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Randall Davidson

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Barão Davidson de Lambeth
Arcebispo da Cantuária
Randall Davidson
Retrato formal, 1904
Informações
Diocese Diocese da Cantuária
Ordenado 12 de fevereiro de 1903
Antecessor Frederick Temple
Sucessor Cosmo Lang
Outro cargo - Bispo de Winchester (1895–1903)
- Bispo de Rochester (1891–1895)
- Deão de Windsor e capelão particular da Rainha Vitória (1883–1891)
Ordenação 1874 (diácono)
1875 (padre)
Consagração 25 de abril de 1891
por Edward White Benson
Nome completo Randall Thomas Davidson
Nascimento Edimburgo
7 de abril de 1848
Morte Londres
25 de maio de 1930 (82 anos)
Nacionalidade britânico
Denominação Igreja da Inglaterra
Progenitores Mãe: Henrietta Davidson
Pai: Henry Davidson
Cônjuge Edith Murdoch Tait

Randall Thomas Davidson, Barão Davidson de Lambeth GCVO PC (7 de abril de 1848 – 25 de maio de 1930) foi um bispo anglicano que serviu como Arcebispo da Cantuária de 1903 a 1928. Ele foi o detentor do cargo por mais tempo desde a Reforma Inglesa e o primeiro a renunciar a ele. Após a renúncia, foi feito par vitalício.[1][2]

Biografia

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Davidson nasceu em Edimburgo em 7 de abril de 1848, o mais velho dos quatro filhos de Henry Davidson, um próspero comerciante de grãos, e sua esposa Henrietta, nascida Swinton. Seus pais eram presbiterianos da Igreja da Escócia – o pai, o avô e o bisavô de Henry eram ministros presbiterianos.[1][2][3] A família era, no entanto, nas palavras de Davidson, "muito não denominacional" e ele não se recordava de ter recebido "nenhum ensinamento sobre religião, seja episcopal ou presbiteriana"; em vez disso, sua experiência religiosa inicial foi "totalmente pessoal, bela em sua simplicidade".[3]

Ele foi educado por sua mãe[3] até 1862, quando, aos 14 anos, Davidson tornou-se aluno da Harrow School, uma escola anglicana em Harrow.[2][4] Na escola, ele participou das aulas de confirmação. A escarlatina o impediu de ser confirmado junto com os outros meninos de Harrow, e ele foi confirmado em junho de 1865 na Igreja de São Jorge, em Hanover Square, pelo Bispo de Londres, Archibald Campbell Tait, um amigo de longa data de Henry Davidson.[1] Lá, conheceu Brooke Foss Westcott e tornaram-se amigos para a vida toda, passando a recorrer um ao outro em busca de conselhos.[4]

Nas férias de verão de 1866, antes de seu último ano em Harrow, enquanto caçava coelhos com seu irmão e um amigo, Davidson foi acidentalmente atingido por um tiro na parte inferior das costas. O ferimento foi grave e por pouco não foi fatal; ele se recuperou lentamente, mas o acidente o afetou pelo resto de sua vida.[1][4]

Em 1867, ingressou no Trinity College, Oxford, onde formou-se em Direito e História Moderna em 1871.[2][3][5] Após a graduação, fez um curso em Londres com Charles Vaughan, Mestre do Temple, e foi ordenado em 1874.[3]

Ordenado sacerdote em 1875, Davidson tornou-se primeiro cura em Dartford, Kent e, a partir de maio de 1877, capelão residente do arcebispo da Cantuária, Archibald Campbell Tait.[2][5][6] Sua proximidade com Tait vinha desde Oxford, onde ficou próximo de Crauford Tait, filho do arcebispo.[3]

Em 12 de novembro de 1878, Davidson casou-se com Edith Murdoch Tait, a segunda filha do Arcebispo, de dezenove anos.[2] Cosmo Lang, amigo de Davidson e seu eventual sucessor na Cantuária, descreveu o casamento como uma "união perfeita de mente e espírito". Edith Davidson ficou conhecida como uma anfitriã graciosa e uma esposa dedicada. Não houve filhos do casamento.[1]

