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Quake II

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Quake II
Desenvolvedoraid Software[a]
PublicadoraActivision[b]
Projetistas
  • Tim Willits
  • American McGee
  • Christian Antkow
  • Jennell Jaquays
  • Brandon James
Programadores
  • John Carmack
  • John Cash
  • Brian Hook
Artistas
  • Adrian Carmack
  • Kevin Cloud
  • Paul Steed
CompositorSonic Mayhem
Motorid Tech 2[1][c]
SérieQuake
Plataforma
Lançamento
9 de dezembro de 1997
  • Windows
    • AN: 9 de dezembro de 1997
    • EU/AU: 12 de dezembro de 1997[2][3]
  • Linux
    • WW: 6 de janeiro de 1998[4]
  • Mac OS
    • AN: 1 de julho de 1999[5]
  • Nintendo 64
  • PlayStation
  • Xbox 360
    • AN: 22 de novembro de 2005
    • EU: 2 de dezembro de 2005
    • AU: 23 de março de 2006[11]
  • Switch, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X/S
    • WW: 10 de agosto de 2023
GêneroTiro em primeira pessoa
Modos de jogoSolo, Multijogador

Quake II é um jogo de tiro em primeira pessoa de 1997 desenvolvido pela id Software e publicado pela Activision. É o segundo título da série Quake, seguindo Quake.[12] Desenvolvido ao longo de um ano, Quake II foi lançado em 9 de dezembro de 1997. Em contraste com o primeiro jogo, que apresentava uma combinação de elementos de ficção científica e fantasia, Quake II abandona completamente esses últimos elementos e se passa durante a guerra da humanidade contra uma raça alienígena rebelde conhecida como Strogg, criaturas meio mutantes, meio máquinas, cujo planeta natal, Stroggos, é o alvo da força de invasão humana. O jogador assume o papel de um fuzileiro espacial (chamado de Bitterman) que cai no planeta e, sendo o último sobrevivente de seu esquadrão, tem a missão de completar uma série de missões para enfraquecer os Strogg e acabar com seus planos de conquistar a Terra. A história do jogo continua em suas expansões, incluindo uma que conecta Quake II e o primeiro jogo, e em Quake 4. A trilha sonora de heavy metal do jogo foi composta por Sascha Dikiciyan.

Além do modo para um jogador, Quake II também utiliza um sistema de rede cliente/servidor similar ao de Quake para o modo multijogador. Diferentemente de Quake, onde a aceleração por hardware só foi implementada em patches posteriores, Quake II foi lançado com suporte nativo a OpenGL. Quake II também foi o primeiro jogo da id Software a não ser lançado para o então obsoleto sistema operacional MS-DOS, rodando nativamente no Windows 95, com diversas adaptações para outros sistemas posteriormente. O código-fonte de Quake II foi liberado pela id Software sob a licença GPL em 21 de dezembro de 2001.[13]

Quake II recebeu aclamação da crítica em seu lançamento e, assim como seu antecessor, é geralmente considerado um dos melhores jogos eletrônicos já criados.[14][15][16] Uma versão "aprimorada" de Quake II, desenvolvida pela Nightdive Studios, foi lançada para Microsoft Windows, Xbox One, Xbox Series X/S, Nintendo Switch, PlayStation 4 e PlayStation 5 em 10 de agosto de 2023. Inclui o jogo original e seus dois pacotes de expansão, um episódio com as fases da versão para Nintendo 64 e um episódio inédito desenvolvido pela MachineGames.[17]

Jogabilidade

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O modo para um jogador em Quake II envolve tiroteios, frequentemente com múltiplos inimigos, em grandes áreas externas.

Quake II é um jogo de tiro em primeira pessoa, no qual o jogador enfrenta inimigos a partir da perspectiva do personagem principal. A jogabilidade é muito semelhante à apresentada em Quake, em termos de movimentação e controles, embora a velocidade de movimento do jogador tenha sido reduzida e o personagem agora possua a habilidade de se agachar. O jogo mantém quatro das oito armas presentes em Quake (a Shotgun, Super Shotgun, Grenade Launcher e Rocket Launcher), embora elas tenham sido redesenhadas visualmente e funcionem de maneiras ligeiramente diferentes. As demais armas de Quake (o Axe, Nailgun, Super Nailgun e Thunderbolt) não aparecem em Quake II. As seis novas armas são a Blaster, Machine Gun, Chain Gun, Hyperblaster, Railgun e a BFG10K. O power-up Quad Damage de Quake também está presente em Quake II, enquanto novos power-ups incluem o Ammo Pack, Invulnerability, Bandolier, Enviro-Suit, Rebreather e Silencer.

