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Machosfera

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A machosfera, manosfera ou comunidade masculinista[1][2] é uma subcultura masculinista formada exclusivamente por homens que, por sua vez, promovem o desenvolvimento pessoal da masculinidade, seja com críticas relacionadas ao feminismo (forte ou moderada), ou na defesa do homem investir seu tempo em si próprio sem a necessidade de buscar um relacionamento amoroso ou construir uma família. Alguns pesquisadores alegam que esta comunidade estaria associada politicamente com a extrema direita e a direita alternativa.[3]

A subcultura engloba diversos grupos, sendo alguns deles: movimento dos direitos dos homens, leitores de Jack Donovan, Homens seguindo seu próprio caminho (MGTOW), Pick-up Artist (PUA), incels (celibatários involuntários) Por não ser uma comunidade homogênea, diferentes grupos que estão inclusos nessa esfera não necessariamente seguem uma mesma cartilha.

História

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Surgiu de movimentos sociais como o movimento de libertação dos homens das décadas de 1970 e 1980.[4][5] Grupos agora considerados parte do movimento, como o movimento pelos direitos dos homens, são anteriores ao termo "manosfera".[6] Acredita-se que o termo, um jogo com a palavra "blogosfera", tenha aparecido pela primeira vez no Blogspot em 2009.[7][8] Posteriormente, foi popularizado por Ian Ironwood, um autor e comerciante de pornografia. O termo entrou no léxico popular quando a mídia de notícias começou a usá-lo em histórias sobre homens que haviam cometido atos de violência misógina, agressão sexual e assédio online.[8]

2010 foi identificado como "um claro ponto de inflexão" pela pesquisadora Emma A. Jane, no qual as comunidades da Manosfera se moveram em direção ao mainstream de sua posição anterior na periferia da Internet. Ela levanta a hipótese de que essa popularização foi estimulada pelo advento da Web 2.0 e a ascensão das mídias sociais, em combinação com a misoginia sistêmica contínua e a sociedade patriarcal. A Manosfera estava bem estabelecida em 2014 e suas ideias haviam entrado no discurso mais convencional, onde às vezes são usadas entre homens não necessariamente identificados com qualquer grupo específico da Manosfera.[9]

A imagem da "pílula vermelha" (mais conhecida pela sua nomenclatura em inglês: Red Pill), usando uma metáfora emprestada do filme Matrix, é um princípio central da Manosfera; trata-se de despertar os homens para a suposta realidade de que a sociedade é fundamentalmente misandrista e que foi contaminada por valores feministas.[10][11][12][2] No ponto de vista da autora norte-americana Donna Zuckerberg: "A pílula vermelha representa uma nova fase na misoginia online. Seus membros não apenas zombam e menosprezam as mulheres; eles também acreditam que em nossa sociedade os homens são oprimidos pelas mulheres."[13]

Os homens adeptos a manosfera acreditam que as feministas e o politicamente correto obscurecem essa realidade, tornando os homens como vítimas dessas mudanças culturais, devendo lutar pela proteção de sua existência.[11][14] Aceitar a ideologia da manosfera é análogo a "tomar a pílula vermelha"; por outro lado, os homens que não o fazem são vistos como Blue Pill, ou seja, tendo escolhido tomar a "pílula azul" ao se conformar com a realidade nos tempos atuais.[15][16][17][12][18]

Em 2026, Vitor Hugo de Oliveira Simonin, acusado de participar de um estupro coletivo na cidade do Rio de Janeiro, se entregou à polícia usando uma camiseta com a frase regret nothing ("não se arrependa de nada"). A frase faz alusão a propagação de ideias misóginas pelo influenciador Andrew Tate, muito popular no movimento Red Pill.[19]

Percepção pública

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A machosfera recebeu ampla cobertura da mídia devido à sua associação com ataques violentos de grande repercussão, incluindo o massacre de Isla Vista em 2014, na Califórnia, o tiroteio na Umpqua Community College em 2015, no Oregon, e o ataque com van em Toronto em 2018, bem como a campanha de assédio online contra mulheres na indústria de videogames que ficou conhecida como GamerGate.[20] Após o tiroteio em Isla Vista, descobriu-se que o assassino, Elliot Rodger, era um participante ativo do fórum PUAHate.[21]

Arthur Goldwag descreveu a machosfera na edição da primavera de 2012 do Relatório de Inteligência do Southern Poverty Law Center como um "submundo de misóginos, pessoas que odeiam mulheres e cuja fúria vai muito além das críticas ao sistema de tribunais de família, às leis de violência doméstica e às falsas acusações de estupro... [que são] dedicados a atacar praticamente todas as mulheres (ou, pelo menos, as ocidentalizadas)".[22] Em 2018, o SPLC adicionou a supremacia masculina como uma categoria que monitora em sua lista de grupos de ódio.[23]

O grupo britânico de combate ao extremismo Hope not Hate incluiu a machosfera em seu relatório State of Hate de 2019.[14] Em 2025, o documentário da BBC Men of the Manosphere, segue o apresentador James Blake enquanto ele entra no mundo virtual da machosfera.[24][25]

Em 2021, o sítio GQ publicou uma reportagem onde fala sobre a disseminação do "movimento masculinista" (machosfera) nos fóruns da deep web brasileira, importando ideias como "soberania masculina, violência contra a mulher e retomada da 'virilidade' dos tempos pré-históricos".[26]

Referências

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  1. «Ameaças ao STF e incels: comunidades misóginas virtuais estão mais tóxicas». tab.uol.com.br. Consultado em 13 de junho de 2021
  2. 1 2 Ramírez, Noelia (11 de junho de 2021). «'Matrix', o clássico do cinema criado como uma metáfora trans, agora é uma arma da extrema direita». EL PAÍS. Consultado em 13 de junho de 2021
  3. (Nagle 2017, pp. 86–87); (Zuckerberg 2018, pp. 11, 18–19); (Marwick & Lewis 2017, p. 47); (Ging 2019, p. 640)
  4. Ging (2019), p. 639.
  5. Jones, Trott & Wright (2019), p. 14.
  6. Messner (1998).
  7. Nagle (2017), p. 15.
  8. 1 2 Ging (2019).
  9. Jane (2018), p. 667.
  10. Winter (2019).
  11. 1 2 Lumsden (2019), p. 99.
  12. 1 2 Ging (2019), p. 640.
  13. Zuckerberg (2018), p. 15.
  14. 1 2 Lewis (2019).
  15. Zuckerberg (2018).
  16. Nagle (2017).
  17. Friedland (2018).
  18. Ging (2019), p. 645.
  19. Bonets, Vitor (10 de março de 2026). «"Red Pill" popularizou frase usada por acusado de estupro coletivo; entenda». CNN Brasil. Consultado em 10 de março de 2026
  20. (Ging 2019, p. 640); (Jones, Trott & Wright 2020, pp. 1–2); (Zuckerberg 2018, p. 21)
  21. (Zuckerberg 2018, pp. 139–140); (Nagle 2017, pp. 99–100)
  22. Goldwag (2012a).
  23. Janik (2018).
  24. Mangan, Lucy (17 de novembro de 2025). «Men of the Manosphere review – a truly terrifying hour». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 29 de novembro de 2025
  25. «James Blake returns with new documentary Men of the Manosphere» (em inglês). BBC Media Centre. 5 de novembro de 2025. Consultado em 26 de novembro de 2025
  26. «Movimento masculinista cresce e preocupa; saiba como ele se espalha no Brasil». GQ. Consultado em 28 de setembro de 2021

Bibliografia

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