Nos quatro anos seguintes, Davidson desempenhou um papel cada vez mais influente no Palácio de Lambeth. Ele passou a conhecer profundamente a mente de Tait, e o arcebispo depositou total confiança em seu genro, delegando-lhe cada vez mais responsabilidades. Davidson liderou a defesa de Tait na controvérsia de 1881 entre os defensores da alta igreja e os oponentes evangélicos do ritualismo; em 1882, ele desempenhou um papel importante ao desencorajar as investidas anglicanas ao Exército da Salvação, uma organização na qual ele acreditava que muito poder estava nas mãos de seu general.[1]

Após a morte do arcebispo, logo conquistou a confiança da Rainha Vitória e, aos 34 anos, Davidson se tornou o confidente de confiança da rainha de 63 anos e seu capelão.[1][2][6] A influência real garantiu-lhe a nomeação como deão de Windsor em maio de 1883.[2][5][6] O Deão Davidson alcançou “uma confiança extraordinária” e “incomum” da rainha, dando conselhos sobre assuntos da Igreja, que eram seguidos por ela. Porém, Davidson não conseguiu a mesma confiança dos sucessores da rainha.[7]

Bispo Davidson, 1902, na Vanity Fair

Davidson foi nomeado Bispo de Rochester em 1891.[5][6] Na Abadia de Westminster, em 25 de abril de 1891, o arcebispo Benson o consagrou como bispo.[8] Onze dias depois, Davidson adoeceu gravemente devido a uma úlcera perfurada e ficou confinado à sua casa em Kennington por seis meses.[1] Sua entronização na Catedral de Rochester teve que ser adiada até outubro, quando ele pôde retomar seu trabalho.[9]

Ele associou-se aos esforços de seu amigo, o arcebispo Benson, para impedir que o Visconde Halifax negociasse com a Santa Sé o reconhecimento de ordens anglicanas.[5]

Em 1895, Davidson aceitou a transferência para a diocese predominantemente rural de Winchester, onde a carga de trabalho era menos onerosa. Ele retomou seu contato regular com a Rainha, que passava muito tempo na diocese, em Osborne House, na Ilha de Wight.[1][2]

O novo bispo se envolveu em uma disputa religiosa envolvendo o padre irlandês Robert Dolling, de tradição anglo-católica, que havia instalado um altar extra em sua igreja em Landport, para poder presidir missas pelos mortos. Davidson negou-lhe a licença, mas também minimizou a questão, pois não queria ser lembrado como o bispo que efetivamente expulsou o grupo da Alta Igreja da Igreja da Inglaterra.[2]

Com a morte do arcebispo Benson em 1896 e sua sucessão por Frederick Temple, até então Bispo de Londres, a Rainha vetou uma proposta de oferta do bispado vago de Londres a Davidson, alegando que sua saúde não o suportaria.[1][2] Temple, ao contrário dos arcebispos Tait e Benson, não confiava em Davidson, mantendo-o distante dos assuntos da Igreja em âmbito nacional.[2]

Como Lorde Espiritual na Câmara dos Lordes desde 1895, ele discursou frequentemente, particularmente sobre temas como educação, proteção infantil, licenciamento de álcool e horário de trabalho em lojas.[2][10]

A rainha faleceu em Osborne House, em 22 de janeiro de 1901, e o Bispo Davidson esteve com ela no fim, junto ao futuro rei, Eduardo, e ao kaiser Guilherme II, neto de Vitória.[7] Ele também desempenharia um papel importante nos preparativos para seu funeral de Estado.[2] Em 12 de março, o novo rei o nomeou Escrivão do Gabinete Ordinário de Sua Majestade.[11]

Arcebispo da Cantuária

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Quatro meses após a coroação do Rei Eduardo VII, que ocorrera em agosto de 1902, o Arcebispo Temple faleceu e o primeiro-ministro Arthur Balfour nomeou Davidson como seu sucessor.[10] O então Bispo de Winchester tinha sido um colaborador fundamental na coroação, organizando a ordem da cerimônia e atuando como elo de ligação entre os palácios de Buckingham e de Lambeth.[2] Se em 1896 ele era um dos três candidatos sendo considerados para o Arcebispado, em 1902, Davidson era o único. Ele foi uma escolha geralmente popular, exceto entre os anglo-católicos mais militantes.[4]