O modo para um jogador apresenta diversas mudanças em relação a Quake. Primeiramente, o jogador recebe objetivos baseados em missões que acompanham o enredo, incluindo roubar a cabeça de um comandante de tanque para abrir uma porta e solicitar um ataque aéreo contra um bunker. Cutscenes em CGI são utilizadas para ilustrar o progresso do jogador nos principais objetivos, embora todas consistam essencialmente no mesmo pequeno trecho de vídeo, mostrando uma imagem computadorizada do protagonista enquanto ele avança pelos níveis do jogo. Outra adição é a inclusão de personagens não hostis: companheiros do protagonista que foram capturados. Entretanto, não é possível interagir com esses personagens, pois todos enlouqueceram devido ao cativeiro imposto pelos Stroggs.

O jogo apresenta níveis muito maiores do que os de Quake, com áreas abertas significativamente mais amplas. Um sistema de hubs permite que o jogador viaje de um nível para outro, algo necessário para completar determinados objetivos. Algumas das texturas e símbolos presentes no jogo são semelhantes aos encontrados em Quake. Os inimigos também passam a demonstrar ferimentos visíveis após sofrerem dano.

A porção multijogador é semelhante à de Quake. Ela pode ser jogada no modo deathmatch todos contra todos, em uma versão cooperativa do modo para um jogador, ou em partidas de 1 contra 1 utilizadas em torneios oficiais, como a Cyberathlete Professional League. O jogo também pode ser disputado no modo Capture a Bandeira (CTF). O modo deathmatch foi beneficiado pelo lançamento de oito mapas projetados especificamente para ele, adicionados pela id Software após o lançamento inicial do jogo. Esses mapas foram introduzidos por meio de um dos primeiros patches disponibilizados gratuitamente. Antes do lançamento desses mapas, os jogadores estavam limitados aos níveis do modo para um jogador, que, embora funcionassem no multijogador, não haviam sido projetados especificamente para partidas de deathmatch.

Assim como em Quake, é possível personalizar a aparência do jogador para os demais participantes das partidas multijogador. Contudo, enquanto em Quake a única opção era alterar a cor do uniforme do personagem — a menos que fossem utilizadas modificações de terceiros —, Quake II inclui três modelos diferentes de personagens: um fuzileiro homem, uma fuzileira mulher e um ciborgue masculino. A escolha do modelo também afeta os efeitos sonoros emitidos pelo personagem, como sons de esforço ao pular ou gemidos quando ferido. Cada modelo pode ser personalizado pelo menu do jogo por meio da seleção de skins pré-definidas, que diferem em diversos aspectos, como cor, padrão de camuflagem e pintura facial.

Quake II se passa em um ambiente de ficção científica, tendo como pano de fundo uma guerra entre a humanidade e uma raça alienígena conhecida como Strogg, que captura e converte criaturas orgânicas em horríveis ciborgues para sua máquina de guerra. No modo para um jogador, o jogador assume o papel de um fuzileiro chamado Bitterman, participante da “Operation Alien Overlord”, uma tentativa desesperada de encerrar a guerra lançando uma contraofensiva no planeta natal dos alienígenas, Stroggos.

A maior parte dos outros soldados é capturada ou morta assim que se aproxima da zona de pouso planejada. Bitterman sobrevive porque a cápsula pessoal de outro fuzileiro colide com a sua durante o lançamento, fazendo com que ele caia muito antes da área prevista para o desembarque. Bitterman então abre caminho pela altamente industrializada cidade Strogg, destruindo objetivos estratégicos ao longo do percurso e, por fim, mata o líder Strogg, o Makron, em sua base orbital localizada em um asteroide.

Desenvolvimento

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Diferentemente de seu antecessor, o motor gráfico de Quake II permite efeitos de iluminação colorida e skyboxes.

