Kanban
Visão geral do sistema Kanban (em inglês). | |
| Objetivo | Sistema de controle de logística |
| Desenvolvedor | Taiichi Ohno |
| Implementado em | Toyota |
Kanban (看板), cujo significado é design de sinalização ou cartão em japonês[1], é o nome de um método utilizado na administração da produção, que usa um quadro de sinalização para controlar os fluxos de produção ou transportes em uma indústria. O cartão pode ser trocado por outro sistema de sinalização, como luzes, caixas vazias e até locais vazios demarcados.
O método Kanban foi criado por Taiichi Ohno na década de 1940, como parte do Sistema de Produção Toyota (TPS).[2][3] O método visava melhorar a eficiência da produção ao controlar o fluxo de materiais e reduzir desperdícios.[2][3]
Em Engenharia de Software, Kanban é uma estratégia para otimizar o fluxo de valor para partes interessadas através de um processo que utiliza um sistema visual que limita a quantidade de trabalho em andamento através de um sistema puxado."[4]
História
[editar | editar código]Na década de 1940, Taiichi Ohno criou o método Kanban, como parte do Sistema de Produção Toyota (TPS).[2][3]

O sistema movimenta e fornece itens de acordo com o consumo, fazendo com que não haja abastecimento de materiais sem solicitação. O Kanban foi baseado num sistema visual de abastecimento de um supermercado: conforme os produtos vão sendo vendidos (consumidos), os espaços vazios vão sendo reabastecidos.
São utilizados cartões para o controle e funcionamento do Kanban: cartão utilizado indica que um material foi utilizado e precisa ser reposto. Os cartões também são divididos por prioridade de reabastecimento, sendo separados pelas cores verde, amarela e vermelha, em sequência para itens de menor prioridade para maior prioridade.[5] Esses cartões são utilizados em uma grande grelha dividida em vários sectores, por onde o produto passa até se transformar no produto acabado, organizando o quadro para uma melhor ilustração do andamento da produção. Esse procedimento dá uma visão mais ampla para o gestor responsável pelo processo de produção, que fica por dentro do andamento do sector.[6]
Para se realizar com sucesso o Kanban são feitos cálculos do número de cartões para cada item de material, levando em consideração o Lead time, o pedido médio, o estoque de segurança e a quantidade de peças no contentor.[5]
O sistema Kanban não tem como função reduzir estoques, apenas limita seu nível a um valor máximo, não podendo assim ser confundido com o sistema just-in-time. O sistema Kanban é considerado apenas uma parte do sistema Just in Time.[5]
Coloca-se um Kanban em peças ou partes específicas de uma linha de produção, para indicar a entrega de uma determinada quantidade. Quando se esgotarem todas as peças, o mesmo aviso é levado ao seu ponto de partida, onde se converte num novo pedido para mais peças. Quando for recebido o cartão ou quando não há nenhuma peça na caixa ou no local definido, então deve-se movimentar, produzir ou solicitar a produção da peça.[7]
O Kanban permite agilizar a entrega e a produção de peças. Pode ser empregue em indústrias montadoras, desde que o nível de produção não oscile em demasia. Os Kanbans físicos (cartões ou caixas) podem ser Kanbans de Produção ou Kanbans de Movimentação e transitam entre os locais de armazenagem e produção substituindo formulários e outras formas de solicitar peças, permitindo enfim que a produção se realize Just in time - metodologia desenvolvida e aperfeiçoada em 1940 por Taiichi Ohno e Sakichi Toyoda conhecida como Sistema Toyota de Produção.[7]
O sistema Kanban é uma das variantes mais conhecidas do Just in Time.
Personal Kanban é a técnica que utiliza o Kanban para Gestão Pessoal.[8]
Kanban no Desenvolvimento de Software
[editar | editar código]O Kanban foi adaptado por David J. Anderson (fundador da Kanban University) como técnica para ser utilizada no desenvolvimento de software. Neste contexto ele é definido pelo seu criador como "Um método para definir, gerenciar e melhorar serviços que entregam trabalho de conhecimento, tais como serviços profissionais, atividades criativas e o design de produtos físicos e de software. Pode ser caracterizado como um método de 'começar com o que você faz agora' - um catalisador para mudanças rápidas e focadas nas organizações - que reduz a resistência a mudanças benéficas de acordo com os objetivos da organização." [4]
São 6 as práticas do Kanban utilizados para o desenvolvimento de software:
- Visualização do Fluxo de Trabalho: visualização através do uso do quadro Kanban para fomentar as conversas certas no momento certo e criar oportunidades de melhoria;
- Limitando o Trabalho em Progresso (WIP): trabalho em Andamento (do inglês Work in Progress, ou WIP) se refere aos itens de trabalho que o time iniciou e que ainda não terminou, uma prática para diminuir excessos de trabalho paralelo; [9]
- Gerenciamento do Fluxo; maximizar o valor entregue, garantindo que os Itens de Trabalho não são deixados para envelhecer desnecessariamente e que sejam completados;
- Políticas Explícitas sua definição de “Fluxo de Trabalho”: incluindo a criação de políticas documentadas e que todo o time compreenda, úteis para melhorar suas performances;
- Ciclos de feedback cadências para inspecionar e controlar o fluxo de trabalho, observar melhorias e aplicar no sistema, sempre com foco no trabalho;
- Melhoria Colaborativa e Evolução Experimental utilizando pelos como o método científico e observações empíricas, executar experimentos baseados em dados para melhorar e evoluir o sistema Kanban.
Scrum e Kanban
[editar | editar código]O Kanban pode ser utilizado sozinho, sem a necessidade de outros Frameworks ou metodologias. David J. Anderson descreve o Kanban como um caminho alternativo para a agilidade. Porém o método também pode ser usado para apoiar outros métodos.
A perspectiva baseada em fluxo do Kanban pode melhorar e complementar o framework Scrum e sua implementação. Times podem aplicar o Kanban tanto se estiverem começando a usar o Scrum quanto se já o utilizam há muito tempo.
Utilizando o Kanban para visualizar o trabalho de novas formas, um Time Scrum pode aplicar o conjunto de práticas do Kanban para otimizar o valor da entrega de maneira mais efetiva. Essas práticas se apoiam e expandem os princípios do pensamento Lean, fluxo de desenvolvimento de produtos e teoria das filas.
Característica do Sistema Kanban
[editar | editar código]Neste sistema deve existir um equilíbrio entre os processos: anterior e posterior. O processo anterior não pode produzir mais peças do que a capacidade de consumo do processo posterior, assim como o processo posterior não deve adquirir mais peças do que o necessário para sua produção, do processo anterior.[5]
No método tradicional os itens são “empurrados” de uma cadeia de suprimento para a outra, tendo havido solicitação ou não. Isso gera aumento de estoque, numa ocasião de desequilíbrio de produção e, incerteza dos envolvidos no trabalho, pois não sabem o impacto do aproveitamento e do ritmo do seu trabalho adiante. Em contrapartida, o método Kanban “puxa” os itens que são necessários à próxima cadeia, eles são movimentados na medida em que são consumidos, ou seja, apenas quando serão utilizados, sem necessidade de estoque. Em outras palavras, no sistema tradicional o “estoque comanda a produção”, já no kanban a “produção comanda o estoque”.[5]
Kanban Eletrônico
[editar | editar código]O Kanban eletrônico (ou e-Kanban) permite agilizar a entrega e a produção de peças. Pode ser empregado em indústrias montadoras, desde que o nível de produção não oscile em demasia. Os kanbans físicos (cartões ou caixas).[10]

