Free-to-view
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Free-to-view (FTV) é um termo utilizado para transmissões audiovisuais oferecidas gratuitamente, sem qualquer tipo de assinatura contínua. Diferencia-se do free-to-air (FTA) pelo fato da programação ser transmitida de forma criptografada.
Free-to-view vs. free-to-air
[editar | editar código]O sistema free-to-view contrasta com o free-to-air (FTA), no qual os sinais são transmitidos em claro, sem criptografia, e podem ser recebidos por qualquer pessoa com uma antena parabólica adequada e um receptor compatível com DVB (embora esses serviços possam incluir serviços de dados criptografados proprietários, como um EPG disponível apenas para equipamentos de recepção fabricados para ou autorizados pela emissora FTA). Os serviços de free-to-view são transmitidos de forma criptografada e só podem ser assistidos com equipamentos de recepção que incluam um módulo de acesso condicional adequado e um cartão de visualização, da mesma forma que um serviço de televisão por assinatura via satélite. No entanto, o cartão de visualização do serviço FTV não está sujeito a um pagamento de assinatura contínua para assistir aos canais do serviço e pode estar disponível por uma taxa regular, um pagamento único ou até mesmo gratuitamente.
Os serviços que cobram uma taxa regular pela recepção ainda podem ser considerados free-to-view, e não de televisão por assinatura, se a taxa não for pelo conteúdo da programação, mas pela transmissão. Por exemplo, o serviço HD+ na Alemanha, que transmite versões em HD de canais que também estão disponíveis em definição padrão na TV aberta, defendeu sua taxa de serviço afirmando que ela "está relacionada à recepção da oferta e não a conteúdos, partes ou pacotes específicos da oferta".[1]
Restrições comerciais e segmentação
[editar | editar código]O sistema free-to-view permite restringir o acesso com base na localização do telespectador. Por exemplo, no Reino Unido, antes do lançamento do Astra 2D, os canais britânicos que transmitiam a partir dos satélites Astra 28,2°E utilizavam um feixe amplo e podiam ser captados em toda a Europa por meio de antenas parabólicas de pequeno porte. Os canais que não exigiam assinatura, mas eram direcionados exclusivamente ao Reino Unido, ou cuja transmissão fora do Reino Unido era restringida por direitos de programação (como o Channel 5) ou por regulamentação (como os canais da BBC), eram transmitidos de forma criptografada usando o Videoguard (utilizado pela Sky (UK) para seus serviços de TV paga), com cartões de acesso disponibilizados apenas para residentes do Reino Unido.[2]
O lançamento do Astra 2D, com um feixe de transmissão direcionado exclusivamente para o Reino Unido e a Irlanda, permitiu que os canais britânicos passassem da transmissão free-to-view para a free-to-air, mantendo sua exclusividade no Reino Unido. O declínio da transmissão free-to-view no Reino Unido em favor da transmissão free-to-air com feixe estreito tem sido gradual:
- Os oito canais digitais da BBC foram criptografados sob esse esquema desde seu lançamento no satélite digital até 14 de julho de 2003, quando passaram a ser free-to-air.
- Pouco depois disso, a ITV declarou sua intenção de passar a ser free-to-air eventualmente e lançou seu mais novo canal, o ITV3, em sinal aberto em 1º de novembro de 2004.
- Em seguida, a ITV transferiu seu canal Men & Motors para o FTA em julho de 2005.
- Essa transição gradual foi concluída em 1º de novembro de 2005, quando o ITV1 e o ITV2 passaram a ser transmitidos em FTA. O mais novo canal da ITV, o ITV4, foi lançado na mesma época, também como serviço free-to-air. Todos os canais da BBC e da ITV, naquele momento, podiam ser assistidos em FTA, sem qualquer assinatura ou compra da Sky.
- No entanto, em junho de 2008, alguns canais regionais da ITV foram novamente criptografados devido ao término de um de seus acordos de transponder de feixe estreito.
- Em abril de 2011, o Channel 4 HD, em alta definição, passou de canal free-to-view para free-to-air (ao migrar para um transponder no Eurobird).
- Em 1º de dezembro de 2011, os canais 5USA, 5USA+1, 5* e 5*+1 passaram a ser free-to-air depois de migrar para o Astra 1N.
- Em 6 de junho de 2012, os canais Pick TV e Pick TV +1 passaram a ser free-to-air.
- Em outubro de 2012, as últimas regiões em free-to-view do ITV1, ITV1 +1 e ITV1 HD passaram a ser em free-to-air.
- Em 25 de março de 2013, o Viva passou a ser em free-to-air.
- Em 28 de outubro de 2013, o Channel 5 HD deixou de ser free-to-view e passou a ser um canal por assinatura na plataforma de satélite digital Sky, deixando de existir como canal.
- A LFC TV deixou de ser free-to-view para ser somente por assinatura na Sky.
- Em 7 de fevereiro de 2017, o 4Music tornou-se free-to-air, embora tenha voltado a ser free-to-view em 12 de dezembro de 2018, mas posteriormente tornou-se free-to-air novamente em 1º de fevereiro de 2022.
