Fabiana Bolsonaro
Fabiana Bolsonaro | |
|---|---|
Fabiana Bolsonaro | |
| Deputada Estadual por São Paulo | |
| Período | 15 de março de 2023 até a atualidade |
| Vice-prefeita de Barrinha | |
| Período | 1.º de janeiro de 2021 até 15 de março de 2023[a] |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Fabiana de Lima Barroso Souza |
| Nascimento | 10 de abril de 1993 (33 anos) Barrinha, São Paulo, Brasil |
| Progenitores | Pai: Adilson Barroso |
| Partido | Patriota (2013–2022) PL (2022–presente) |
| Profissão | Política |
Fabiana de Lima Barroso Souza, mais conhecida politicamente como Fabiana Bolsonaro (Barrinha, 10 de abril de 1993), é uma política brasileira filiada ao Partido Liberal (PL).[1] Nas eleições de 2022, foi eleita deputada estadual por São Paulo com 65 497 votos (0,28% dos votos válidos).[2] É filha do deputado federal Adilson Barroso, também filiado ao PL.[3]
Carreira política
[editar | editar código]Vice-prefeita e Secretária Municipal de Barrinha
[editar | editar código]Em 2020, foi eleita vice-prefeita de Barrinha, município que integra a Região Metropolitana de Ribeirão Preto, tornando-se à época a mulher mais jovem do país no cargo.[4][5] Exerceu ainda o cargo de secretária municipal de Desenvolvimento Social em Barrinha.[6]
Adilson Barroso, pai de Fabiana, foi eleito deputado estadual em 2002 pelo PRONA, com 9 928 votos, beneficiado pelo desempenho de Havanir Nimtz, que naquele pleito se tornou a deputada estadual mais votada da história de São Paulo, com 682 219 votos.[7]
Nome político e eleição para deputada estadual
[editar | editar código]Fabiana de Lima Barroso Souza adotou o apelido "Bolsonaro" como nome de urna nas eleições de 2022, sem possuir qualquer parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o Poder360, a adoção ocorreu como estratégia de alinhamento ideológico, após um pedido do então dirigente ao pai dela.[8][9]
No mesmo pleito, a deputada alterou sua autodeclaração racial de "branca" (registrada em 2020) para "parda", o que, sob as regras eleitorais então vigentes, resultava em vantagens na distribuição do tempo de rádio e televisão e dos recursos do fundo eleitoral para candidatos que se declarassem negros ou pardos.[10]
Eleita no pleito de 2022, tomou posse em 15 de março de 2023. No exercício do mandato na Alesp, Fabiana integra a Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento (CFOP), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, a Comissão de Defesa e dos Direitos das Mulheres e a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informação.[11] Integra a Frente Parlamentar Evangélica e declara-se, em suas redes sociais, contrária ao aborto e à descriminalização das drogas, além de defensora do agronegócio e do armamento.[12]
Episódio de blackface na Alesp (2026)
[editar | editar código]Em 18 de março de 2026, durante sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Fabiana pintou o rosto e os braços com uma base de tom escuro enquanto discursava contra a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.[13] A prática, denominada blackface, consiste na pintura da pele com tinta escura e é uma forma de ridicularizar pessoas negras.[14]
Durante o discurso, transmitido pela TV Alesp, a parlamentar declarou ser uma mulher branca e questionou: "Eu, sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que eu vivi como uma pessoa branca, agora aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra, me maquiando e deixando só o fora parecer. E aqui, eu pergunto: e agora? Eu virei negra?", elaborando uma analogia para propagar ideologia transfóbica de que mulheres trans não poderiam representar as causas das mulheres cisgênero.[14][8] Após a sessão, Fabiana negou ter praticado blackface, descrevendo o ato como uma "analogia" e um "experimento social", e afirmou que sua fala teria sido "distorcida".[14]
O ato racista usado para defender ideologia transfóbica gerou reação imediata no plenário. A deputada Mônica Seixas (PSOL) levantou questão de ordem, classificando o episódio como racismo e transfobia, e solicitou a interrupção da sessão. Após o término da sessão, Seixas e a vereadora de São Paulo Luana Alves (PSOL) registraram boletim de ocorrência na Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Seixas relatou que o delegado da Polícia Civil presente na Alesp se recusou a lavrar a prisão em flagrante, invocando a imunidade parlamentar.[15]
Um grupo de 18 parlamentares, do Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Socialista Brasileiro (PSB), protocolou representação no Conselho de Ética da Alesp pedindo a cassação de Fabiana por quebra de decoro parlamentar, sustentando que a conduta foi "previamente concebida e intencional" e ultrapassa os limites da imunidade parlamentar.[14] A deputada Ediane Maria (PSOL) anunciou também representação ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) por racismo e transfobia, enquanto Beth Sahão (PT) acionou separadamente o Conselho de Ética, ressaltando que ambas as condutas constituem crimes tipificados.[16]
Em nota oficial, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo informou que a Constituição Federal assegura a inviolabilidade dos parlamentares por suas opiniões, palavras e votos expressos em plenário, e que o Conselho de Ética da Alesp é o órgão competente para analisar eventuais excessos à imunidade parlamentar.[17]
No dia 25 de março, o Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito para investigar a conduta da deputada, a partir da representação aberta por parlamentares do PSOL.[18]
No dia 31 de março, o Ministério Público Federal (MPF) mandou a Polícia Federal abrir inquérito para investigar a conduta da deputada Fabiana na tribuna. O pedido de investigação por parte do MPF ocorreu após a deputada Ediane Maria do PSOL encaminhar ao órgão uma notícia-crime sobre o episódio pedindo investigação por racismo e transfobia em 19 de março.[19]
Notas e referências
[editar código]Notas
[editar código]- ↑ Renunciou ao cargo para assumir vaga como deputada estadual por São Paulo.