Kanban de Produção
[editar | editar código]É usualmente um cartão ou caixa que autoriza a produção de determinada quantidade de um item. Os cartões (ou caixas) circulam entre o sector fornecedor e a produção , sendo afixados junto às peças imediatamente após a produção e retirados após o consumo pelo cliente, retornando ao processo para autorizar a produção e reposição dos itens consumidos.[11]
Kanban de Movimentação, também chamado de Kanban de Transporte é o sinal (usualmente um cartão diferente do Kanban de Produção) que autoriza a movimentação física de peças entre o supermercado do processo fornecedor e o supermercado do processo cliente (se houver). Os cartões são afixados nos produtos (em geral, o cartão de movimentação é afixado em substituição ao cartão de produção) e levados a outro processo ou local, sendo retirados após o consumo e estando liberados para realizar novas compras no supermercado do processo fornecedor. O kanban puxa a produção e dita o ritmo de produção para atender pedidos.

Vantagens
[editar | editar código]O Kanban possui algumas vantagens, de entre as quais:[12]
- O número de cartões Kanban em circulação limita o estoque máximo.
- A eficiência do sistema pode ser medida pela redução do número de cartões em circulação.
- As necessidades de reposição são identificadas visualmente.
- A burocracia é virtualmente eliminada e não há programação de produção para itens controlados pelo Kanban.
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Schaub, Willy-Peter. «How does kanban relate to DevOps? | Opensource.com». opensource.com (em inglês). Consultado em 13 de junho de 2026.
Kanban means "visual signal" and has its roots in the Toyota manufacturing industry. It was developed by Taiichi Ohno to improve manufacturing efficiency. (Kanban significa "sinal visual" e tem suas raízes na indústria manufatureira da Toyota. Foi desenvolvido por Taiichi Ohno para melhorar a eficiência da produção.)
- 1 2 3 «A História do Kanban | Kanban Tool». kanbantool.com. Consultado em 13 de junho de 2026
- 1 2 3 Torres, Sergio (25 de maio de 2025). «História do Kanban: Do Japão para o Mundo da Gestão Ágil». Projeto Diário. Consultado em 13 de junho de 2026
- 1 2 Anderson, David (2010). «Kanban Essencial». Consultado em 13 de abril de 2022. Cópia arquivada em 12 de dezembro de 2025
- 1 2 3 4 5 Peinado, Jurandir; Alexandre Reis Graeml (2007). Administração da produção (Operações Industriais e serviços. Curitiba: UnicemP. p. 449. 750 páginas
- ↑ Kniberg, Henrik; Mattias Skarin (2009). Kanban e Scrum - Obtendo o melhor de ambos. Estados Unidos da América: C4Media Inc. p. 22-80. 139 páginas. ISBN 978-0-557-13832-6
- 1 2 Lopes dos Reis, Rui (2008). Manual da gestão de stocks: teoria e prática. Lisboa: Editorial Presença. ISBN 978-972-23-3307-8
- ↑ «Map your work, control your life: Personal Kanban». personalkanban.com. Consultado em 16 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 14 de março de 2026
- ↑ «Limitar o trabalho em progresso aumenta a sua produtividade». synergyc.co. Consultado em 13 de abril de 2022. Cópia arquivada em 13 de abril de 2026
- ↑ Pace, João Henrique (2003). O Kanban na prática. Rio de Janeiro: QualityMark
- ↑ Ritzman, Larry P. (2004). Administração da produção e operações. São Paulo: Prentice Hall. ISBN 85-87918-38-9
- ↑ Ribeiro, Paulo Décio (1989). Kanban: resultados de uma implementação bem sucedida. São Paulo: COP. Editora. 114 páginas