Fauna do Ceará
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A Fauna do Ceará é característica do sertão nordestino, com espécimes variados adaptados às condições climáticas locais, estas que unem Caatinga e Brejo de altitude. Totalizando quase 4 mil espécies de animais, o Ceará foi um dos primeiros estados do país a ter um inventário estadual de fauna, em 2021.[1][2][3]
Características
[editar | editar código]A fauna do estado é muito rica e o Ceará se tornou o primeiro estado do Brasil a ter um inventário de fauna local, com presença de 2593 espécies de invertebrados e 1275 espécies de vertebrados, incluindo 502 peixes, 443 aves, 140 mamíferos, 133 répteis e 57 anfíbios.[4] Entre os pássaros da região estão o Uirapuru-Laranja, a Ema, o Curió, o Bem-Te-Vi, o Urubu-Rei e outros. [5] Entre os mamíferos estão a Paca, o Veado-Catingueiro, o Tamanduá-Mirim e em algumas regiões do estado havia presença de Antas, Tatu-Canastras, Onças-Pintadas e Onças-Pardas, mas estão quase extintos devido a caça por fazendeiros e sertanejos ao longo da brusca história de colonização no estado.[6] O litoral cearense também é rico em fauna, contando com muitas espécies de peixes, corais e baleias. Também possuiu um núcleo do Projeto TAMAR, próximo uma região indígena do povo Tremembé, no município de Itarema, devido a costa cearense ser um importante local de encontro da Tartaruga-de-Pente.[7]
O Soldadinho-do-Araripe é uma pequena ave exclusiva da Chapada do Araripe, uma das regiões mais ricas em fósseis do Brasil. A ave só foi descoberta em 1996 e logo foi registrada como uma espécie em risco de extinção.
Caatinga
[editar | editar código]A caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, ocupa cerca de 10% do território nacional, situando-se no nordeste do país. No entanto, enfrenta sérios desafios de preservação, com aproximadamente 80% da caatinga já alterada, sendo considerada um dos ecossistemas mais degradados do planeta. A preservação desse bioma torna-se crucial devido à devastação causada por ações humanas, como caça, queimadas e desmatamento, além das mudanças climáticas. Essas atividades resultam no desaparecimento de espécies vegetais e animais, incluindo aquelas endêmicas, levando ao desequilíbrio do ecossistema.[8]
A caatinga, rica em biodiversidade, abriga aproximadamente 327 espécies endêmicas, exclusivas desse local. Estudos indicam a presença de 13 espécies de mamíferos, 23 de lagartos, 20 de peixes e 15 de aves típicas desse bioma. A diversidade da caatinga é evidenciada por registros de 133 espécies de mamíferos, 548 de aves, 196 de répteis, 98 de anfíbios, 386 de peixes, 276 formigas, 94 de abelhas e 93 aranhas. [9]
Histórico do estudo
[editar | editar código]O Ceará, ao longo dos séculos, tem desempenhado um papel crucial no estudo e na compreensão da fauna brasileira. Desde o século XVII, naturalistas de destaque, provenientes de várias partes do mundo, têm explorado esse território rico em biodiversidade. Francisco Dias da Rocha, um cearense notável, destacou-se como pioneiro nas compilações e estudos sobre os animais silvestres do estado durante o período que abrange o início até a metade do século passado.[carece de fontes]
O legado de Rocha foi passado de geração em geração, e outros grandes naturalistas seguiram seus passos, com destaque para o Professor Melquíades Pinto Paiva. Este último continuou a obra iniciada por Dias da Rocha, contribuindo significativamente para o conhecimento e preservação da fauna cearense.
Mais de seis décadas após os esforços iniciais de Rocha, o legado está vivo e forte, graças aos esforços contínuos de pesquisadores vinculados a instituições renomadas, como UECE, UFC, UEVA, URCA, IFCE, UFCA e Aquasis.[10]
Um marco notável nesse compromisso com a pesquisa e conservação é o lançamento do primeiro Inventário da Fauna do Ceará. Esse abrangente inventário, elaborado sob a liderança de especialistas e pesquisadores, oferece uma visão detalhada e atualizada da diversidade biológica do estado. Não se limitando apenas aos vertebrados, o inventário inclui uma análise minuciosa dos invertebrados, proporcionando uma compreensão abrangente da riqueza ecológica do Ceará.[11]
Na data de seu lançamento em fevereiro de 2021, o estudo sobre vertebrados apresentou 1275 espécies documentadas, incluindo 140 mamíferos (115 continentais e 25 marinhos), 133 répteis, 57 anfíbios, 443 aves e 502 peixes (400 marinhos e 102 continentais). Em agosto de 2021, o Inventário da Fauna de Invertebrados foi lançado, registrando aproximadamente 2.593 espécies. Assim, a Fauna do Ceará revela uma diversidade impressionante, totalizando pelo menos 3868 espécies de animais. Cada grupo possui listas individuais que são continuamente atualizadas à medida que novas espécies são descobertas ou renomeadas.
