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Cabo Verde

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: "Cabo-verdiano" redireciona para este artigo. Para a língua falada em Cabo Verde, veja crioulo cabo-verdiano. Para outros significados, veja Cabo Verde (desambiguação).

República de Cabo Verde
Cabo Verde
Lema: Unidade, Trabalho, Progresso
Hino: Cântico da Liberdade
Localização de Cabo Verde
Capital
e maior cidade
Praia
14° 55′ N, 23° 31′ O
Língua oficialPortuguês
Outras línguascrioulo cabo-verdiano
Gentílicocabo-verdiano[1]
GovernoRepública semipresidencialista unitária[2]
José Maria Neves
Francisco Carvalho
História
1460
 Independência
00• de Portugal

5 de Julho de 1975
Área
  Total4 033 km² (146.º)
  Água (%)0,08
População
  Estimativa para 2017560 899[3] hab. (173.º)
  Censo de 2000436 821 hab.
  Urbana303 512 hab. (91.º)
  Densidade118 hab./km² (65.º)
PIB (PPC)Estimativa para 2013
  TotalUS$ 2,305 mil milhões*[4]
  Per capitaUS$ 6 311[4]
PIB (nominal)Estimativa para 2013
  TotalUS$ 2,071 mil milhões*[4]
  Per capitaUS$ 4 089[4]
IDH (2022)0,661 (131.º) – médio[5]
Gini (2015)42,4
MoedaEscudo cabo-verdiano (indexado ao euro)[6] (CVE)
Fuso horáriohorário de Cabo Verde - CVT UTC-1
  Verão (DST)Não tem
Cód. ISOCPV
Cód. Internet.cv
Cód. telef.+238
Website governamentalgoverno.cv

Cabo Verde, oficialmente como República de Cabo Verde, é um país arquipelágico no Oceano Atlântico central, ao largo da costa da África Ocidental. É constituído por dez ilhas vulcânicas com uma área total de cerca de 4.033 quilómetros quadrados.[7] Estas ilhas situam-se entre 600 e 850 quilómetros a oeste de Cabo Verde (ou seja, Dakar), o ponto mais ocidental de África continental, que lhes dá o nome.[8] Cabo Verde faz parte da ecorregião da Macaronésia, juntamente com os Açores, as Ilhas Canárias, a Madeira e as Ilhas Selvagens.

O arquipélago permaneceu desabitado até o século XV, quando exploradores portugueses colonizaram as ilhas, estabelecendo um dos primeiros assentamentos europeus nos trópicos. Sua posição estratégica conferiu-lhe um papel significativo no comércio transatlântico de escravos durante os séculos XVI e XVII; as ilhas experimentaram um rápido crescimento econômico impulsionado pelo comércio de produtos manufaturados, rum, tecidos para escravos africanos, marfim e ouro. Em meados do século XIX, o aumento da concorrência estrangeira, a seca persistente e o declínio do tráfico de escravos levaram à decadência econômica e à emigração; Cabo Verde recuperou-se gradualmente como um importante centro comercial e ponto de parada para as principais rotas marítimas.

Cabo Verde tornou-se independente em 1975. Desde o início da década de 1990, tem sido uma democracia representativa estável e permanece um dos países mais desenvolvidos e democráticos da África. Sem recursos naturais, sua economia em desenvolvimento é predominantemente voltada para serviços, com um foco crescente no turismo e no investimento estrangeiro. Com uma população de cerca de 530 mil pessoas,[9] está entre os países menos populosos da África. O povo cabo-verdiano traça sua ancestralidade principalmente a populações da África Ocidental, com contribuições adicionais dos primeiros colonizadores portugueses e de outros grupos que chegaram às ilhas. Existe uma diáspora considerável em todo o mundo, especialmente nos Estados Unidos e em Portugal, que supera em muito o número de habitantes das ilhas. É um Estado-membro da União Africana.

A língua oficial é o português,[10] enquanto a língua nacional reconhecida é o crioulo cabo-verdiano, falado pela grande maioria da população. De acordo com o censo de 2021, as ilhas mais populosas eram Santiago (269.370) – que alberga a capital e maior cidade do país, PraiaSão Vicente (74.016), Santo Antão (36.632), Fogo (33.519) e Sal (33.347). As maiores cidades são Praia (137.868), Mindelo (69.013), Espargos (24.500) e Assomada (21.297).[11]

Etimologia

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O nome do país provém do vizinho Cabo Verde, na costa senegalesa,[12] avistado por exploradores portugueses em 1444, alguns anos antes de as ilhas serem descobertas. Em 24 de outubro de 2013, foi anunciado nas Nações Unidas que o nome oficial não deveria mais ser traduzido para outras línguas. Em vez de traduções de "Cabo Verde" em diversas línguas, a designação em português está a ser usada para fins oficiais, como na Organização das Nações Unidas (ONU).[7][13]

História

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Colonização europeia

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Uma aquarela de Cidade Velha de 1646, de autoria de Caspar Schmalkalden
Igreja Nossa Senhora do Rosário, construída em 1495, a mais antiga igreja colonial do mundo, na Cidade Velha, na Ilha de Santiago

A história refere que a descoberta de Cabo Verde se deu no século XV, mais precisamente em 1460. A colonização portuguesa começou logo após a sua descoberta, sendo as primeiras ilhas a serem povoadas as de Santiago e Fogo. Para incentivar a colonização, a corte portuguesa estabeleceu uma carta de privilégios aos moradores de Santiago relativa ao comércio de pessoas escravizadas na Costa da Guiné. Na Ribeira Grande, na ilha de Santiago, estabeleceu-se a primeira feitoria, que serviu ponto de escala para os navios portugueses e para o tráfego e comércio de pessoas escravizadas, que começava a crescer por essa época. Mais tarde, com a abolição da escravatura, o país começou a dar sinais de fragilidade e entrou em decadência, revelando uma economia pobre e de subsistência.[14]

