Alexander McQueen
| Alexander McQueen | |
|---|---|
Alexander McQueen (17 de março de 1969 – 11 de fevereiro de 2010), estilista britânico em sua coleção de outono de 2009. | |
| Nome completo | Lee Alexander McQueen |
| Pseudônimo(s) | Alexander McQueen |
| Nascimento | 17 de março de 1969 |
| Morte | |
| Nacionalidade | britânico |
| Etnia | escocês |
| Sepultamento | Kilmuir, Ilha de Skye, Highland, Escócia, Reino Unido[9][10] |
| Cônjuge | George Forsyth (c. 2000; m. 2001)[11][12][13][14] |
| Educação | |
| Ocupação | |
| Organizações | |
| Prêmios | Lista
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| Cargo |
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| Website | alexandermcqueen |
Lee Alexander McQueen (Lewisham, 17 de março de 1969 – Mayfair, 11 de fevereiro de 2010) foi um estilista britânico, reconhecido por seu trabalho inovador e por desfiles de forte impacto visual.[43] McQueen sucedeu John Galliano na Givenchy em 1996. Fazia parte do grupo formado por Galliano e Stella McCartney que estudaram na Central Saint Martins.[44]
No casamento de William, Príncipe de Gales e Catherine Middleton, a noiva usou um vestido da marca McQueen. Era branco off-white e foi criado por Sarah Burton, então diretora criativa.[45]
Biografia
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McQueen cresceu no East End de Londres; era o caçula de seis filhos de um taxista e de uma professora de estudos sociais e genealogista. Aos 16 anos, McQueen deixou a escola e foi trabalhar na alfaiataria Anderson & Sheppard, em Londres, onde confeccionava ternos para Mikhail Gorbachev e o Príncipe Charles. Após trabalhar para outros alfaiates e também como assistente de figurinista teatral, McQueen colaborou com o estilista japonês Koji Tatsuno, e posteriormente com o designer italiano Romeo Gigli, na Itália. Em 1992, McQueen lançou um modelo de calças que reinterpretava o corte tradicional da peça. Chamadas de bumsters, as calças possuíam uma cintura extremamente baixa, que expunha parte da região dos quadris e do início das nádegas. O design chamou atenção imediata da mídia e contribuiu para o reconhecimento inicial do estilista. Em seguida, retornou a Londres, onde ingressou na Central Saint Martins, entre 1990 e 1992.
Durante seus estudos, apresentou um desfile como parte de sua dissertação de mestrado, que chamou a atenção da estilista londrina Isabella Blow. Impressionada com o trabalho, Blow adquiriu integralmente a coleção de estreia de McQueen.[46]
McQueen era abertamente gay. No verão de 2000, casou com o documentarista George Forsyth.[47]
Estilo
[editar | editar código]Alexander McQueen é conhecido pela intensidade emocional de suas criações e pelo uso de materiais e referências que combinam elementos contrastantes. Suas coleções frequentemente exploram a relação entre fragilidade e força, tradição e modernidade, bem como romantismo e uma abordagem contemporânea.
Seu trabalho também demonstra forte influência da tradição artística e do artesanato, refletindo um profundo respeito pelas técnicas históricas. As coleções de McQueen combinam a alfaiataria britânica sob medida, o acabamento refinado da alta-costura francesa e a precisão da manufatura italiana.[48][49]
Carreira
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Em menos de uma década, Alexander McQueen consolidou-se como um dos estilistas mais influentes da moda contemporânea. Em outubro de 1996, foi nomeado diretor criativo da Givenchy Haute Couture, cargo que ocupou até março de 2001.[50]
Em dezembro de 2000, o grupo Gucci adquiriu 51% da marca Alexander McQueen, permanecendo o designer como diretor criativo. A grife expandiu suas atividades, passando a incluir coleções de prêt-à-porter feminino e masculino, além de acessórios, óculos e fragrâncias, como Kingdom (2003) e MyQueen (2005).[51][52] Durante esse período, foram inauguradas lojas próprias em cidades como Nova York, Londres, Milão, Las Vegas e Los Angeles.
Ao longo de sua carreira, McQueen recebeu diversos prêmios, incluindo o título de "Designer Britânico do Ano" em 1996, 1997, 2001 e 2003, o prêmio de "Designer Internacional do Ano" pelo "Council of Fashion Designers of America" (CFDA) em 2003, e foi nomeado Comandante da Ordem do Império Britânico (CBE) no mesmo ano. Em 2007, também foi reconhecido como "Designer Masculino do Ano" pela revista GQ.[46]
Após sua morte, foi organizada a exposição Alexander McQueen: Savage Beauty, concebida em 2010 e inaugurada no Metropolitan Museum of Art, em Nova York. A mostra ocorreu entre 4 de maio e 7 de agosto de 2011, atraindo mais de 660 mil visitantes e tornando-se a exposição de moda mais visitada da história do Costume Institute do museu.[46]
Os designs de McQueen destacavam-se por uma estética ousada, marcada por um romantismo sombrio e pela incorporação de elementos de violência e grotesco. Suas coleções incluíam ternos de linhas angulares e minimalistas, vestidos com silhueta em forma de ampulheta moldados por espartilhos apertados, além de criações elaboradas que combinavam bordados com miçangas, flores naturais e até chifres de veado. Em fases posteriores, passou a explorar também calçados de proporções extremas, como os modelos “Alien” e “Armadillo”, com plataformas de cerca de 25 centímetros.[46]
Conhecido pelo forte apelo dramático de suas apresentações, McQueen concebia desfiles performáticos que frequentemente provocavam reações intensas do público. Em 1995, sua coleção “Highland Rape” gerou controvérsia e acusações de misoginia, ao apresentar modelos em cena com aparência de violência, vestindo peças em xadrez rasgadas, corpetes danificados e rendas desgastadas. McQueen afirmou que a inspiração da coleção não se referia a violência contra mulheres, mas sim a um comentário histórico e político sobre a relação entre Escócia e Inglaterra. Segundo ele, a proposta abordava o que descreveu como a “violação da Escócia” pelas forças inglesas no século XVIII.
