível e compatível com seus sistemas de gestão.[1] Para que a troca seja automatizada, os participantes devem concordar previamente sobre a estrutura, a sintaxe, os códigos, os identificadores e os protocolos de comunicação usados nas mensagens.

Entre os padrões associados ao EDI estão o ANSI X12, amplamente usado na América do Norte, e o UN/EDIFACT, mantido no âmbito das Nações Unidas e padronizado pela família ISO 9735.[2][3] Outros padrões e perfis, como EANCOM, GS1 XML e UBL, também são usados em contextos específicos de comércio, logística, compras públicas, faturamento eletrônico e cadeias de suprimentos.[4][5]

O EDI é baseado na ideia de que documentos comerciais podem ser representados por mensagens estruturadas e processáveis por máquina. Essas mensagens usam campos, segmentos, códigos e regras de formatação definidos por um padrão comum, o que permite que sistemas de diferentes organizações interpretem os dados sem intervenção humana em cada transação.[1]

Em uma operação típica, uma empresa gera um documento em seu sistema interno, como um sistema de planejamento de recursos empresariais (ERP). Esse documento é convertido para um formato EDI acordado entre os parceiros, transmitido por um canal de comunicação e depois interpretado pelo sistema receptor. O destinatário pode, então, processar automaticamente a informação, por exemplo registrando um pedido, emitindo uma fatura ou atualizando dados de estoque.

O EDI não designa apenas um protocolo de rede específico. O termo abrange o conjunto de práticas, padrões de mensagem, regras de sintaxe, modelos de documento e mecanismos de transporte que permitem a troca estruturada de dados comerciais. A transmissão pode ocorrer diretamente entre parceiros comerciais ou por meio de redes e prestadores de serviço especializados.

Funcionamento

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Uma solução de EDI normalmente envolve três camadas principais: o documento de negócio, o padrão de mensagem e o meio de transporte. O documento de negócio corresponde ao conteúdo operacional que será trocado, como pedido de compra, fatura, aviso de remessa ou confirmação de recebimento. O padrão de mensagem define como esse conteúdo será representado. O meio de transporte define como a mensagem será enviada e recebida.

A padronização é necessária porque os sistemas internos de empresas diferentes podem usar bancos de dados, campos, nomes, códigos e formatos incompatíveis. O EDI cria uma camada comum de intercâmbio, permitindo que cada participante converta seus dados internos para uma mensagem padronizada e, depois, converta a mensagem recebida para o formato usado por seu próprio sistema.

O processo pode incluir validação da estrutura da mensagem, tradução entre formatos, autenticação dos parceiros, criptografia, confirmação de recebimento e tratamento de erros. Em alguns ambientes, as mensagens são transmitidas em lote; em outros, podem ser enviadas quase em tempo real, dependendo do protocolo e da arquitetura adotados.

O ANSI X12 é um conjunto de padrões de EDI desenvolvido e mantido pelo Accredited Standards Committee X12. O X12 define conjuntos de transações que estabelecem o conteúdo de dados trocado para finalidades comerciais específicas, como pedidos, faturas, pagamentos, logística e saúde.[2] O padrão é particularmente difundido nos Estados Unidos e no Canadá, embora também seja usado por organizações de outros países.

Cada conjunto de transações X12 descreve a estrutura dos segmentos e elementos de dados de uma mensagem. Essa estrutura permite que parceiros comerciais estabeleçam implementações compatíveis para processos como compras, faturamento, transporte, seguros e serviços de saúde.

UN/EDIFACT

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O UN/EDIFACT é um padrão internacional de EDI voltado ao intercâmbio eletrônico de dados para administração, comércio e transporte. Suas regras de sintaxe integram a família de normas ISO 9735, mantida no escopo do comitê ISO/TC 154.[3]

O EDIFACT foi desenvolvido para facilitar a troca internacional de documentos comerciais e administrativos entre organizações, setores e países. Segundo a ISO/TC 154, o padrão tem adoção em áreas como varejo, transporte marítimo e alfândegas.[3]

EANCOM e GS1 EDI

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O EANCOM é um subconjunto do UN/EDIFACT mantido pela GS1 para aplicações comerciais e logísticas. A GS1 descreve o EANCOM como um perfil compatível com UN/EDIFACT e voltado para documentos de negócio usados em cadeias de suprimentos.[4] Além do EANCOM, a GS1 mantém padrões EDI baseados em XML, como GS1 XML e perfis relacionados ao UN/CEFACT XML.[4]

A Universal Business Language (UBL) é uma biblioteca aberta de documentos comerciais eletrônicos em XML, mantida pela OASIS. Ela foi concebida para apoiar processos comerciais e logísticos, como compras, pedidos, transporte, logística e gestão de cadeias de suprimentos.[5] A versão 2.1 da UBL foi publicada como a norma ISO/IEC 19845:2015.[5]

Embora UBL não seja idêntico aos padrões tradicionais de EDI, ele se insere no campo mais amplo da padronização de documentos eletrônicos de negócio e pode ser usado em arquiteturas de intercâmbio eletrônico de dados.