No século XX, a partir da década de 50, começam a surgir os movimentos independentistas no continente africano. Cabo Verde vinculou-se à luta pela libertação da Guiné-Bissau, lutando contra o colonialismo português e promovendo marchas pela independência em todo o país.[15]

A posição estratégica das ilhas nas rotas que ligavam Portugal ao Brasil e ao resto da África contribuiu para o facto de essas serem utilizadas como entreposto comercial e de aprovisionamento. Abolido o tráfico de escravos em 1876, o interesse comercial do arquipélago para a metrópole portuguesa decresceu, só voltando a ter importância a partir da segunda metade do século XX. No entanto, a partir de então, já haviam sido criadas as condições para o Cabo Verde independente de hoje: europeus e africanos uniram-se numa simbiose, criando um povo de características próprias.[15]

Durante a colonização portuguesa, as secas crónicas devidas à desflorestação levaram a fomes regulares, sem que a colónia recebesse qualquer ajuda alimentar. Entre 1941 e 1948, 50 mil pessoas morreram, ou seja, mais de um terço da população, enquanto as autoridades portuguesas permaneceram indiferentes.[16]

Independência

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As origens históricas nacionais da independência de Cabo Verde podem ser localizadas no final do século XIX e no início do século XX. Foi um processo gradual. Surgiu como uma tentativa de solução para as reivindicações da elite crioula de então, que protestava contra o desleixo e a negligência da metrópole portuguesa em relação ao que se passava em Cabo Verde.[17] Com o processo de formação nacional, muito cedo a máquina administrativa foi sendo assegurada pelos nascidos em Cabo Verde, ou pelos que já tinham grande identificação com a colónia, com excepção aos cargos elevados como governadores, chefes militares etc., ainda reservados aos representantes da soberania de Portugal. Esta "autossuficiência" administrativa de Cabo Verde estava associada a uma escolarização relativamente desenvolvida e à existência de uma imprensa mais ou menos dinâmica introduzida por Portugal, que contribuíram para o surgimento de uma elite intelectual e burocrática. Esta começou, no século XX, a discutir cada vez mais a questão da independência, gerando um clima de atrito com os representantes da metrópole. Os leitores que acompanhavam a imprensa oficial entendiam que se devia lutar pela independência ou, pelo menos, por uma autonomia honrosa.[17]

Bandeira de Cabo Verde (1975-1992)

O processo de independência Cabo-Verdiana esteve sempre ligada a Guiné-Bissau, na altura também uma colónia Portuguesa. Em 1956, partidários pela independência de ambos os países formaram o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), estando entre os fundadores vários Cabo-Verdianos radicados em Guiné-Bissau, tais como Amílcar Cabral (líder do movimento até à sua morte em 1973) Aristides Pereira, e Luís Cabral. O PAIGC tinha como objectivo a lutar contra o que chamavam de "deplorável política ultramarina portuguesa",[17] e eventualmente unir as duas colónias num único sistema político. Ao contrário do que aconteceu em Guiné-Bissau, nunca foram realizadas atividades de guerrilha no território de Cabo Verde. Apesar de o PAIGC ter organizado uma estrutura clandestina nas ilhas, problemas de logística, controlo apertado da PIDE, uma seca prolongada, e a falha do previsto apoio Cubano tornaram impossível uma maior presença do movimento em Cabo Verde.[18]

Com o fim do regime político do Estado Novo em Portugal a 25 de abril de 1974, foi criada em Cabo Verde a Frente Ampla Nacional e Anticolonial, tendo como objectivo unir os diferentes nacionalistas Cabo-Verdianos numa única organização. Ao mesmo tempo, ocorreram manifestações pela libertação de prisioneiros políticos encarcerados no campo de concentração do Tarrafal, e o PAIGC começou a enviar os primeiros guerrilheiros para as ilhas.[18] A 26 de Agosto de 1974 foi assinado o Acordo de Argel, que reconheceu formalmente a independência de Guiné-Bissau e “o direito do povo de Cabo Verde à autodeterminação e independência”. A 14 de Setembro desse mesmo ano o Presidente da República Portuguesa, António de Spínola, visitou Cabo Verde, tendo sido recebido por manifestações da população (incitada pelo PAIGC) a exigir uma resolução rápida para o problema da independência.[18]

No entanto, Portugal ainda hesitava em entregar poder ao PAIGC devido a vários motivos: a percepção por Spínola e outros políticos (como Mário Soares, que preferia autonomia administrativa semelhante a Açores e Madeira, em vez de independência) de que Cabo Verde era culturalmente mais similar a Portugal do que a Guiné-Bissau, a falta de consenso sobre o PAIGC entre a população Cabo-Verdiana, e a viabilidade económica do novo estado que atravessava uma seca de 7 anos e era muito dependente de Portugal. Além disso, no contexto da Guerra Fria, a posição geoestratégica de Cabo Verde teria grande interesse para os Estados Unidos, que se poderia opor à independência, visto que o PAIGC era aliado à União Soviética. Em resposta o PAIGC tomou uma posição mais agressiva, tendo havido confrontos entre apoiantes do PAIGC e elementos das forças armadas Portuguesas, a PSP, e a Polícia Militar, e tendo sido realizada uma greve da função pública com forte adesão. Ao mesmo tempo, o PAIGC começou a preparar uma possível ação armada no arquipélago (até à demissão de António de Spínola, que levou a uma alteração desses planos).[18][19]

A 19 de Dezembro de 1974 foi assinado um acordo entre o governo Português e o PAIGC que afirmava “o direito do Povo de Cabo Verde à autodeterminação e independência” (artigo 1º), e previa que um governo de transição seria nomeado até à efectivação de independência. Esse governo de transição, liderado pelo Alto-Comissário Almirante Vicente Almeida d’Eça, e composto por elementos apontados pelo PAIGC, tomou posse 12 dias mais tarde. Foi função deste governo começar a lidar com os muitos problemas do país, incluindo a seca, a falta de bens alimentares, o desemprego generalizado, as dificuldades de financiamento, e o regresso de emigrantes vindos de Angola.[18]