Em agosto de 1904, Davidson, acompanhado de sua esposa, viajou para os Estados Unidos para participar da convenção trienal da Igreja Episcopal; ele foi o primeiro Arcebispo da Cantuária a visitar os Estados Unidos.[4] Ele conheceu muitos líderes religiosos nos Estados Unidos e no Canadá e estabeleceu laços mais estreitos entre as igrejas anglicanas da Inglaterra e da América do Norte.[12]

Davidson procurou reconciliar os extremistas nas disputas entre 1902 e 1906 sobre o ensino religioso nas escolas e a quantidade de rituais apropriada para os cultos. Seu discurso na Câmara dos Lordes foi decisivo para persuadir outros bispos anglicanos a apoiarem o esforço do primeiro-ministro H. H. Asquith para limitar os poderes daquela casa, o que foi finalmente concretizado por um projeto de lei aprovado em 1911.[6]

Na Conferência de Lambeth que ele presidiu em 1908, houve o desejo dos bispos pela unidade cristã, atraindo o interesse público. As resoluções demonstraram uma vontade de reunificação, mas também uma cautela em relação a qualquer passo dado em direção aos não conformistas que pudesse destruir a possibilidade de uma reunificação final com as igrejas Católica Romana ou Ortodoxa.[4]

Em 1911, o arcebispo Davidson coroou o rei Jorge V e a rainha Maria.[4]

Como muitos ingleses, em 1914, o arcebispo acreditava que a guerra com a Alemanha podia ser evitada. Ele procurou agir para que a Igreja da Inglaterra unisse e apoiasse a nação durante todo o período de guerra e impedisse a deterioração dos padrões morais. Devido à influência de membros proeminentes do governo e do parlamento, ele exerceu certo grau de influência, além de ter voz em diversas conversas e decisões relativas ao conflito. Nos primeiros meses da guerra, ele era procurado por membros de sua diocese para aconselhamento e, graças a seus contatos no governo, oferecia diretrizes de emergência.[13]

Davidson "nunca se deixou levar pelas denúncias desenfreadas e pela aprovação histérica da guerra que alguns eclesiásticos proferiram".[4] Ele criticou o uso do que considerava métodos imorais de guerra por parte dos britânicos. Algumas de suas críticas foram públicas, e ele foi duramente atacado por elas.[1] Em 1916, ele atravessou para a França para uma visita de oito dias às tropas combatentes na frente ocidental.[4]

Quando presidiu a Conferência de Lambeth de 1920, ele incentivou laços mais estreitos com as igrejas ortodoxas orientais.[2][6] Essas atividades ajudaram a aumentar a influência da Igreja da Inglaterra no exterior, e missionários frequentemente buscavam o conselho de Davidson.[6] Embora suas propostas para a revisão do Livro de Oração Comum tenham sido rejeitadas pela Câmara dos Comuns em 1927 e novamente em 1928,[5] ele foi fundamental como presidente da Assembleia da Igreja, criada em 1919, e ajudou a guiá-la durante seus primeiros anos.[6]

Monumento a Davidson na Catedral de Canterbury

Aposentadoria

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Em junho de 1928, Davidson anunciou sua aposentadoria, com efeito a partir de 12 de novembro.[14] Ele havia servido como Arcebispo da Cantuária por mais tempo do que qualquer outro desde a Reforma.[1] Ele foi o primeiro ocupante do cargo a se aposentar[15] e, para lidar com esse evento sem precedentes, o Rei nomeou uma comissão de quatro homens para aceitar a renúncia formal de Davidson.[14] Com sua aposentadoria, ele foi criado Barão Davidson de Lambeth e foi apresentado na Câmara dos Lordes em 14 de novembro por Lord Harris e Lord Stamfordham.[16]

