Chico Science
| Chico Science | |
|---|---|
Chico Science em 1993 | |
| Nome completo | Francisco de Assis França Caldas Brandão[1] |
| Nascimento | 13 de março de 1966 |
| Morte | Recife, Pernambuco |
| Causa da morte | acidente automobilístico |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Etnia | pardo |
| Filho(a)(s) | 1 |
| Ocupação | |
| Principais trabalhos |
|
| Carreira musical | |
| Período musical | 1987–1997 |
| Gênero(s) | |
| Instrumento(s) | |
| Gravadora(s) | |
| Afiliações | |
| Influências | |
Francisco de Assis França Caldas Brandão (Olinda, 13 de março de 1966 – Recife, 2 de fevereiro de 1997),[18] mais conhecido pelo nome artístico Chico Science, foi um cantor e compositor brasileiro, um dos principais colaboradores do movimento manguebeat[19] em meados da década de 1990.[20] Líder da banda Chico Science & Nação Zumbi, deixou dois discos gravados: Da Lama ao Caos e Afrociberdelia.[21] Sua carreira foi encerrada precocemente por um acidente de carro numa das vias que ligam Olinda ao Recife.[22] Seu trabalho foi muito aclamado.[nota 1] Gilberto Gil considerava Science e o grupo baiano Olodum como "o que surgiu de mais importante na música brasileira nos últimos vinte anos".[23] Seus dois álbuns foram incluídos na lista dos 100 melhores discos da música brasileira da revista Rolling Stone,[24] elaborada a partir de uma votação com 60 jornalistas, produtores e estudiosos de música brasileira, com Da Lama ao Caos na 13ª posição e Afrociberdelia na 18ª.[25][26] A revista também incluiu Chico Science na lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, ocupando o 16ª lugar.[27][28][29]
Carreira
[editar | editar código]Início da década de 1980: Início da carreira
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Chico Science participava de grupos de dança e hip hop em Pernambuco no início dos anos 1980.[30] No final da década, integrou algumas bandas de música, como Orla Orbe e Loustal, inspiradas em soul, ska, funk e hip hop.[nota 2] Suas principais influências musicais eram James Brown, Bob Marley, Grandmaster Flash e Kurtis Blow entre outros artistas de destaque da soul music norte-americana.[31]
1991–1997: Lamento Negro e Nação Zumbi
[editar | editar código]A fusão com os ritmos nordestinos, principalmente o maracatu, veio em 1991, quando Science entrou em contato com o bloco afro Lamento Negro, de Peixinhos, subúrbio de Olinda. Misturou o ritmo da percussão com o som de sua antiga banda e formou o Nação Zumbi. A partir daí o grupo começou a se apresentar no Recife e em Olinda e iniciou o "movimento" mangue beat, com direito a manifesto ("Caranguejos com Cérebro", de Fred 04, do Mundo Livre S/A).
Em 1993, uma rápida turnê por São Paulo e Belo Horizonte chamou a atenção da mídia.[32] O primeiro disco, Da Lama ao Caos, teve boa receptividade da crítica e projetou a banda nacionalmente. O segundo, Afrociberdelia, mais pop e eletrônico, confirmou a tendência inovadora de Chico Science e Nação Zumbi, que excursionaram pela Europa, onde encontraram Os Paralamas do Sucesso, e pelos Estados Unidos, onde fizeram sucesso de público e crítica e tocaram juntamente com Gilberto Gil.[23]
1998 e 2013: Lançamentos póstumos
[editar | editar código]A Nação Zumbi lançou um CD duplo em 1998, depois da morte do líder Chico Science, com músicas novas e versões ao vivo remixadas por DJs.[nota 3]
A sua versão da canção "Maracatu Atômico"[33] foi o clipe que encerrou as atividades da MTV Brasil, do grupo Abril, em 30 de setembro de 2013.[nota 4] A ex-VJ Astrid Fontenelle, que assim como no primeiro clipe da emissora em 1990, foi quem apresentou o videoclipe.[34]
Influências
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Podem ser citadas como bandas relacionadas a Chico Science as conterrâneas Mundo Livre S/A, Bonsucesso Samba Clube, as mais recentes Cordel do Fogo Encantado, Mombojó e Otto (o qual é ex-integrante do Mundo Livre S/A). Artistas influenciados por Chico incluem Max Cavalera, que se inspirou na Nação Zumbi gravando o disco do Sepultura Roots, e ao formar o Soulfly trouxe Lúcio Maia, Jorge Du Peixe e Gilmar para seu disco de estreia, também gravando em seu terceiro álbum uma versão de "Sangue de Bairro";[35] Cássia Eller, que gravou versões de "Corpo de Lama" e "Quando a Maré Encher"; Fernanda Abreu, que regravou sua canção "Rio 40 Graus" em uma nova versão com Science no álbum Raio X; Arnaldo Antunes, que colaborou com Science em "Inclassificáveis", de seu álbum O Silêncio; e Chorão do Charlie Brown Jr., que junto de Marcelo D2 gravou "Samba Makossa" no álbum Acústico MTV.[36][37][38]