Pós-independência

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Sede do Partido Africano da Independência de Cabo Verde

A independência foi finalmente declarada na cidade de Praia a 5 de Julho de 1975, tendo o PAIGC (e o seu sucessor PAICV) estabelecido um sistema de partido único que governou as ilhas até 1990, quando as primeiras eleições multipartido foram realizadas, e o artigo que considerada o PAICV como a única força política foi removido da Constituição.[19]

Quando obteve a independência em 1975, o arquipélago de Cabo Verde herdou uma situação económica difícil, resultante de vários anos de seca e de vários séculos de estagnação económica sob o domínio colonial português. A agricultura do território só pode cobrir uma pequena parte das suas necessidades alimentares, menos de 10%. A balança comercial é profundamente deficitária, cerca de 93%, e os cofres do Estado estão vazios.[16]

A chegada ao poder do Movimento para a Democracia (MPD, centro-direita) em 1991 acelerou significativamente a transição para uma economia de mercado (iniciada nos anos 80). O governo lançou um programa de privatização do qual beneficiaram investidores portugueses (bancos, centrais eléctricas, estações de serviço, etc.). Portugal recuperou assim o que tinha perdido com a descolonização.[16] Cabo Verde produz pouco: os seus recursos minerais são quase inexistentes, sofre de seca crónica e a produção agrícola cobre apenas 10% das suas necessidades.[16]

Geografia

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Imagem de satélite das ilhas de Cabo Verde, 2010.
A praia do Calhau, com Monte Verde ao fundo, em São Vicente
Pico do Fogo, o ponto mais elevado do arquipélago, com 2 829 m, na Ilha do Fogo
Praia de Calhau, com o Monte Verde ao fundo, na ilha de São Vicente

O arquipélago está localizado no Oceano Atlântico, a aproximadamente 570 quilómetros ao largo da costa ocidental do continente africano, perto do Senegal, da Gâmbia e da Mauritânia, e faz parte da ecorregião da Macaronésia. Situa-se entre as latitudes 14° e 18°N e as longitudes 22° e 26°W. O país é um aglomerado em forma de ferradura de dez ilhas (nove habitadas) e oito ilhéus,[20] que constituem uma área de 4033 quilómetros quadrados.[20]

As ilhas estão divididas espacialmente em dois grupos:

A maior ilha, tanto em tamanho como em população, é Santiago, que alberga a capital do país, Praia, a principal aglomeração urbana do arquipélago.[20]

O campo na Estrada Baía das Gatas
Rocha Estância, em Boa Vista
Ilha de Santo Antão
Ribeira Grande em Santiago

Geologicamente, as ilhas são compostas principalmente por rochas ígneas, com estruturas vulcânicas e detritos piroclásticos que constituem a maior parte do volume total do arquipélago. As rochas vulcânicas e plutônicas são distintamente básicas; o arquipélago é uma província petrográfica sódio-alcalina, com uma sucessão petrológica semelhante à encontrada em outras ilhas da Macaronésia. As ilhas situam-se numa elevação batimétrica conhecida como Elevação de Cabo Verde,[21] uma das maiores protuberâncias dos oceanos do mundo, elevando-se 2,2 quilómetros numa região semicircular de 1200 quilómetros quadrados, associado a uma elevação do geoide.[22]

Anomalias magnéticas identificadas nas proximidades do arquipélago indicam que as estruturas que formam as ilhas datam de 125 a 150 milhões de anos: as ilhas datam de 8 milhões (a oeste) a 20 milhões de anos (a leste).[22]

O vulcanismo histórico (dentro de assentamentos humanos) tem sido restrito ao Fogo.[23] O Pico do Fogo, o maior vulcão ativo da região, entrou em erupção em 2014. Possui uma caldeira de 8 quilómetros de diâmetro, cuja borda está a uma altitude de 1.600 metros e um cone interior que se eleva a 2.829 metros acima do nível do mar. A caldeira resultou da subsidência, após a evacuação parcial (erupção) da câmara magmática, ao longo de uma coluna cilíndrica a partir do interior da câmara magmática (a uma profundidade de 8 quilómetros).[23]

Extensas salinas são encontradas no Sal e no Maio.[20] Em Santiago, Santo Antão e São Nicolau, encostas áridas dão lugar, em alguns lugares, a campos de cana-de-açúcar ou plantações de banana espalhadas ao longo da base de montanhas imponentes.[20] Falésias oceânicas foram formadas por deslizamentos catastróficos de detritos.[24]

O clima de Cabo Verde é mais ameno do que o do continente africano, porque o mar circundante modera as temperaturas e as correntes frias do Atlântico produzem uma atmosfera árida. Por outro lado, as ilhas não recebem a ressurgência (correntes frias) que afeta a costa da África Ocidental, pelo que a temperatura do ar é mais baixa do que no Senegal, mas a do mar é mais quente. Devido ao relevo de algumas ilhas, como Santiago, com as suas montanhas íngremes, as ilhas podem ter precipitação induzida pela orografia, permitindo o crescimento de bosques ricos e vegetação exuberante onde o ar húmido se condensa, encharcando as plantas, rochas, solo, troncos, musgo, etc. Nas ilhas mais altas e um pouco mais húmidas, o clima é adequado para o desenvolvimento de florestas secas de monção e florestas de louro.[20] Cabo Verde situa-se na ecorregião das florestas secas das Ilhas de Cabo Verde.[25] As temperaturas médias variam entre 22 °C (72 °F) em fevereiro até 27 °C (80,6 °F) em setembro. Cabo Verde faz parte da faixa semiárida do Sahel, com níveis de precipitação muito inferiores aos da África Ocidental vizinha.[20] Chove irregularmente entre agosto e outubro, com aguaceiros fortes e frequentes, embora breves.[20]

O pequeno vale (ou dele) de Principal, Santiago

Devido à ocorrência infrequente de chuvas em áreas não montanhosas, a paisagem é tão árida que menos de dois por cento dela é arável.[26]