Originalmente, Quake II deveria ser um novo jogo e propriedade intelectual; títulos como "Strogg", "Lock and Load" e simplesmente "Load" foram cogitados nos estágios iniciais de desenvolvimento. Mas, após inúmeras tentativas frustradas, a equipe da id Software decidiu manter o nome Quake II e abandonar o tema gótico lovecraftiano do jogo original em favor de uma estética mais voltada para a ficção científica.[18]

Foi uma decisão consciente [mudar a direção de Quake II] e controversa dentro da empresa. Não estávamos satisfeitos com a história [original de] Quake. [John] Romero tinha saído, então não havia mais ninguém para defendê-la. Kevin Cloud assumiu a direção de Quake II e queria que o jogo fosse focado na história.

Todd Hollenshead [18]

No documentário de 2023, FPS: First Person Shooter, o designer Tim Willits revelou que Quake II quase se chamou "Wor". No entanto, devido a questões legais, a equipe de desenvolvimento decidiu usar o nome Quake, apesar da sequência não ter nenhuma ligação narrativa com o jogo original. Willits também observou que a premissa do jogo foi inspirada no filme de 1961 sobre a Segunda Guerra Mundial, Os Canhões de Navarone, particularmente na representação de uma missão para destruir uma fortaleza aparentemente inexpugnável que abrigava uma arma gigantesca.

O jogo foi desenvolvido por uma equipe de 13 pessoas.[19] A Activision obteve os direitos de distribuição mundial do jogo em maio de 1997.[20] O artista e coproprietário Adrian Carmack afirmou que Quake II é seu jogo favorito da série porque "foi diferente e um projeto coeso".[18] Este é o último jogo da id Software a apresentar American McGee, já que ele foi demitido pouco depois do lançamento.[21][22]

Ao contrário de Quake, onde controladores gráficos com aceleração por hardware só foram suportados em patches posteriores, Quake II já vinha com suporte nativo a OpenGL. Downloads posteriores da id Software adicionaram suporte ao conjunto de instruções 3DNow! da AMD para melhor desempenho em seus processadores K6-2, e a Rendition lançou um renderizador nativo para seu chip gráfico V1000. A versão mais recente é a 3.21. Esta atualização inclui diversas correções de bugs e novos níveis projetados para o modo multiplayer deathmatch. A versão 3.21, disponível como código-fonte no servidor FTP da id Software, não apresenta nenhuma funcionalidade aprimorada em relação à versão 3.20 e consiste simplesmente em uma pequena modificação para facilitar a compilação para Linux.

Quake II utiliza um modelo cliente-servidor aprimorado, introduzido em Quake. O código do jogo Quake II, que define toda a funcionalidade de armas, entidades e mecânicas de jogo, pode ser alterado de qualquer forma, pois a id Software publicou o código-fonte de sua própria implementação, que acompanhava o jogo. Quake II utiliza a funcionalidade de biblioteca compartilhada do sistema operacional para carregar a biblioteca do jogo em tempo de execução — é assim que os autores de mods conseguem alterar o jogo e fornecer diferentes mecânicas de jogo, novas armas e muito mais. O código-fonte completo da versão 3.19 de Quake II foi lançado sob os termos da GNU GPL-2.0 ou posterior em 22 de dezembro de 2001. A versão 3.21 foi lançada posteriormente. Uma versão compatível com LCC foi lançada em 1 de janeiro de 2002 por um modder conhecido como Major Bitch.[23]

O motor gráfico de Quake II era uma licença popular e serviu de base para diversos jogos comerciais e gratuitos, como CodeRED: Alien Arena, War§ow, SiN, Anachronox, Heretic II, Daikatana, Soldier of Fortune, Kingpin: Life of Crime e UFO: Alien Invasion. O jogo Half-Life, da Valve, lançado em 1998, utilizou o motor gráfico de Quake II durante os estágios iniciais de desenvolvimento.[24] No entanto, a versão final utiliza uma versão bastante modificada do motor gráfico Quake, o GoldSrc, com uma pequena quantidade de código do Quake II.

Notas

  1. A versão aprimorada do jogo foi desenvolvida pela Nightdive Studios.
  2. A Bethesda Softworks publicou a versão aprimorada do jogo.
  3. A versão aprimorada utiliza o mecanismo KEX.