Referências
[editar código]- ↑ «Fabiana de Lima Barroso Souza – Candidatura 2022». Tribunal Superior Eleitoral
- ↑ «Saiba quem é a deputada bolsonarista eleita na região de Ribeirão». ACidade ON. 3 de outubro de 2022
- ↑ «Quem é Fabiana Bolsonaro, deputada que fez blackface contra Erika Hilton». CNN Brasil. 19 de março de 2026. Consultado em 19 de março de 2026
- ↑ «Quem é Fabiana Bolsonaro, deputada que fez blackface contra Erika Hilton». CNN Brasil. 19 de março de 2026. Consultado em 19 de março de 2026
- ↑ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de agosto de 2018). «Estimativas da população residente no Brasil e unidades da federação com data de referência em 1º de julho de 2018» (PDF). Consultado em 21 de outubro de 2018
- ↑ «Quem é Fabiana Bolsonaro, deputada que fez blackface contra Erika Hilton». CNN Brasil. 19 de março de 2026. Consultado em 19 de março de 2026
- ↑ «Resultado das Eleições 2002». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 19 de março de 2026. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2017
- 1 2 «Fabiana Bolsonaro faz blackface em protesto contra Erika Hilton». Poder360. 18 de março de 2026. Consultado em 19 de março de 2026
- ↑ «Patriota banca campanha de 7 partidos que elegeu a filha de seu presidente». Veja
- ↑ «Candidata branca e loira e de sobrenome Bolsonaro se declara parda». Metrópoles. 20 de agosto de 2022. Consultado em 19 de março de 2026. Cópia arquivada em 24 de setembro de 2023
- ↑ «Dep. Fabiana Bolsonaro». Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Consultado em 19 de março de 2026. Cópia arquivada em 14 de fevereiro de 2026
- ↑ «Parente de Bolsonaro? Quem é a deputada acusada de fazer blackface na Alesp». Jovem Pan. 18 de março de 2026. Consultado em 19 de março de 2026
- ↑ «Deputada do PL faz 'blackface' durante discurso em plenário e questiona identidade de mulheres trans». G1. 18 de março de 2026. Consultado em 18 de março de 2026
- 1 2 3 4 «Deputados pedem cassação de Fabiana Bolsonaro por blackface na Alesp». Agência Brasil. 19 de março de 2026. Consultado em 19 de março de 2026
- ↑ «Fabiana Bolsonaro faz blackface durante fala transfóbica e deputada do Psol vai à delegacia denunciar racismo». Brasil de Fato. 18 de março de 2026. Consultado em 19 de março de 2026
- ↑ «Fabiana Bolsonaro faz blackface e é denunciada por ataque a mulheres trans na Alesp». Diário do Nordeste. 18 de março de 2026. Consultado em 19 de março de 2026
- ↑ «Fabiana Bolsonaro faz blackface durante fala transfóbica e deputada do Psol vai à delegacia denunciar racismo». Brasil de Fato. 18 de março de 2026. Consultado em 19 de março de 2026
- ↑ Rodrigues, Rodrigo; Patriarca, Paola (25 de março de 2026). «MP abre inquérito contra deputada Fabiana Bolsonaro, que fez 'blackface' na Alesp, por suspeita de racismo, transfobia e misoginia». G1. Consultado em 27 de março de 2026
- ↑ Paola Patriarca (31 de março de 2026). «MPF manda PF abrir inquérito para investigar deputada Fabiana Bolsonaro por ter feito 'blackface' na Alesp». G1. Consultado em 6 de maio de 2026