Os canais restantes voltados exclusivamente para o Reino Unido que utilizam os satélites Astra a 28,2°E com um feixe de cobertura europeia e continuam sendo free-to-view e criptografados são os regionais STV HD (Dundee e Edimburgo) e o London TV; eles podem ser assistidos com um receptor Sky Videoguard e um cartão de acesso Sky, seja um cartão antigo inativo da TV por assinatura da Sky ou um cartão do pacote Freesat from Sky, adquirido mediante o pagamento de uma taxa única.[3]
Redes free-to-view
[editar | editar código]- Freesat from Sky
Um serviço de satélite britânico da Sky (Reino Unido) que oferecia 240 canais de TV em free-to-air e em free-to-view, além do Guia Eletrônico de Programação (EPG) da Sky, mediante um pagamento único pelo receptor Sky, antena parabólica, instalação e cartão de acesso.[4]
- Freesat from Everyone TV
Um serviço de satélite britânico da Everyone TV que oferece 170 canais de TV em free-to-air e em free-to-view, além do Guia Eletrônico de Programação (EPG), mediante um pagamento único pelo receptor, antena parabólica, instalação e cartão de acesso.[5]
- HD+
Um pacote de 21 canais de TV digital via satélite em alta definição para telespectadores de língua alemã e uma empresa subsidiária da SES, proprietária do satélite, com uma taxa mensal ou anual para o cartão de acesso.
- Viewer Access Satellite Television
Plataforma australiana de televisão via satélite que fornece serviços de TV e rádio digitais para áreas remotas e rurais, bem como para pontos sem cobertura terrestre. A VAST é parcialmente financiada pelo Governo Australiano e requer um decodificador certificado e um cartão de acesso.[6][7]
- Fransat
Um pacote composto principalmente por canais em HD transmitido para residentes na França que não conseguem receber os canais de TV digital terrestre. Pode ser recebido em toda a Europa pelo Eutelsat 5WA, posição histórica da TV aberta francesa. O cartão de visualização não tem validade.[8]
- Tivùsat
Pacote italiano de 68 canais de satélite em free-to-air e em free-to-view para telespectadores que não conseguem recebê-los nas redes nacionais de TV terrestre. Requer um receptor Nagravision e um cartão de visualização.[9]
- TNTSAT
Assim como o Fransat, o TNTSAT transmite todos os canais em HD da televisão digital terrestre gratuita francesa. O TNTSAT é transmitido pelo grupo Canal+ em sua posição principal, o Astra 1. O cartão de visualização deve ser renovado a cada 4 anos. Os equipamentos compatíveis com o TNTSAT também são compatíveis com a TV por assinatura CANALSAT.
- Tricolor TV
Serviço de TV via satélite russo que opera parcialmente no modelo free-to-view.
- SAT HD Regional
Serviço de TV via satélite brasileiro do Grupo Globo e da Claro Brasil.[10][11] Pode ser recebido em todo o Brasil pelo Star One D2.
- Nova Parabólica
Serviço de TV via satélite brasileiro da SKY Brasil.[12] Pode ser recebido em todo o Brasil pelo Sky Brasil-1 (também chamado de Intelsat 32e).
- MagicTV
Serviço chileno de TV via satélite da Ríos y Compañía SpA.[13] Pode ser recebido em todo o Chile pelo Hispasat 74W-1.
Serviço de TV via satélite português da MEO para telespectadores que não conseguem sintonizar as emissoras nas redes nacionais de TV aberta. Requer um receptor Nagravision e um cartão de acesso.[14][15] Pode ser recebido em todo o território de Portugal pelo Hispasat 30W-5 (também chamado de Hispasat 1E).
Referências
- ↑ Briel, Robert (10 de setembro de 2009). «Kayser rebuffs critics of HD+ platform». Broadband TV News (em inglês). Consultado em 7 de abril de 2026
- ↑ Bains, Geoff (Fevereiro de 2012). «Flight of the Big Birds». What Satellite & Digital TV (em inglês). p. 29
- ↑ «List of Freesat from Sky channels» (em inglês). Consultado em 7 de abril de 2026. Arquivado do original em 22 de dezembro de 2011
- ↑ «Why choose Freesat from Sky?». The Communications Market: Digital Progress Report – Digital TV, Q1 2011 (em inglês). BSkyB. 11 de dezembro de 2011. Consultado em 8 de abril de 2026. Arquivado do original em 22 de dezembro de 2011
- ↑ «About us - Freesat» (em inglês). Freesat UK. Consultado em 7 de abril de 2026
- ↑ «MyVAST - Viewer Access Satellite Television» (em inglês). myvast.com.au. Consultado em 7 de abril de 2026. Cópia arquivada em 25 de março de 2012
- ↑ «ServiceNow Networks & OWS» (em inglês). Consultado em 8 de abril de 2026. Cópia arquivada em 26 de janeiro de 2014
- ↑ «FRANSAT - TV, TNT par satellite : toutes nos offres». www.fransat.fr (em francês). Consultado em 7 de abril de 2026. Cópia arquivada em 13 de julho de 2024
- ↑ «What tivùsat is». www.tivusat.tv (em inglês). Consultado em 7 de abril de 2026
- ↑ «SATHD». redeglobo.globo.com. Consultado em 7 de abril de 2026. Cópia arquivada em 27 de julho de 2024
- ↑ «SAT HD Regional imagem em alta definição na sua TV, pela parabólica». Claro Empresas. Consultado em 8 de abril de 2026. Cópia arquivada em 6 de abril de 2026
- ↑ «Nova Parabólica». www.novaparabolica.com.br. Consultado em 7 de abril de 2026. Cópia arquivada em 26 de maio de 2024
- ↑ «Quienes somos». magictv.cl (em espanhol). Consultado em 7 de abril de 2026. Cópia arquivada em 1 de outubro de 2023
- ↑ «Informação de suporte». tdt.telecom.pt. Consultado em 7 de abril de 2026
- ↑ «Como aceder à TDT». anacom-consumidor.pt. Consultado em 7 de abril de 2026