Os furacões que se dirigem para o Hemisfério Ocidental frequentemente têm seus primórdios perto das Ilhas de Cabo Verde. Esses furacões do tipo Cabo Verde podem se tornar muito intensos ao atravessarem as águas quentes do Atlântico. A temporada média de furacões tem cerca de dois furacões do tipo Cabo Verde, que geralmente são as tempestades maiores e mais intensas da temporada, porque frequentemente encontram bastante oceano aberto e quente para se desenvolverem antes de atingirem a costa. Os cinco maiores ciclones tropicais do Atlântico já registrados foram furacões do tipo Cabo Verde. A maioria dos ciclones tropicais de maior duração na bacia do Atlântico são furacões do tipo Cabo Verde.[27]

Desde 1851, as ilhas foram atingidas duas vezes por furacões: em 1892 e em 2015 (Furacão Fred, o furacão mais oriental já formado no Atlântico).[28]

Segundo o presidente de Nauru, em 2011, Cabo Verde foi classificado como a oitava nação mais ameaçada devido às inundações causadas pelas alterações climáticas.[29] Em 2023, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, visitou Cabo Verde para expressar preocupação com as alterações climáticas. Ele afirmou que o país está na linha da frente da crise existencial gerada pelas perturbações climáticas e que os líderes mundiais precisam de agir para enfrentar a crise climática.[30] Cabo Verde é líder em energias renováveis na África Subsariana. Em 2023, 20% da sua energia provinha de fontes renováveis, e o objetivo é aumentar esse percentual para 50% até 2030.[31] Em 2023, Portugal assinou um acordo para perdoar 140 milhões de euros da dívida de Cabo Verde em troca de investimentos do país em projetos ambientais. Este acordo é uma das primeiras permutas de dívida por natureza em África.[32]

Biodiversidade

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O isolamento de Cabo Verde resultou na presença de diversas espécies endêmicas nas ilhas, particularmente aves e répteis, muitas das quais ameaçadas pelo desenvolvimento humano. Entre as aves endêmicas, destacam-se o andorinhão-de-alexandria (Apus alexandri), a garça-de-bourne (Ardea purpurea bournei), a laverca-do-raso (Alauda razae), a toutinegra-de-cabo-verde (Acrocephalus brevipennis) e o pardal-de-cabo-verde (Passer iagoensis).[33] As ilhas também são uma importante área de reprodução para aves marinhas, incluindo a cagarra-de-cabo-verde.[34]

A cobertura florestal corresponde a cerca de 11% da área total do país, o que equivale a 45.720 hectares (ha) de floresta em 2020, um aumento em relação aos 15.380 ha em 1990. Em 2020, a floresta em regeneração natural cobria 13.680 ha e a floresta plantada, 32.040 ha. Em 2015, 100% da área florestal era de propriedade pública.[35][36]

Demografia

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Pirâmide etária de Cabo Verde (2020)

Cabo Verde tinha uma população de 491.233 habitantes em 2021. Uma grande proporção (236.000) dos cabo-verdianos vive em Santiago.[37] A trajetória histórica do país incluiu, desde o início, um processo de formação de classes sociais. Neste momento, pode-se observar a ausência de uma "burguesia", mas a existência de vários tipos de "pequena burguesia" é numericamente significativa. A maioria da população é, no entanto, constituída por camponeses e alguma classe trabalhadora.[38]

Um cartaz governamental alertando sobre a desparasitação nas escolas, na Ilha do Sal.

A língua oficial é o português.[10] É a língua de instrução e do governo. Também é usada em jornais, televisão e rádio. O crioulo cabo-verdiano é usado coloquialmente e é a língua materna de praticamente todos os cabo-verdianos. A Constituição nacional prevê medidas para conferir ao crioulo paridade com o português.[10]

As diferenças entre as variantes linguísticas nas ilhas têm sido um grande obstáculo à padronização da língua. Alguns defendem o desenvolvimento de dois padrões: um padrão do norte (Barlavento), centrado no crioulo de São Vicente, e um padrão do sul (Sotavento), centrado no crioulo de Santiago. Manuel Veiga, linguista e ministro da cultura de Cabo Verde, é o principal defensor da oficialização e padronização do crioulo.[39]

Religião

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Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Assomada.

A grande maioria dos cabo-verdianos é cristã; refletindo séculos de domínio português, os católicos constituem a maior comunidade religiosa, com pouco menos de 80% da população em 2010 (ligeiramente inferior aos 85% em 2007).[40] A maioria dos outros grupos religiosos é protestante, sendo a Igreja Evangélica do Nazareno a segunda maior comunidade; outras denominações significativas são a Igreja Adventista do Sétimo Dia, as Assembleias de Deus, a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.[40] O islamismo é a maior religião minoritária.[40] O judaísmo teve presença histórica durante a era colonial.[41] Os ateus constituem menos de 1% da população.[40] Muitos cabo-verdianos sincretizam o cristianismo com crenças e costumes africanos indígenas.[42]

Emigração e imigração

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Quase o dobro de cabo-verdianos vive no estrangeiro (quase um milhão) em comparação com o próprio país.[43] As ilhas têm uma longa história de emigração e os cabo-verdianos estão amplamente dispersos pelo mundo, de Macau ao Haiti e da Argentina à Suécia.[44] A diáspora pode ser muito maior do que indicam as estatísticas oficiais, uma vez que, até à independência em 1975, os imigrantes cabo-verdianos possuíam passaportes portugueses. A maioria vive nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, sendo que os primeiros albergam a maior população no estrangeiro, com 500 mil pessoas. A maioria nos EUA está concentrada na Nova Inglaterra, particularmente em Boston, New Bedford e Providence; Brockton, Massachusetts, tem a maior comunidade de qualquer cidade americana (18.832).[45]

Pessoas em Santiago, a maior ilha do país.