Ele morreu em 25 de maio de 1930, aos 82 anos. Davidson foi sepultado em 30 de maio, no pátio do claustro da Catedral da Cantuária.[2][17][18] Seu memorial na Catedral é estritamente um cenotáfio, com sua efígie reclinada em bronze — de autoria do escultor australiano Cecil Thomas; Davidson usa uma capa pluvial e concede a bênção, sobre um leito de pedra de Hopton Wood. Os brasões ao redor representam as dioceses onde ele serviu como bispo.[18]

Sua viúva morreu em junho de 1936 e foi sepultada com ele.[19]

As honras e nomeações de Davidson incluíram: Prelado da Ordem da Jarreteira (1895–1903); Cavaleiro Comendador da Real Ordem Vitoriana (1902); Conselheiro Privado (1903); Cavaleiro Grã-Cruz da Real Ordem Vitoriana (1904); Real Colar Vitoriano (1911); Grã-Cruz da Real Ordem do Salvador (Grécia, 1918); Grã-Cruz da Ordem da Coroa (Bélgica, 1919); Ordem de São Sava, Primeira Classe (Sérvia, 1919); e Cidadão Honorário da Cidade de Londres (1928).[20]

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 «Davidson, Randall Thomas, Baron Davidson of Lambeth (1848–1930), archbishop of Canterbury». Oxford Dictionary of National Biography (em inglês). doi:10.1093/ref:odnb/9780198614128.001.0001/odnb-9780198614128-e-32733. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2022
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 «The Archbishop of Canterbury who survived being shot». Great British Life (em inglês). Cópia arquivada em 23 de abril de 2025
  3. 1 2 3 4 5 6 «The Famous Faces of Clan Davidson». ScotlandShop (em inglês). Consultado em 31 de maio de 2026
  4. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 «Death of Lord Davidson – Archbishop for 25 Years – A Wise Leader». The Times: 15-16. 26 de maio de 1930
  5. 1 2 3 4 5 6 «Davidson, Randall Thomas | Encyclopedia.com». www.encyclopedia.com. Consultado em 31 de maio de 2026
  6. 1 2 3 4 5 6 7 8 «Randall Thomas Davidson, Baron Davidson». Encyclopedia Britannica (em inglês). Cópia arquivada em 6 de outubro de 2025
  7. 1 2 Wilson, P. w (26 de janeiro de 1936). «Portrait of an Anglican Prelate». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331
  8. «Consecration of New Bishops». The Times: 6. 27 de abril de 1891
  9. «Enthronement of the Bishop of Rochester». The Morning Post: 3. 23 de outubro de 1891
  10. 1 2 «New Archbishop of Canterbury». The Times: 8. 9 de janeiro de 1903
  11. «Biography of Archbishop Randall Davidson 1848-1930». www.allabouthistory.co.uk (em inglês). Consultado em 31 de maio de 2026
  12. «The Archbishop of Canterbury». The Times: 9. 22 de outubro de 1904
  13. «Archbishop Davidson and the First World War – Outbreak of War». A Monument of Fame (em inglês). 21 de novembro de 2014. Consultado em 31 de maio de 2026
  14. 1 2 «The Primate». The Times: 14. 26 de julho de 1928
  15. Collinson, Patrick (1 de janeiro de 1979). Archbishop Grindal, 1519-1583: The Struggle for a Reformed Church (em inglês). [S.l.]: University of California Press. ISBN 978-0-520-03831-8. Consultado em 30 de maio de 2026
  16. «The Primate». The Times: 16. 13 de novembro de 1928
  17. «Obituary for Randall Thomas Davidson». Lafayette, Indiana. Journal and Courier. 15 páginas. 26 de maio de 1930
  18. 1 2 «Davidson, Archbishop (biog) – Canterbury Historical and Archaeological Society» (em inglês). Consultado em 31 de maio de 2026
  19. «Death of Lady Davidson of Lambeth». The Times: 14. 27 de junho de 1936
  20. «Davidson of Lambeth, 1st Baron, (Most Rev. Randall Thomas Davidson) (7 April 1848–25 May 1930) | WHO'S WHO & WHO WAS WHO» (em inglês). doi:10.1093/ww/9780199540891.001.0001/ww-9780199540884-e-208346. Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2019
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