Protocolos de comunicação

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As mensagens EDI podem ser transmitidas por diferentes meios, incluindo conexões diretas entre parceiros, redes de valor agregado, protocolos sobre a Internet e serviços intermediários. A escolha do protocolo depende de requisitos de segurança, confiabilidade, custo, legado tecnológico e acordos entre os participantes.

Um protocolo amplamente usado em integrações EDI pela Internet é o AS2 (Applicability Statement 2), definido na RFC 4130. O AS2 descreve como trocar dados de negócio estruturados de forma segura usando HTTP, com suporte a formatos como ANSI X12, UN/EDIFACT, XML e outros dados estruturados.[6] O documento prevê recursos como assinatura digital, criptografia e recibos autenticados de recebimento.[6]

O grupo EDIINT da IETF desenvolveu especificações para intercâmbio seguro e confiável de dados de negócio pela Internet, incluindo AS1, AS2 e AS3.[7]

Aplicações

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O EDI é usado em setores que dependem de troca frequente de documentos padronizados entre organizações. Entre suas aplicações comuns estão:

  • envio e recebimento de pedidos de compra;
  • emissão e processamento de faturas;
  • avisos de embarque e documentos de transporte;
  • confirmações de pedido;
  • troca de dados logísticos e de estoque;
  • mensagens associadas a pagamentos, seguros e saúde.

Na cadeia de suprimentos, o EDI pode integrar fornecedores, distribuidores, varejistas, operadores logísticos, transportadoras e clientes corporativos. O objetivo é reduzir atrasos e inconsistências decorrentes de processos manuais, aumentando a previsibilidade da comunicação entre os participantes.

Benefícios e limitações

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Entre os benefícios normalmente associados ao EDI estão a redução de digitação manual, diminuição de erros de transcrição, maior velocidade no processamento de documentos e melhor integração entre parceiros comerciais.[1][4] A GS1 Canada também aponta benefícios como melhoria da precisão dos dados, redução de custos de impressão e postagem, diminuição do ciclo de pedidos e redução de custos de processamento manual.[4]

Esses benefícios, porém, dependem da qualidade da implementação e da coordenação entre parceiros. A adoção de EDI pode exigir acordos técnicos, mapeamento de dados, integração com sistemas internos, manutenção de padrões, testes de conformidade e governança sobre alterações nos documentos trocados. Em ambientes com muitos parceiros comerciais, a diversidade de versões, perfis e exigências específicas pode aumentar a complexidade da manutenção.

Outra limitação é que o uso de padrões antigos ou muito customizados pode dificultar a interoperabilidade. Por isso, implementações de EDI frequentemente combinam padrões consolidados, como X12 ou EDIFACT, com perfis setoriais, guias de implementação e regras específicas entre parceiros.

Ver também

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Referências

  1. 1 2 3 4 5 Dan Nosowitz; Michael Goodwin. «O que é intercâmbio eletrônico de dados (EDI)?». IBM. Consultado em 23 de maio de 2026
  2. 1 2 «X12» (em inglês). X12. Consultado em 23 de maio de 2026. Cópia arquivada em 13 de abril de 2026
  3. 1 2 3 «Electronic data interchange for administration, commerce and transport (EDIFACT)» (em inglês). ISO/TC 154. Consultado em 23 de maio de 2026. Cópia arquivada em 25 de julho de 2025
  4. 1 2 3 4 5 «Electronic Data Interchange (EDI) Standards» (em inglês). GS1 Canada. Consultado em 23 de maio de 2026. Cópia arquivada em 9 de março de 2026
  5. 1 2 3 «OASIS Universal Business Language (UBL) TC» (em inglês). OASIS. Consultado em 23 de maio de 2026. Cópia arquivada em 19 de abril de 2026
  6. 1 2 Dale Moberg; Rik Drummond (julho de 2005). «RFC 4130: MIME-Based Secure Peer-to-Peer Business Data Interchange Using HTTP, Applicability Statement 2 (AS2)» (em inglês). IETF Datatracker. Consultado em 23 de maio de 2026. Cópia arquivada em 3 de março de 2026
  7. «Electronic Data Interchange-Internet Integration (ediint)» (em inglês). IETF Datatracker. Consultado em 23 de maio de 2026. Cópia arquivada em 19 de maio de 2022

Bibliografia

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