Cabo-verdianos migram para Massachusetts desde a década de 1840, mas a maior parte da população atual chegou na década de 1970.[46] Eles agora são um dos dez maiores grupos de imigrantes em Boston e o maior grupo nacional africano. A primeira onda de imigrantes veio para Massachusetts para trabalhar na indústria baleeira.[46] Quando a caça às baleias entrou em declínio, eles passaram a trabalhar em empregos marítimos, na agricultura sazonal (como a colheita de airelas) e em fábricas. A segunda onda de imigrantes chegou depois que Cabo Verde conquistou a independência em 1975. Eles também encontraram trabalho em fábricas, mas com o fechamento das indústrias, migraram para o setor de serviços na década de 1990. Os imigrantes desenvolveram um setor de pequenas empresas vibrante, incluindo restaurantes, mercearias, imobiliárias, seguradoras e outros empreendimentos.[46] Os imigrantes nos EUA têm uma longa história de serviço nas forças armadas americanas, com presença em todos os principais conflitos, da Guerra da Independência à Guerra do Vietnã.[47]

Devido a séculos de laços coloniais, a segunda maior população de cabo-verdianos vive em Portugal (150 mil), com comunidades consideráveis nas antigas colônias portuguesas de Angola (45 mil) e São Tomé e Príncipe (25 mil). Grandes populações existem em países com semelhanças culturais e linguísticas, como Espanha (65.500), França (25 mil), Senegal (25 mil) e Itália (20.000). Outros países com grandes comunidades incluem o Reino Unido (35.500), os Países Baixos (20 mil, dos quais 15 mil estão concentrados em Roterdão) e Luxemburgo e países escandinavos (7 mil).[48]

Roubos e furtos são comuns, especialmente em ambientes movimentados como mercados, festivais e celebrações. Muitas vezes, os autores desses crimes são gangues de crianças de rua. Os assassinatos se concentram nos principais centros populacionais de Praia e Mindelo.[49]

Urbanização

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Governo e política

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Palácio Presidencial de Cabo Verde, Praia
Palácio da Justiça, Praia

Cabo Verde é uma república semipresidencialista, no quadro de uma democracia representativa.[2][50] Trata-se de uma das nações mais democráticas do mundo, ocupando o 26.º do mundo, de acordo com o Índice de Democracia de 2012.[51]

A constituição nacional — adoptada em 1980 e revista em 1992, 1995 e 1999 — define os princípios básicos de funcionamento do governo. O presidente é o chefe de estado e é eleito por voto popular para um mandato de 5 anos. O primeiro-ministro é o chefe de governo e propõe outros ministros e secretários de estado. O primeiro-ministro nomeado pelo presidente e sujeito a aprovação da Assembleia Nacional, cujos membros são eleitos por voto popular para mandatos de cinco anos. Existem três partidos que têm assento na Assembleia Nacional: Movimento para a Democracia (38), Partido Africano da Independência de Cabo Verde (30) e União Caboverdiana Independente e Democrática (4)[42].

O sistema judicial é composto por um juiz do Supremo Tribunal de Justiça (cujos membros são nomeados pelo Presidente da República, pela Assembleia Nacional e pelo Conselho da Magistratura), além dos tribunais regionais. Há tribunais separados para julgar casos civis, constitucionais e penais.[42]

Relações internacionais

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O presidente cabo-verdiano Jorge Carlos Fonseca e Lígia Fonseca se encontram com o presidente dos EUA Barack Obama e Michelle Obama na Casa Branca em 2014.

Cabo Verde segue uma política de não alinhamento e mantém relações de cooperação com todos os Estados. Angola, Brasil, China, Cuba, França, Alemanha, Portugal, Espanha, Senegal, Rússia, Luxemburgo e Estados Unidos mantêm embaixadas na Praia. O país está activamente interessado nos assuntos externos, especialmente em África.[42]

O governo cabo-verdiano mantém relações bilaterais com alguns países lusófonos e mantém uma participação em diversas organizações internacionais, incluindo a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que Cabo Verde presidiu no biênio 2019–2020. Cabo Verde é a sede mundial do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, vinculado à CPLP. Também participa em conferências internacionais sobre questões políticas e económicas.[42]

Desde o ano de 2007 que Cabo Verde tem um estatuto de parceria especial[52] com a União Europeia, no âmbito do Acordo de Cotonou, e poderá vir a solicitar adesão especial, até porque o escudo cabo-verdiano se encontra indexado ao euro.[53]

Forças armadas

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Fuzileiros Navais da Guarda Costeira Cabo-Verdiana

As forças armadas de Cabo Verde são compostas pela Guarda Nacional e pela Guarda Costeira; em 2005, 0,7% do PIB do país foi gasto com as forças armadas. Tendo lutado suas únicas batalhas na guerra de independência contra Portugal, entre 1974 e 1975, os esforços das forças armadas cabo-verdianas voltaram-se para o combate ao narcotráfico internacional. Em 2007, em conjunto com a Polícia Cabo-Verdiana, realizaram a Operacão Lancha Voadora para pôr fim a um grupo de tráfico de drogas que contrabandeava cocaína da Colômbia para os Países Baixos e a Alemanha, usando o país como ponto de reabastecimento. A operação durou mais de três anos, sendo secreta durante os dois primeiros anos, e terminou em 2010. Em 2016, as forças armadas estiveram envolvidas no massacre de Monte Tchota, um incidente entre militares que resultou em 11 mortes.[54]

Divisão administrativa

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A capital de Cabo Verde é a cidade da Praia na Ilha de Santiago que, juntamente com o Mindelo, na Ilha de São Vicente, são as duas cidades principais do País. Até 2005, Cabo Verde contava com dezessete concelhos. No primeiro semestre de 2005, foi aprovada pela Assembleia Nacional cabo-verdiana a constituição de cinco novos concelhos, resultando nos actuais 22 concelhos, distribuídos pelas 9 ilhas habitadas do arquipélago:[55]

Municípios de Cabo Verde.
Principais produtos de exportação de Cabo Verde em 2019 (em inglês).
Mercado de Mindelo.
Prédios comerciais em Praia.