Cultura
[editar | editar código]As aves possuem grande papel cultural no Ceará, o próprio nome do estado significa "O canto da Jandaia", que é considerada a ave símbolo do estado. A Jandaia possui grande importancia cultural na Região Metropolitana de Fortaleza.[12]
Na Serra da Ibiapaba, especialmente nos munícipios de Ubajara, Viçosa do Ceará e Tianguá, a Tanajura (formiga saúva) possui destaque cultural na culinária local, uma herança originada dos povos indígenas Tabajaras que habitam a região. Em Tianguá, há uma grande estátua em homenagem à Tanajura, além de livros infantis que contam a história popular acerca dessa formiga.[13]
Toponímia cearense
[editar | editar código]Historicamente no Ceará, é destaque a utilização de animais para nomear lugares e cidades, uma herança indígena do estado que prevalece fortemente até a atualidade. O estado tem cerca de 30 munícipios de seus 184 munícipios que levam o nome de animais locais.
- Acarape - "Caminho dos Acarás" (peixes)
- Acaraú - "Rio das Garças" (aves)
- Aracoiaba - "Lugar do canto das aves" (aves)
- Araripe - "Rio das Araras" (aves)
- Ararendá - "Lugar das Araras" (aves)
- Aratuba - "Ajuntamento de Araras" (aves)
- Canindé - "povo indígena Canindés, homenagem à Arara-canindé" (aves)
- Cascavel - "Serpente Cascavel" (reptéis)
- Coreaú - "Rio dos Curiós" (aves)
- Jati - "Abelha Jati" (insetos)
- Jaguaretama - "Morada das Onças" (mamíferos)
- Jaguaribara - "Rio das Onças" (mamíferos)
- Jaguaribe - "Rio das Onças" (mamíferos)
- Jaguaruana - "Onça preta" (mamíferos)
- Jijoca de Jericoacoara - "Buraco das Tartarugas" (reptéis)
- Ereré - "Ave Irerê" (aves)
- Guaiúba - "Peixe Guaiuba" (peixes)
- Guaramiranga - "Ave Guará" (aves)
- Maracanaú - "Rio das Maracanãs" (aves)
- Meruoca - "Morada das Moscas" (insetos)
- Pacatuba - "Ajuntamento de Pacas" (mamíferos)
- Santana do Acaraú - "Nossa Senhora de Santana do Rio das Garças" (aves)
- São João do Jaguaribe - "São João do Rio das Onças" (mamíferos)
- Tejuçuoca - "Morada dos Teiús-branco" (reptéis)
- Trairi - "Peixe Traíra" (peixes)
- Tururu - "Ave Turu-turu" (aves)
- Uruoca - "Morada dos Urus" (aves)
- Uruburetama - "Morada dos Urubus" (aves)
Além destes, existem outros munícipios com nomes de origem incertas, que podem homenagear animais ou diversas outrass coisas como Beberibe, Choró, Crateús, Chorozinho e Cariré.
Referências
[editar código]- ↑ «FAUNA DO CEARÁ». Secretaria do Meio Ambiente. Consultado em 11 de janeiro de 2024
- ↑ «FAUNA DO CEARÁ». 28 de fevereiro de 2021. Consultado em 11 de janeiro de 2024
- ↑ «FAUNA DO CEARÁ». Secretaria do Meio Ambiente. Consultado em 5 de abril de 2026
- ↑ «FAUNA DO CEARÁ». Secretaria do Meio Ambiente. Consultado em 11 de dezembro de 2023
- ↑ Melo, Matheus (1 de fevereiro de 2023). «Descubra a Origem do Nome Ceará: Uma das curiosidades do Nordeste!». Praias de Fortaleza. Consultado em 11 de dezembro de 2023
- ↑ «Onça-pintada e outros três mamíferos estão 'provavelmente extintos' no Ceará, diz secretaria». G1. 13 de abril de 2022. Consultado em 11 de dezembro de 2023
- ↑ «Cear�». www.tamar.org.br. Consultado em 11 de dezembro de 2023 replacement character character in
|titulo=at position 5 (ajuda) - ↑ «Caatinga». www.wwf.org.br. Consultado em 5 de abril de 2026
- ↑ Caatinga, Associação (2 de dezembro de 2024). «Fauna e Flora da Caatinga». aCaatinga. Consultado em 5 de abril de 2026
- ↑ «Inventário da Fauna do Ceará lista cerca de 1.300 espécies de animais registradas no estado». Instituto de Ciências do Mar – Labomar. Consultado em 11 de janeiro de 2024
- ↑ «Ceará é o primeiro estado do país a ter um inventário da fauna local». Revista Galileu. 29 de agosto de 2022. Consultado em 11 de janeiro de 2024
- ↑ «Conheça a Jandaia-Verdadeira, ave símbolo do Ceará». www.parquearvorar.com.br (em inglês). Consultado em 5 de abril de 2026
- ↑ Maciel, Paulo (28 fev 2026). «Período chuvoso leva cearenses a caçar e comer tanajuras, formigas ricas em proteína». diariodonordeste.verdesmares.com.br. Consultado em 5 de abril de 2026