A banda filipina de nu metal Chicosci, originalmente chamada Chico Science, inspirada pelo artista brasileiro.[39] O músico de drum and bass inglês Goldie, conhecido nos anos 90 como "o rei do jungle", compôs uma música em homenagem ao cantor brasileiro chamada "Chico - Death of a Rockstar".[40]
Morte
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Chico Science morreu no final da tarde de um domingo do dia 2 de fevereiro de 1997,[42] em um acidente de automóvel quando dirigia o carro de sua irmã de Recife a Olinda. Às 18h30, ele estava sozinho ao volante na estrada quando seu Fiat Uno se chocou com um poste depois que um outro veículo teria fechado a sua passagem.[43]
Science ainda foi socorrido por um policial que estava passando num ônibus e o levou ao Hospital da Restauração, mas não resistiu e chegou ao hospital morto com múltiplas lesões. O enterro aconteceu na segunda-feira do dia 3 de fevereiro de 1997, no Cemitério de Santo Amaro, localizado no Recife. A família de Chico Science recebeu indenização de cerca de 10 milhões de reais da montadora Fiat, responsabilizada pela morte do cantor e compositor no acidente, devido a falhas no cinto de segurança do carro que dirigia e que poderiam ter lhe poupado a vida. Chico era divorciado e deixou uma filha batizada de Louise Taynã mais conhecida como Lula Lira.[44] Seu túmulo é visitado por fãs e admiradores da sua obra e de seu legado.[45]
Homenagens
[editar | editar código]A cidade de Recife criou três tributos a Chico Science: um Memorial Chico Science, no bairro São José; uma estátua de caranguejo, símbolo do Mangue Beat, na Rua da Aurora, onde o músico morou; e uma estátua de Science sobre um caranguejo na Rua da Moeda.[46]
Em 2016, Chico Science foi o homenageado no bloco carnavalesco Galo da Madrugada pelas ruas do Recife. O mascote da festa desfilou com óculos escuros em homenagem ao cantor.[47]
Discografia
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Com Chico Science & Nação Zumbi
[editar | editar código]- Da Lama ao Caos (1994) — disco de ouro, mais de 100.000 cópias vendidas.
- Afrociberdelia (1996) — disco de ouro, mais de 100.000 cópias vendidas.
Coletâneas
[editar | editar código]- Maxximum: Chico Science & Nação Zumbi (2005) — Sony BMG.
- Grandes Sucessos: Chico Science & Nação Zumbi (2001) — Sony Music.
- 21 Grandes Sucessos: Chico Science & Nação Zumbi (2000) — Chaos.
Com outros artistas
[editar | editar código]- Rei tributo a Roberto Carlos (1994) — participação em "Todos Estão Surdos".
- Arnaldo Antunes: O Silêncio (1996) — participação em "Inclassificáveis"
- Fernanda Abreu: Raio X (1997) — participação em "Rio 40 Graus".
Participações em trilhas sonoras
[editar | editar código]- Tropicaliente (1994) — "A Praieira"
- Irmãos Coragem (1995) — "A Cidade"
- Baile Perfumado (1997) — "Sangue de Bairro" e "Salustiano Song"
- Caramuru - A Invenção do Brasil (2001) — "Manguetown"
- Viver a Vida (2009) — Science não fez parte da trilha sonora oficial, mas em diversos momentos uma versão instrumental de "Sangue de Bairro" foi executada na trama
- Cordel Encantado (2011) — "Maracatu Atômico"
- O Rebu (2014) — "Banditismo Por Uma Questão de Classe"
- Lado a Lado (2012) — "Inferno"
- Marighella (2019) — "Monólogo ao Pé do Ouvido (Vinheta) / Banditismo Por Uma Questão de Classe"
Videoclipes
[editar | editar código]- A Cidade
- "Maracatu Atômico"
- "Manguetown"
- "Sangue de Bairro"[nota 5]
Lançamentos póstumos
[editar | editar código]- CSNZ (1998)
Notas e referências
[editar código]Notas
[editar código]- ↑ Crook, Larry (2010). p. 100–300.
- ↑ Teles, José, Editora Belas Letras. (2024). p. 336
- ↑ Galinsky, Philip (2013). p. 3–10.
- ↑ Galinsky, Philip (2013). p. 1–10.
- ↑ Por volta de 1993 foram feitos dois clipes amadores, "A Cidade" e "Maracatu de Tiro Certeiro", com as versões demo das respectivas canções.