Cabo Verde é um estado arquipélago com uma economia subdesenvolvida e que sofre com uma carência de alternativa de recursos e com o crescimento populacional. Os principais meios económicos são a agricultura, a riqueza marinha do arquipélago, a prestação de serviços (que corresponde a 80% do produto interno bruto) e, mais recentemente, o turismo (que tem ganhado crescente relevância).[56] As principais ilhas turísticas são a Ilha do Sal e a Ilha da Boa Vista.

A agricultura sofre com os constantes períodos de seca e carece de uma melhor infraestrutura e modernização das técnicas agrícolas; os investimentos que atenderiam a essa necessidade adviriam de uma melhor educação dos cultivadores e da organização de um mercado de consumo dos produtos.[57]

A economia cabo-verdiana desenvolveu-se significativamente desde o final da década de 2000. Nos dias atuais, essa transformação é sustentada por um vasto programa de infraestrutura por parte do governo em domínios vitais como os transportes terrestres, os transportes marítimos, os transportes aéreos e as comunicações, entre outros.[58]

O país tem muitos emigrantes espalhados pelo mundo (com especial foco para Estados Unidos e Portugal), que contribuem com remessas financeiras significativas para o seu país de origem.[59]

Em 2007, Cabo Verde aderiu à Organização Mundial do Comércio (OMC) e, em 2008, o país deixou a classificação de "subdesenvolvido" para de renda média.[60][61]

A ilha de Santiago é a que mais contribui para o PIB nacional com um peso de 52,3% em 2002 e de 53,2% em 2012, a seguir a ilha de São Vicente com 16,1% (2002) e de 15,2% (2012) e o Sal com 12,8 (2002) e 10,8% (2012).[62] Em igual período, as ilhas que menos contribuíram para o PIB foram São Nicolau com 2,2% e 2,1%, o Maio com 1,3% e 1,2% e a Brava com 1,0% para 0,8%. A ilha da Boa Vista cresceu consideravelmente nas contribuições, passando de 2,5 para 5,2%. A ilha do Fogo manteve a sua posição com 5,2% e a ilha de Santo Antão com 6,7% em 2002 e 6,2% em 2012.[63] Só o concelho da Praia tem um peso de 39%, e os demais concelhos de Santiago tiveram um peso de 14% no ano de 2012 sob o PIB nacional.[64]

Resort em Sal.
Iates em Porto Grande, Mindelo, na ilha de São Vicente . O turismo é uma fonte de renda crescente nas ilhas.

A localização estratégica de Cabo Verde na encruzilhada das rotas aéreas e marítimas do Atlântico Central foi reforçada por melhorias significativas no porto de Mindelo ( Porto Grande ) e nos aeroportos internacionais de Sal e Praia. O Aeroporto Internacional Aristides Pereira foi inaugurado em 2007 e o Aeroporto Cesária Évora em 2009. As instalações de reparação naval em Mindelo foram inauguradas em 1983.[42]

Os principais portos são Mindelo e Praia, mas todas as outras ilhas possuem instalações portuárias menores. Além do aeroporto internacional em Sal, aeroportos foram construídos em todas as ilhas habitadas. Todos os aeroportos, com exceção dos de Brava e Santo Antão, contam com voos regulares. O arquipélago possui 3 050 km (1 895 mi) de estradas, das quais 1.010 quilómetros são pavimentadas, a maioria usando paralelepípedos.[42]

A política de vistos de Cabo Verde exige a obtenção de visto para turistas da maior parte do mundo.[65] Foi implementada uma isenção de visto para cidadãos da União Europeia,[66] cidadãos dos Estados Unidos e do Canadá, e cidadãos de países europeus fora do Espaço Schengen, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2019.[67][68][69]

Infraestrutura

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A taxa de mortalidade infantil entre crianças de 0 a 5 anos é de 15 por mil nascidos vivos, de acordo com os dados mais recentes (2017) do Instituto Nacional de Estatística,[70] enquanto a taxa de mortalidade materna é de 42 mortes por 100 mil nascidos vivos. A taxa de prevalência de VIH/SIDA entre cabo-verdianos de 15 a 49 anos é de 0,8%.[71]

Uma clínica de saúde numa zona residencial da Praia

Segundo os dados mais recentes (2017) do Instituto Nacional de Estatística, a esperança de vida ao nascer é de 76,2 anos; ou seja, 72,2 anos para homens e 80,2 anos para mulheres. Existem seis hospitais: dois hospitais centrais (Praia e Mindelo) e quatro hospitais regionais (em Santa Catarina, São Antão, Fogo e Sal). Além disso, existem 28 centros de saúde, 35 centros de saneamento e diversas clínicas privadas.[70]

A população está entre as mais saudáveis da África. Desde a sua independência, o país melhorou significativamente os seus indicadores de saúde. Além de ter sido promovido ao grupo de países de "desenvolvimento médio" em 2007, saindo da categoria de país subdesenvolvido (tornando-se o segundo país a fazê-lo),[72] em 2020, era o 11º país mais bem classificado da África no seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A despesa total em saúde representava 7,1% do PIB (2015). Cabo Verde ocupa a 48ª posição entre 127 países com dados suficientes, com um Índice Global da Fome de 9,2, indicando baixa incidência de fome.[73]

Educação

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Liceu Domingos Ramos na Ilha de Santiago

Cabo Verde possui um dos melhores sistemas educacionais da África, classificado em 8º lugar pelo Fórum Mundial de Educação em 2023.[74] Embora o sistema educacional seja semelhante ao português, ao longo dos anos as universidades locais têm adotado cada vez mais o sistema educacional americano; por exemplo, todas as dez universidades existentes oferecem cursos de bacharelado de quatro anos, em oposição aos cursos de bacharelado de cinco anos que existiam antes de 2010. O ensino fundamental é obrigatório e gratuito para crianças entre 6 e 14 anos de idade.[75]