Em entrevista à revista Time Out em 1997, declarou:
“Esta coleção foi um grito contra designers ingleses vestindo roupas escocesas extravagantes. A família de meu pai é originária da ilha de Skye e eu estudei a história dos levantes escoceses. As pessoas eram tão pouco inteligentes que pensaram que se tratava de mulheres sendo estupradas; no entanto, o Highland Rape era o estupro da Escócia na Inglaterra.”
Em desfiles posteriores, destacou-se o uso de elementos cênicos inovadores, como dispositivos robóticos que aplicavam tinta em spray, uma partida de xadrez encenada com pessoas e a projeção holográfica da modelo Kate Moss.[54][55][56]
Em Londres, no verão de 1998, Alexander McQueen apresentou um desfile que se tornou um dos mais emblemáticos de sua carreira, reforçando sua abordagem altamente teatral e conceitual da moda. A apresentação explorava elementos de encenação dramática, como chuva artificial e composição visual intensa, características recorrentes em seu trabalho naquele período.[57]
O desfile também marcou a participação de Gisele Bündchen em sua primeira grande aparição em uma passarela internacional de destaque, em um momento que contribuiria para sua projeção no circuito global da moda. Durante a apresentação, a modelo integrou uma das passagens sob condições cênicas controladas, concebidas para intensificar o impacto visual da coleção.[58]
Frequentemente associado à transição estética do final dos anos 1990, o evento é citado como parte do movimento de afastamento das estéticas mais associadas ao “heroin chic” em direção a uma valorização renovada da sensualidade e da presença corporal.[59][60]
McQueen também vestiu diversas figuras de destaque da música internacional, incluindo as cantoras norte-americanas Lady Gaga, Madonna e Courtney Love, além de Tori Amos. No cenário britânico, colaborou com artistas como David Bowie e os Rolling Stones, com Mick Jagger utilizando peças do estilista em apresentações no palco.[46]
O estilista manteve ainda uma relação criativa próxima com a cantora islandesa Björk, para quem atuou como diretor de arte no videoclipe “Alarm Call” (1997). McQueen também foi responsável pelo design do quimono usado por Björk na capa de seu álbum Homogenic (1997), consolidando uma colaboração marcada pela forte integração entre moda e expressão musical.[46]
Vida pessoal
[editar | editar código]A vida pessoal de Alexander McQueen foi marcada por relações afetivas intensas e por uma rotina emocional descrita como complexa por pessoas próximas ao estilista. Em entrevista e depoimentos reunidos após sua morte, seu ex-marido, George Forsyth, descreveu McQueen como alguém de personalidade profundamente sensível, alternando momentos de grande criatividade e sociabilidade com períodos de isolamento. Segundo Forsyth, a vida do designer era fortemente influenciada por suas relações pessoais e por uma constante pressão emocional ligada tanto ao trabalho quanto à sua vida privada.[61]
McQueen teria enfrentado episódios de grande instabilidade emocional após o fim de relacionamentos significativos, além de lidar com o impacto psicológico de perdas pessoais importantes, incluindo a morte de pessoas próximas.[62]
McQueen era um grande amigo da modelo Kate Moss. A supermodelo britânica foi uma das musas frequentes de McQueen e participou de diversos momentos emblemáticos de suas apresentações, incluindo aparições em desfiles que se tornaram referência na moda internacional. Além da colaboração profissional, a relação entre ambos também se estendia ao âmbito pessoal. Moss foi a madrinha do casamento de McQueen com o documentarista George Forsyth.[63]
Em 2005, durante um período de intensa controvérsia na carreira da modelo Kate Moss referente ao escândalo do abuso de substâncias, Alexander McQueen manifestou publicamente seu apoio a ela de maneira simbólica em um de seus desfiles em Londres. Ao final da apresentação, o estilista surgiu vestindo uma camiseta com a frase “We love you Kate” ("Nós te amamos, Kate"), gesto que foi amplamente interpretado pela imprensa como uma demonstração de solidariedade pessoal e profissional à modelo. A ação ocorreu em meio à repercussão negativa envolvendo Moss na mídia e no setor da moda, quando diversas marcas encerraram contratos com a modelo.[64]
Morte
[editar | editar código]Em 2 de fevereiro de 2010, Joyce McQueen, mãe do estilista, faleceu. Na manhã seguinte, Alexander, então, publicou no Twitter uma mensagem onde anunciava a seus seguidores a morte de Joyce, ainda afirmando que "se ela não me tivesse, vocês também não", concluindo com um "descanse em paz, mãe". Desde então, aparentemente não saiu de seu apartamento em Mayfair e lá cometeu suicídio em 11 de fevereiro, aos 40 anos.[65]
Segundo informações apresentadas por investigadores e apuradas no inquérito, McQueen enfrentava intensa pressão no ambiente de trabalho e passava por um período de profunda depressão devido à morte de sua mãe. O estilista foi encontrado morto em seu apartamento no bairro de Mayfair, em Londres, no dia 11 de fevereiro, um dia antes do funeral de sua mãe. Posteriormente, o inquérito revelou que McQueen tinha um histórico de depressão, ansiedade e insônia, além de registros de tentativas anteriores de suicídio. [66][67]
Ver também
[editar | editar código]Notas e referências
[editar código]- ↑ Wilson 2015, p. 13.
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