Referências
[editar código]- ↑ Mauro Ferreira (2 de fevereiro de 2022). «Morto há 25 anos, Chico Science vive em obra que captou dissonâncias ainda vigentes no Brasil em 2022». globo.com. g1. Consultado em 8 de julho de 2025
- 1 2 3 «Carreira». Jornal do Commercio (Recife). Consultado em 30 de novembro de 2015. Arquivado do original em 24 de julho de 2014
- ↑ «Glossário: Mangue de "A" a "Z"». Consultado em 30 de novembro de 2015
- ↑ «Chico Science». Consultado em 30 de novembro de 2015
- ↑ Igor Ribeiro (Outubro de 2006). «Como Chico Science produziu o clássico "Afrociberdelia"». Editora Abrila. Consultado em 30 de novembro de 2015
- ↑ LUIZ ANTÔNIO RYFF (17 de Julho de 1996). «Paralamas e Science dividem palco francês». Folha de S.Paulo. Consultado em 30 de novembro de 2015
- ↑ Marcos Augusto Gonçalves (10 de dezembro de 1996). «Entrevista». Folha de S.Paulo
- ↑ Yuri de Castro (13 de junho de 2013). «Marcelo D2: na lata, mas com dó». Consultado em 30 de novembro de 2015
- ↑ Tony Aiex (3 de fevereiro de 2012). «Lembrando Chico Science - TMDQA!»
- ↑ «Ortinho». Consultado em 30 de novembro de 2015
- ↑ «O Mestre Salustiano». Casa da Rabeca. Consultado em 30 de novembro de 2015
- ↑ Bruno Albertim (7 de abril de 2014). «Entre Chico e Josué de Castro havia José Teles». Jornal do Comércio. Consultado em 30 de novembro de 2015
- ↑ Diogo Rodriguez (10 de agosto de 2010). «Fellini e Nação Zumbi». Revista Trip. Consultado em 30 de novembro de 2015
- ↑ «Jorge Ben Jor». Roda Viva (programa de televisão). 18 de dezembro de 1995. Consultado em 30 de novembro de 2015
- ↑ Welton Oda (Novembro de 2013). «O que há de Science no Chico Science?» (PDF). Universidade Federal do Amazonas. Consultado em 30 de novembro de 2015
- ↑ «Chico Science». Faculdade de Ciências Humanas de Olinda. Maio de 2005. Consultado em 30 de novembro de 2015
- ↑ https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/03/13/60-anos-de-chico-science-o-cientista-dos-ritmos-que-levou-o-mangue-do-recife-para-o-mundo.ghtml Erro de citação: Parâmetro inválido "nome" na etiqueta
<ref>. Queria dizer "name"?. - ↑ «Memorial Chico Science». Governo de Pernambuco. S/data. Consultado em 20 de março de 2014.
Domingo, 2 de fevereiro: por volta das 19h, o Fiat que Chico dirigia se choca contra um poste no Complexo de Salgadinho, a caminho de Olinda.
- ↑ «Com homenagem ao Manguebeat, Fenearte reúne 5 mil expositores, oficinas e apresentações culturais». G1. Consultado em 30 de junho de 2022
- ↑ «Fenearte 2022: feira pernambucana homenageia os 30 anos do Manguebeat. Confira detalhes». jc.ne10.uol.com.br. Consultado em 30 de junho de 2022
- ↑ Teles, José (21 de outubro de 2024). Criança de Domingo: uma biografia musical de Chico Science. Caxias do Sul, RS: Editora Belas Letras. ISBN 978-65-5537-495-7
- ↑ Crook, Larry (1 de novembro de 2010). Focus: Music of Northeast Brazil (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 978-1-135-90196-7. Consultado em 7 de maio de 2026
- 1 2 «The Interview». Universo Online
- ↑ Erro de citação: Etiqueta
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas "G1" - ↑ «'Da lama ao caos', de Chico Science & Nação Zumbi, é eleito o melhor disco da MPB nos últimos 40 anos». O Globo. Consultado em 16 de junho de 2022
- ↑ «Rolling Stone Brasil elege os 100 melhores discos de música brasileira». Grandeabobora.com. 21 de Julho de 2010. Arquivado do original em 8 de outubro de 2009
- ↑ «Chico Science». Os 100 Maiores Artistas da Música Brasileira. Rolling Stone. Consultado em 31 de maio de 2017. Arquivado do original em 13 de maio de 2017
- ↑ «Chico Science, mais vivo do que nunca». webstories.revistaforum.com.br. 3 de fevereiro de 2022. Consultado em 16 de junho de 2022
- ↑ Internet (amdb.com.br), AMDB (25 de abril de 2022). «Nação Zumbi: História de Chico Science deve virar filme; saiba mais». Rolling Stone. Consultado em 16 de junho de 2022
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- ↑
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- ↑ «Morte de Chico Science completa 25 anos e manguebeat segue inovando». Agência Brasil. 2 de fevereiro de 2022. Consultado em 2 de julho de 2022
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Bibliografia
[editar | editar código]- Teles, José (2024). Criança de Domingo: Uma biografia musical de Chico Science. Recife: Editora Belas Letras. p. 10–336. 336 páginas. ISBN 9786555374957
Ligações externas
[editar | editar código]- «Circuito da Poesia do Recife». Prefeitura do Recife
- «Memorial Chico Science (arquivado)». Prefeitura do Recife
- «Chico Science Especial - Portal Chico Science pelo JCOnline». JC Online
- «Chico Science». no CliqueMusic
- «Chico Science, Um Caranguejo Elétrico». Documentário Nação Zumbi no YouTube