Em 2011, a taxa líquida de matrícula no ensino fundamental era de 85%.[75][76] Aproximadamente 91% da população total com mais de 15 anos é alfabetizada,[77] e cerca de 25% da população possui diploma universitário;[78] um número significativo desses graduados universitários possui doutorado em diferentes áreas acadêmicas. Livros didáticos foram disponibilizados para 90% dos alunos, e 98% dos professores participaram de treinamentos continuados.[75] Embora a maioria das crianças tenha acesso à educação, alguns problemas persistem.[75] Por exemplo, há gastos insuficientes com material escolar, merenda e livros.[75]

Universidade de Cabo Verde

Em outubro de 2016, havia 69 escolas de ensino médio (incluindo 19 escolas particulares) e pelo menos 10 universidades. Em 2015, 23% da população havia frequentado ou concluído o ensino médio. No que diz respeito ao ensino superior, 9% dos homens e 8% das mulheres possuíam diploma de bacharelado ou haviam frequentado a universidade. O gasto total com educação foi de 5,6% do PIB (2010). O número médio de anos de escolaridade entre adultos com mais de 25 anos era de 12. Essas tendências se mantiveram em 2017. Cabo Verde se destaca na África Ocidental pela qualidade e inclusão de seu sistema de ensino superior. Em 2017, um em cada quatro jovens frequentava a universidade e um terço dos estudantes optou por áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática.[79] As mulheres representavam um terço dos alunos, mas dois terços dos formandos em 2018.[79]

Ciência e tecnologia

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Em 2011, Cabo Verde destinou apenas 0,07% do seu PIB à investigação e desenvolvimento, uma das taxas mais baixas da África Ocidental. O Ministério do Ensino Superior, da Ciência e da Cultura planeia reforçar os setores da investigação e do ensino superior, dando ênfase a uma maior mobilidade, através de programas de intercâmbio e acordos de cooperação internacional. Como parte desta estratégia, Cabo Verde participa no programa de mobilidade académica ibero-americana, que prevê mobilizar 200 mil académicos entre 2015 e 2020.[80] Cabo Verde ficou classificado em 95.º lugar no Índice Global de Inovação em 2025.[81][82]

Escola de Negócios e Tecnologias de Cabo Verde

Cabo Verde contava com 25 investigadores em 2011, uma densidade de 51 investigadores por milhão de habitantes. A média mundial era de 1.083 por milhão em 2013. Todos os 25 investigadores trabalhavam no setor público em 2011 e um em cada três eram mulheres (36%). Não havia investigação em curso nas áreas das ciências médicas ou agrícolas. Dos oito engenheiros envolvidos em investigação e desenvolvimento, um era mulher. Três dos cinco investigadores que trabalhavam nas ciências naturais eram mulheres, assim como três dos seis cientistas sociais e dois dos cinco investigadores das ciências humanas.[80]

Em 2015, o governo anunciou um projeto para construir um parque tecnológico para negócios, pesquisa e desenvolvimento. Denominado TechPark Cabo Verde, as operações começaram em 2023 e o parque tecnológico foi inaugurado oficialmente em 2025.[83] O projeto é financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento e pelo governo de Cabo Verde. O objetivo da iniciativa, segundo o Ministro das Finanças, Olavo Correia, é "atrair grandes empresas internacionais para se instalarem [a fim de] ajudar as empresas locais e as startups a tornarem-se mais competitivas".[84]

Cabo Verde tem uma alta taxa de penetração da Internet e um mercado de telefonia móvel em crescimento. O governo investiu na melhoria da infraestrutura de TI e criou uma série de iniciativas para promover o desenvolvimento da economia digital. A economia digital tem o potencial de criar empregos, impulsionar o crescimento econômico e melhorar a qualidade de vida.[85]

Transportes

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Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na Ilha do Sal.

A maioria dos transportes em Cabo Verde é feito de avião. Existem voos regulares entre as principais ilhas (Santiago, Sal e São Vicente), com voos menos frequentes para as outras ilhas. O transporte de barcos também está disponível, embora não seja amplamente utilizado. Nas principais cidades, o transporte público por autocarro é periódico e táxis são comuns. Os principais aeroportos do país são o Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na Ilha do Sal; o Aeroporto Internacional Nelson Mandela, na Ilha de Santiago; o Aeroporto Internacional Aristides Pereira, na Ilha da Boa Vista; e o Aeroporto de São Pedro, na Ilha de São Vicente.[20]

A maioria das estradas cabo-verdianas são pavimentadas e cortadas através do basalto local. Com ajuda internacional, muitas estradas foram asfaltadas, como a rodovia entre Praia-Tarrafal e Praia-Cidade Velha.[20]

Mindelo, na Ilha de São Vicente, é o principal porto de cruzeiros e o terminal para o serviço de ferryboats para Santo Antão. Praia, na Ilha de Santiago, é um centro principal para serviços de ferryboats para outras ilhas. Palmeira, na Ilha do Sal, fornece combustível para o principal aeroporto da ilha, o Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, e é importante para a construção de hotéis na ilha. Porto Novo, em Santo Antão, é a única fonte de importação e exportação de produtos da ilha, bem como o tráfego de passageiros, desde o encerramento da pista de pouso em Ponta do Sol. Existem portos menores espalhados pelo país.[20]

Os cabo-verdianos são um povo muito musical; este grupo de Chã das Caldeiras é um exemplo disso.

A cultura de Cabo Verde caracteriza-se por uma mistura de elementos africanos e europeus; enquanto a língua e a religião são de origem europeia, vários outros aspetos, como a dança e a música, constituem uma fusão única do património cultural dos dois continentes. Jogos de futebol e atividades religiosas são fontes típicas de interação social e entretenimento.[20] O passeio tradicional pela praça da cidade encontrar-se com amigos é uma prática comum nas cidades cabo-verdianas.[20]

Cesária Évora, cantora cabo-verdiana

O povo cabo-verdiano é conhecido pela sua musicalidade, bem expressa por manifestações populares como o Carnaval de Mindelo. A música cabo-verdiana incorpora influências africanas, portuguesas e brasileiras.[86] A música nacional é a morna, uma forma de canção melancólica e lírica tipicamente cantada em crioulo cabo-verdiano. O género musical mais popular depois da morna é a coladeira, seguido pelo funaná e pelo batuque. Cesária Évora foi a cantora cabo-verdiana mais conhecida no mundo, conhecida como a "diva descalça", porque gostava de atuar descalça no palco. Era também chamada de "Rainha da Morna"[87] em contraste com o seu tio Bana, que era chamado de "Rei da Morna". A experiência da diáspora cabo-verdiana reflete-se em muitas expressões artísticas e culturais, como a canção Sodade de Évora.[88]