Referências

  1. Perry, Douglass (31 de dezembro de 1998). «THE REAL QUAKE II INTERVIEW». IGN.com. Consultado em 10 de fevereiro de 2018. Cópia arquivada em 1 de setembro de 2025
  2. «blue's Quake Rag - Nov. 29-Dec. 5, 1997 News». Blue's News. Dezembro de 1997. Consultado em 2 de outubro de 2019
    Quake II in the UK December 12: "id CEO Todd Hollenshead updated his .plan to announce that the expected shelf date for Quake II in the UK is December 12."
  3. «White Hot Games for Christmas». The Age. 11 de dezembro de 1997. 75 páginas. Consultado em 1 de maio de 2024. Cópia arquivada em 20 de abril de 2026. Quake II Due Friday!
  4. Zoid (6 de janeiro de 1998). «Quake II for Linux». Blue's News. Consultado em 1 de maio de 2024
  5. «MacQuake II Available». Blue's News. 1 de julho de 1999. Consultado em 3 de outubro de 2019. Cópia arquivada em 31 de agosto de 2025
  6. «Game Informer News». Game Informer. 4 de setembro de 1999. Consultado em 6 de abril de 2023. Cópia arquivada em 4 de setembro de 1999
  7. «Quake II». Chipsworld. Consultado em 1 de maio de 2024. Cópia arquivada em 24 de maio de 2003
  8. «PSX Nation: News». 18 de janeiro de 2000. Consultado em 15 de maio de 2023. Cópia arquivada em 18 de janeiro de 2000
  9. «Quake II sur PSone». Jeuxvideo (em francês). Consultado em 15 de maio de 2023. Cópia arquivada em 18 de dezembro de 2025
  10. «Quake II». Chipsworld. Consultado em 1 de maio de 2024. Cópia arquivada em 27 de abril de 2001
  11. Jastrzab, Jeremy (27 de fevereiro de 2006). «Updated Australian release list, 27/02/06». PALGN. Consultado em 1 de maio de 2024. Cópia arquivada em 11 de janeiro de 2009
  12. Lien, Tracey (7 de dezembro de 2012). «Quake 2 turns 15-years-old today». Polygon. Consultado em 15 de novembro de 2017
  13. Loli, Eugenia (22 de dezembro de 2001). «Quake 2 Source Code Released». OS News. Consultado em 30 de maio de 2026. Cópia arquivada em 10 de abril de 2021
  14. «The 100 Best Games of All Time». Edge (80). Janeiro de 2000
  15. «GameSpy's Top 50 Games of All Time». GameSpy. 1 de julho de 2001. Consultado em 22 de abril de 2022. Cópia arquivada em 4 de junho de 2004
  16. Feitelberg, Amy; Walk, Gary Eng (13 de maio de 2003). «We rank the 100 greatest videogames». Entertainment Weekly. Consultado em 8 de março de 2018. Cópia arquivada em 9 de março de 2018
  17. Porter, Jon; Parrish, Ash (10 de agosto de 2023). «Quake II is getting the remaster treatment». The Verge. Consultado em 30 de maio de 2026. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2023
  18. 1 2 3 Retro Gamer (2016). «20 Years of Quake». Retro Gamer (154): 18, 27
  19. «Wizards of Id». The Sydney Morning Herald. 13 de dezembro de 1997. p. 193. Consultado em 17 de agosto de 2021 via Newspapers.com
  20. Lee, Helen (30 de maio de 1997). «Activision Gets Quake II». GameSpot. Consultado em 25 de julho de 2022. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 1998
  21. Mullen, Micheal (13 de março de 1998). «Id Designer Let Go». GameSpot. Consultado em 25 de outubro de 2022. Arquivado do original em 13 de outubro de 2000
  22. «John Carmack Archive - .plan 1998». scribd.com. 18 de março de 2007. Consultado em 15 de junho de 2026
  23. Thompson, Pete. «Quake II Engine Source for LCC Compiler». Consultado em 15 de novembro de 2017. Cópia arquivada em 14 de outubro de 2012
  24. Kelly, Andy (1 de agosto de 2016). «Returning to Quake 2, the legendary shooter that's still fun today». PC Gamer (em inglês). Consultado em 16 de agosto de 2020


Ligações externas

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