Outro grande expoente da música tradicional cabo-verdiana foi António Vicente Lopes, mais conhecido como Travadinha, e Ildo Lobo, que faleceu em 2004. A Casa da Cultura, no centro da cidade da Praia, chama-se Casa da Cultura Ildo Lobo em sua homenagem.[89]

Literatura

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Fundação Amílcar Cabral, na Praia

A literatura cabo-verdiana é uma das mais ricas da África Lusófona. Os poetas incluem Paulino Vieira, Manuel de Novas, Sergio Frusoni, Eugénio Tavares, e B. Léza, e os autores incluem Baltasar Lopes da Silva, António Aurélio Gonçalves, Manuel Lopes, Orlanda Amarílis, Henrique Teixeira de Sousa, Arménio Vieira, Germano Almeida, entre outros. O primeiro romance escrito por uma mulher de Cabo Verde foi A Louca de Serrano, de Dina Salústio; sua tradução, como The Madwoman of Serrano, foi a primeira tradução de um romance cabo-verdiano para o inglês.[90][91]

Jornais de Cabo Verde incluindo Expresso das Ilhas, A Nação e

Nas cidades com eletricidade, a televisão está disponível em quatro canais; um estatal ( RTC – TCV) e três estrangeiros: RTI Cabo Verde, lançado pela RTI, com sede em Portugal, em 2005; Record Cabo Verde, lançado pela Rede Record, com sede no Brasil, em 31 de março de 2007; e, desde 2016, TV CPLP. Os canais premium disponíveis incluem as versões cabo-verdianas da Boom TV e da Zap Cabo Verde, dois canais pertencentes à Record do Brasil.[92]

O carnaval e a ilha de São Vicente são retratados no documentário de 2015 Tchindas, nomeado no 12º Prémio da Academia de Cinema Africana. Foi o local de filmagem do filme francês de 2023 Ama Gloria, de Marie Amachoukeli.[93]

Culinária

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Cachupa, prato típico do país.

A dieta de Cabo Verde é principalmente baseada em peixes e alimentos básicos como o milho e o arroz. Os vegetais disponíveis durante a maior parte do ano são batatas, cebolas, tomates, mandioca, repolho, couves e feijões secos. Frutas como bananas e papaias estão disponíveis durante todo o ano, enquanto outras, como mangas e abacates, são sazonais.[20]

Um prato popular servido em Cabo Verde é a cachupa, um cozido de milho, feijão e peixe ou carne. Um aperitivo comum é o pastel, geralmente recheado com carne ou peixe.[20]

Desportos

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A equipe de futebol nacional de Cabo Verde, apelidada de "Tubarões Azuis" ou "Crioulos", é a Seleção Cabo-Verdiana de Futebol e é controlada pela Federação Cabo-Verdiana de Futebol. A equipe jogou no Campeonato Africano das Nações em 2013, 2015, 2021 e 2023.[94]

Estádio Nacional de Cabo Verde

A Seleção Cabo-Verdiana de Futebol se classificou à Copa do Mundo FIFA de 2026, na fase de 32 avos de final, Cabo Verde enfrentou a Seleção Argentina de Futebol e perdeu por 3 a 2 após a prorrogação. Em uma partida amplamente elogiada pelo equilíbrio e pela competitividade, a equipe cabo-verdiana conseguiu igualar o placar em duas oportunidades, levando a atual campeã mundial ao tempo extra. O gol que definiu a classificação argentina ocorreu aos 111 minutos, em um gol contra após cobrança de escanteio. Apesar da eliminação, a campanha de Cabo Verde foi considerada histórica. Em sua primeira participação em uma Copa do Mundo, a seleção alcançou a fase eliminatória e tornou-se o menor país, em extensão territorial, a disputar e superar a fase de grupos do torneio, recebendo reconhecimento internacional pelo desempenho apresentado ao longo da competição.[95][96]

A formação desportiva mais bem sucedida do país é a Seleção Cabo-Verdiana de Basquetebol, que ganhou a medalha de bronze no Afrobasket de 2007 da FIBA,[97] depois de vencer o Egito em seu último jogo. Tendo também participado do campeonato do mundo. O jogador mais conhecido do país é Walter Tavares, que teve passagem pela NBA e hoje joga pelo Real Madrid da Espanha.[98]

Cabo Verde é famoso pelo windsurf e kiteboarding. Actualmente é realizada anualmente uma das etapas da GKA Kite-Surf World Cup na ilha do Sal. Mitu Monteiro é um dos kitesurfers cabo-verdianos mais conhecidos, tendo ganho o campeonato do mundo em 2008 na disciplina de ondas.[99]

Outro desporto muito popular no país é o andebol, tendo país participado em 3 campeonatos do mundo da modalidade.[100]

Feriados
Data Nome em português Observações
1 de JaneiroAno Novo 
13 de JaneiroDia da Democracia 
20 de JaneiroDia dos Heróis NacionaisAniversário da morte de Amílcar Cabral
variávelTerça-feira de CarnavalFesta móvel
variávelQuarta-feira de CinzasFesta móvel
variávelSexta-feira Santa, Paixão de CristoFesta móvel
1 de MaioDia do Trabalhador 
19 de MaioDia do Município da PraiaFeriado somente na capital, Praia
1 de JunhoDia Internacional da CriançaAntigo feriado, restabelecido em 2005
5 de JulhoDia da Independência 
15 de AgostoDia da Padroeira Nacional (N.ª Sr.ª das Graças)Dia do Município da Praia
1 de NovembroDia de Todos os Santos 
25 de DezembroNatal 

Ver também

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Referências

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